Análise urbanística favorável para nova “fábrica” da AMF

A área central de Urgezes terá um novo estudo urbanístico quer a pretensão da AMF seja ou não aprovada com o reconhecimento de interesse público.


Potencial urbanístico, económico, social depende de decisão da RAN  


A implantação um “empreendimento industrial” na área central de Urgezes, num terreno classificado como solo rural, espaços agrícolas e reserva agrícola nacional (RAN), só foi decidida depois da auscultação do departamento de Urbanismo e Promoção do Desenvolvimento, da Divisão do Desenvolvimento Económico (DDE) da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia de Urgezes e do próprio promotor e requerente da intervenção.

O reconhecimento do interesse público dependia da conclusão favorável (do ponto de vista económico) da DDE, a necessidade de criar mais espaço público, pela disponibilização de terreno para a construção e áreas verdes, bem como a realização de um estudo urbanístico mais alargado, sugerido pela Junta de Freguesia.

Este reconhecimento, seria sempre “o primeiro passo processual de uma intervenção que se afigura longa”, e apenas possível de evolução com “o reconhecimento do interesse público (RIP) que a tutela da RAN terá de decidir.

Para viabilizar a sua pretensão, a AMF teria de concertar a sua proposta com os vários actores que intervirão neste processo.

Neste contexto, a pretensão mereceu análise urbanística favorável na Câmara Municipal. E assim, foram dados passos para que a decisão fosse fundamentada. Do ponto de vista do desenvolvimento económico do concelho, da implantação local na freguesia, com as condicionantes de acrescentar mais espaço público para equipamentos e zonas verdes, segundo parâmetros definidos no urbanismo municipal. Por exemplo, a área de construção apresentada de 7 000m2 implica a cedência mínima de 2 450m2.

O próprio promotor no diálogo de concertação da sua proposta, aceitou já aumentar o espaço público, através de cedência de uma maior área de terreno, de modo a implantar na área “soluções ambientalmente contemporâneas e sustentáveis”. A obtenção do reconhecimento de interesse público condicionaria um diálogo maior entre o requerente e a autarquia.

Para além disso, o departamento de Urbanismo e Promoção do Desenvolvimento considerou “a pretensão como urbanística e economicamente viável e podendo representar intervenção de valor acrescentado para o local e para o Município”. E, por isso, passível de aprovação pelos órgãos de poder municipal.

O que esta pretensão acelerou foi a necessidade de rever o estudo urbanístico da centralidade de Urgezes, com uma definição melhor da rede viária que resulta desta pretensão e a sua ligação à já existente, algo “indispensável para o bom funcionamento da globalidade da solução”

E se o reconhecimento de interesse público for favorável, o diálogo para tornar o processo possível, definirá as questões da cedência de terreno ao domínio público, para fruição social e de lazer, equipamentos e zonas verdes. A construção de rede viária de suporte tornará clara a sua ligação à rede viária existente. E o próprio edifício da “fábrica”“singular do ponto de vista arquitectónico e ambientalmente suportado em medidas sustentáveis e inovadoras”.

A declaração ou não do interesse público deste empreendimento permitirá traduzir “o potencial urbanístico, económico, social da intervenção” que o estudo prévio já definiu, nos contactos anteriores de concertação entre a Câmara e o promotor.

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Expansão é crucial para a AMF

Investimento de 6,49 milhões para crescimento e modernização

A expansão da AMF tem vindo a ser encarada como essencial para o futuro da empresa. É um processo com mais de dois anos, que começou com visitas à fábrica actual em Tabuadelo. 

Ricardo Costa, vereador do Desenvolvimento Económico foi o primeiro a ser confrontado com a decisão da AMF evoluir para uma unidade moderna ainda mais tecnológica do que já é. A AMF passou a fazer parte do clube das empresas “Guimarães Marca”.

O Ministro da Economia, Siza Vieira, e o Secretário de Estado da Economia João Neves, foram visitas regulares da empresa, para conhecerem a singularidade dos seus processos tecnológicos no processo de fabrico.

Constituída em Junho de 1999, a AMF tornou-se referência no segmento do calçado técnico, sendo hoje uma notada empresa no sector da fabricação de calçado com forte vocação exportadora, de 77% do seu volume de negócios, segundo dados de 2019.

No seu segmento criou marcas próprias e no processo de fabrico foi capaz de introduzir conceitos inovadores e revolucionários como o de fabricar calçado sem costuras e sem montagem.

Os seus investimentos mais recentes passaram por uma nova linha de injecção e produção, num investimento de 3,1 milhões de euros.

