Entrar e sair com classe

O Vitória foi a Frankfurt mostrar que, também, em Guimarães o futebol tem a qualidade do têxtil-lar.

Texto de: José Eduardo Guimarães

Na última jornada, da Liga Europa desta época, o que podia ser um prejuízo desportivo e económico, redundou em escassos 10’, num lucro evidente, nos seguintes factos:

  1. O primeiro triunfo da prova foi apenas na última jornada;
  2. Este triunfo valeu mais pontos a Portugal no ranking europeu;
  3. Fez entrar, ainda, nos cofres do clube mais 570 mil euros que elevam para 3,870 milhões os ganhos por resultados desportivos;
  4. Aumentou o prestígio desportivo do Vitória e melhora o seu ranking na UEFA (começou em 124º nesta época);
  5. Vai ter evidente repercussão na moral da equipa para as duas competições que restam do calendário de provas nacional;
  6. Ficar em último lugar, com 5 pontos, num grupo complicado, onde deixou quase sempre boa “nota”, acaba por merecer uma menção honrosa;

Quanto ao jogo, o Vitória jogou em 30’, na primeira parte, um futebol maduro, explorando bem os espaços livres e contra-atacando quase com perfeição – faltaram mais golos a avanços que operam por soluções individuais e não colectivas, como foi o caso de André Pereira que não concluiu um lance que daria para o 2-0. Miguel Silva, depois de uma defesa vistosa, acabou batido, de forma algo displicente, por um balão de cabeça de Da Costa, aos 31’, colocando em crise a equipa, o sistema de jogo, numa ruptura total que fez com que a equipa alemã virasse o resultado para 1-2.

© GettyImages

Ivo Vieira mostrou, mais uma vez, que o seu onze é tão rotativo quanto a força das suas ideias e concepções, o que na generalidade, tem sido acertado. Mesmo com um grupo titular, renovado, incluído até por Al Musrati – que esteve parado e voltou à competição – sem Tapsoba, nem Sacko, sem os pontas de lança habituais, com Edwards no banco, Ivo continua confiante nas suas opções. E a verdade é que no Commerzbank Arena, o Vitória apresentou-se em bom nível, com um futebol enquadrado, aproveitador de espaços vazios, jogando mais em contra-ataque, uma sincronizada que acabou por resistir aos efeitos do golo esquisito sofrido por Miguel Silva, que ficou ligado totalmente ao empate e ao que viria a seguir.

A equipa que apesar de tudo não verga, acabou beneficiada e refrescada pelas substituições que deram a estocada de morte – ainda que com a sorte ausente noutros jogos. O Eintracht adormeceu sobre o 2-1 que julgava definitivo e não se apercebeu que nos últimos 12’, o Vitória cresceu, tomou conta do jogo e chutou à baliza, com os remates dos golos a traírem por completo o guarda-redes alemão. Coisas do futebol! O Vitória jogou quase 45’ com classe, enleou-se numa teia de vulgaridade e confusão, em mais 45’, mas reagiu bem, saindo com classe de Frankfurt, num estádio onde já disputaram jogos do Europeu. E assim colmatou um erro – de graves consequências económicas e desportivas.

© 2019 Guimarães, agora!

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