Moda, futuro e tecnologia no iTechStyle Summit

Têxteis técnicos em evidência

A terceira edição da cimeira dos têxteis técnicos levou a Leixões mais de 700 participantes. O prémio de Sustentabilidade foi para a dupla Sedacor e Têxteis Penedo, empresa de Mascotelos.

Aterceira edição do iTechStyle Summit foi “mais” em tudo: houve um maior número de participantes internacionais, a abrangência dos temas abordados também cresceu e a interactividade seguiu o mesmo caminho. Tudo isto num encontro aconteceu no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, entre 2 e 4 de Abril. Falou-se de moda, digitalização, sustentabilidade e inovação (e tantos outros tópicos) dentro das curvas e contracurvas do edifício, cuja arquitectura tem tanto de desafiante quanto o futuro da indústria têxtil.

Não é recente a predominância da evolução tecnológica no que diz respeito às tendências da área; numa altura em que muito se fala da Indústria 4.0 (e sobre a qual poderá ler neste jornal), o iTechStyle Summit não falhou à chamada. Contudo, Braz Costa disse ser necessário fazer mais. Na intervenção que viria a encerrar o evento, o director-geral do CITEVE apontou que “algumas das tecnologias” apresentadas naqueles dias já o tinham sido “há cinco anos”. “A criatividade portuguesa existe, mas ainda temos muito para aprender com quem sabe vender rápido as suas ideias e inovações”, referiu.

Ainda assim, Braz Costa não poupou elogios à organização da iTechStyle Summit: “Tive o gosto de ouvir vários dos nossos colegas não portugueses a dizer que, provavelmente, esta é a conferência ligada ao têxtil e vestuário mais bem organizada da Europa”. Entre as “dezenas de candidaturas” apresentadas, apenas cinco foram premiadas – e um desses prémios é “metade” vimaranense.

A Têxteis Penedo, sediada em Mascotelos, uniu-se à Sedacor, que está “entre os maiores produtores e distribuidores mundiais da indústria corticeira”, como se lê no site da empresa. Ambas apresentaram almofadas e cortinas construídas com fio cork-a-tex (fio revestido com aditivos de cortiça): 80% de algodão e 20% de cortiça. Isso valeu-lhes a distinção na categoria de Sustentabilidade. A Têxteis Penedo, fundada em 1974, é uma empresa especialista “na produção de têxteis-lar em Jacquard”, o nome dado aos padrões complexos de entrelaçamento em tecelagem e em malharia.

Na categoria Tecidos, a malha “com efeito barreira contra radiações electromagnéticas” da LMA, empresa de Rebordões, Santo Tirso, foi a vencedora. Já o casaco inteligente Musgo valeu à Scorecode o prémio nos Produtos. O Musgo, controlado a partir de uma aplicação, recorre a fibras ópticas que reagem ao movimento do corpo, mudando a cor e intensidade da luz do casaco. O objectivo a redução de acidentes em situações de pouca luminosidade. Os melhores acessórios da terceira edição o iTechStyle Summit foram os dos Bordados Oliveira. A empresa de Tamel, em Barcelos, foi premiada pelo seu estampado com diversas técnicas de gravação. Por último, e na categoria Smart Textiles (têxteis inteligentes), a vitória sorriu à Addaptech. A “companhia biomédica” desenvolveu um sistema que, através de materiais têxteis, disponibiliza medidas exactas para a construção de próteses.

Nesta terceira edição do iTechStyle Summit, os sacos de materiais totalmente reutilizados da Riopele também tiveram o seu destaque. O projecto Tenowa, marca que dá nome ao tecido com que são feitos os sacos, foi um dos vencedores da conferência do ano anterior: arrecadaram o primeiro lugar na categoria Sustentabilidade. Para o próximo ano, ainda não se sabe se algum dos galardoados da iTechStyle Summit 2019 terá o mesmo lugar de destaque que o Tenowa. Contudo, há outras certezas: a cimeira dos têxteis volta a Leixões em 2020. E os participantes deste ano poderão ajudar no planeamento da quarta edição. O director-geral do CITEVE lançou o repto: “A vossa opinião conta.”

A Têxteis Penedo quer acabar com as úlceras de pressão – Concorrência obriga a inovar

As úlceras de pressão, feridas que tendem a surgir em pessoas que estão imobilizadas, podem ter os dias contados. Pelo menos é o que o resguardo de colchão (ou de assento, para as cadeiras de rodas) da Têxteis Penedo pretende vir a fazer.

O produto, em fase de testes, está a ser desenvolvido através do projecto Active Rest. O resguardo é composto por sensores que medem “valores de humidade, temperatura e pressão do corpo”, como explicou Sandra Ventura, directora de Inovação da empresa. Assim, as zonas de pressão vão sendo alteradas, para evitar eventuais lesões. A representante da Têxteis Penedo apontou que a empresa espera ter o projecto finalizado em seis meses.

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