Depois, definiu um plano de crescimento e modernização de modo a implementar um novo layout funcional, com linhas de produção multidirecionais, utilizando nestes processos de fabrico robôs colaborativos, o que a torna numa empresa evoluída em termos tecnológicos. 

Este plano prevê um investimento de 6,49 milhões de euros que vão criar mais 40 postos de trabalho, num horizonte de quatro anos.

O investimento no terreno onde agora a AMF quer implantar uma “nova fábrica” faz parte desse plano de crescimento e modernização assente numa situação económica sustentável e num perfil económico-financeiro equilibrado.

Na sua cruzada para encarar uma solução urbanística e arquitectónica abrangente e não “rígida”, a AMF abriu-se sempre ao diálogo com a divisão de Urbanismo e entre avanços e recuos, a AMF apresentou a sua solução para um terreno que havia adquirido em Urgezes.

Por isso, o projecto que apresentou à Câmara é uma solução que dialoga com a administração municipal e com a qual colabora de modo a obter um conjunto urbanístico que tenha algo de singular.

Reconhece que a criação de espaço público qualificado no perímetro da fábrica e a construção do edifício fabril com características que o tornem “referência arquitectónica e ambiental”, são factores importantes para a viabilização do seu empreendimento urbanístico que se pretende “de integração e compatibilização funcional e formal de usos e volumetrias”.

E mostra-se colaborativa nas soluções que levem à melhoria das condições de acessibilidades locais e ao impacto na mobilidade da área, capaz de com a sua ligação à macro rede viária municipal, reforce a centralidade local.

Aponta ainda soluções para o encontrar das diversas acessibilidades, de modo a evitar trânsito de pesados naquela centralidade.

O que a AMF quer contribuir para tornar possível “uma operação urbanística global, com diversas funções e usos, diversos equipamentos e tipologias, de modo a contribuir de forma clara e inequívoca para a qualidade urbana e ambiental do centro cívico da freguesia de Urgezes”.

O investimento que a AMF pretende fazer na zona central de Urgezes alia uma edificação na área de um aglomerado urbano expressivo, contribui para a sua qualificação através de uma actividade industrial e mais participativa na vida urbana pela sua arquitectura e pela transformação e beneficiação que fará no espaço público.

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Suscitar um olhar diferente “com a sensibilidade política e técnica”

A pretensão da AMF não é uma operação urbanística qualquer. Até, porque aborda “as componentes urbanas à luz da economia e da urbanística”, entre outras.

Recordando que “o ímpeto empreendedor assente na produção industrial – iniciada com a cultura do linho e da qual resultaria a indústria têxtil de vestuário -” e depois com a indústria de curtumes, em Couros, a AMF justifica que “não é possível dissociar a actividade industrial do território de Guimarães”, com base naquilo que é, hoje, o paradigma das cidades.

O seu investimento numa área classificada como de Reserva Agrícola Nacional (RAN) pode suscitar da Câmara Municipal um olhar diferente, “com a sensibilidade política e técnica que a governação tem sobre o território que actua”.

Hoje, “os novos processos industriais são influenciados pela chamada indústria 4.0 e pela globalização do mercado”, tendo por base o e-commerce como ferramenta e estratégia para a venda de produtos.

Desta forma, a realidade industrial e o território que a sustenta regista alterações profundas que obrigam “à melhoria não só de sistemas de produção, gestão de stocks ou controle de qualidade” com incidência clara na minimização da pégada ecológica.

São estas mudanças que alteram o layout das fábricas como a imagem dos edifícios. Está evolução tem exigido que a nova realidade urbanística e paisagística “tenha uma presença diferenciada dos contentores industriais no território”, passando a “induzir melhorias na resposta atempada às necessidades empresariais com a qualificação da paisagem e ambiente urbano” que “um habitar contemporâneo exige”.

Ora, é esta realidade e contexto que o investimento da AMF traduz, “aliando a implantação de um edificado num aglomerado urbano expressivo”, contribuindo para “a sua qualificação e dinamização, não apenas pela via de uma actividade industrial, limpa e tecnológica que integra e faz participar a paisagem na vida urbana através da sua arquitectura e das relações dinâmicas e funcionais que gera e pela influência que trará na beneficiação e transformação do espaço público”.

Orgulhando-se da sua marca Toworkfor que se destaca no mercado globalizado, o que é revelador de “um produto de excelência”, resultante de “boas práticas empresariais, ambientais e de responsabilidade social”.

© 2021 Guimarães, agora!


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