“Planear e articular” foi vantagem no combate à Covid-19

No combate à crise da Covid-19, a Protecção Civil, em Guimarães, usou duas palavras que explicam e justificam a estratégia adoptada: planeamento e articulação.

A vereadora Sofia Ferreira, classifica, como “muito positiva” a resposta dada pelo Município de Guimarães, face à turbulência social provocada pela propagação da Covid-19, num primeiro balanço aos 48 dias de acção.
Desde a elaboração do plano de emergência da Protecção Civil, em 27 de Março, até à montagem da estrutura local, com um posto de comando operacional e a criação de uma sub-comissão e à activação do plano de contingência municipal, toda esta estrutura baseou a sua acção em duas áreas fundamentais: o planeamento – dos meios operacionais necessários, das estruturas de acolhimento, das respostas sociais – à articulação dos serviços do Município com as entidades envolvidas – forças de segurança – PSP e GNR – Polícia Municipal – aos Bombeiros – Guimarães, Taipas, Vizela, Riba d’Ave e Vila das Aves – da saúde – ACES do Alto Ave, Hospital Senhora da Oliveira (HSO), unidade da Covid-19 do serviço de urgência, com o voluntariado da Cruz Vermelha Portuguesa e banco de voluntários.

Com um “espírito de equipa” que a vereadora classifica de “notável”, foi possível à estrutura montada encarar a situação de emergência criada, sem sobressaltos, planeando e executando e encontrando respostas rápidas, numa situação de alerta que funcionou, em permanência, nas 24 horas do dia.
Apesar de ter sido agitada, a vida desta estrutura de Protecção Civil, nunca foi confrontada com situações muito difíceis – apesar de algumas terem sido embaraçosas e terem deixado com o coração nas mãos, os seus responsáveis e operacionais.
As medidas adoptadas corresponderam à realidade do Município de Guimarães e ao impacto do vírus no território, e a sua implementação foi pacífica – pese um outro sinal de descontentamento de quem pensava que, o que estava a viver o mundo em geral e a Europa em particular, era um mera ilusão.

Sofia Ferreira foi sempre a “mulher tenente” da resposta material. © Direitos reservados

A vereadora reconhece que a actuação “in time” da estrutura e o momento da sua decisão a nível local, permitiu “entrar a tempo”, neste processo de ajuda e protecção de pessoas, de modo a corresponder às necessidades que a situação iria provocar ao longo deste tempo.
Hoje, Sofia Ferreira reconhece que houve duas áreas em que o cumprimento dos regulamentos não teve o melhor acolhimento: a do encerramento das feiras semanais e do funcionamento dos cemitérios. Foi aqui que houve “mais pressões” para que as medidas draconianas implementadas tivessem mais resistência. Também, no Mercado Municipal, o encerramento do “terrado” dos produtos hortícolas as medidas restritivas não foram bem entendidas.

Uma estrutura de acolhimento

Ter espaços para atender situações mais complicadas provocadas pela propagação do vírus, foi uma das primeiras medidas adoptadas.
Foram quatro os espaços, seleccionados: uma ala do edifício da Cercigui, no centro da cidade, para acolher pessoas “sem-abrigo”, com a capacidade de 16 camas. Foi o espaço mais utilizado temporariamente, adaptado e equipado, com dignidade, e com condições sanitárias, de segurança e isolamento. Os seus utentes receberam refeições grátis confeccionadas no Lar de Santo António e distribuídas pela “Cozinha Económica” com o voluntariado coordenado pela Cruz Vermelha.

No “Seminário do Verbo Divino”, em Azurém, foi instalada uma unidade de isolamento profilático destinada a acolher pessoas infectadas e que não tinham nas suas casas condições adequadas. A sua capacidade é de 60 camas e permitia também receber idosos dos lares, apanhados pela doença e que precisavam de ser isolados.
“O impacto da doença nos Lares de Idosos, colocou-nos o coração nas mãos todos os dias” – revela Sofia Ferreira. De facto, este era o grupo de risco que poderia precisar de respostas mais rápidas e complexas. Porém, o que se veio a verificar é que, os lares mostraram terem adoptado, a tempo, os planos de contingência, alguns anteciparam mesmo as medidas consideradas convenientes.

Com o trabalho de planeamento feito, a estrutura da Protecção Civil preparou um cenário de resposta imediata, antecipando necessidades possíveis, incluindo o de um efeito maior e nefasto de incidência do vírus. Havia uma reserva de duas unidades hoteleiras com 83 camas, numa logística que foi suficiente para o que se veio a precisar. Por exemplo, o Centro de Candoso não chegou a ser activado, apesar de estar pronto a receber pessoas a precisar de isolamento profilático.
O ex-Seminário do Verbo Divino também se ficou por uma utilização abaixo da sua capacidade, de 60 camas, para onde poderiam ser encaminhados idosos dos lares.

“O que fizemos adequou-se a um cenário de uma incidência maior, que não chegou a ser posto à prova em toda a sua extensão…”

Na área dos testes, a Protecção Civil, coordenou com a ajuda Cruz Vermelha, a acção de rastreio aos profissionais das IPSS’s, numa acção planificada sem que se registassem casos dramáticos que pudessem alterar a rotina traçada.
Com o ACES do Alto Ave, a Protecção Civil definiu também outras estruturas de apoio, onde se incluiu a possível utilização do Multiusos, como hospital de rectaguarda, uma área de apoio no Centro de Saúde da Amorosa, para além do hospital de campanha, numa tenda no Hospital de Guimarães.
Sofia Ferreira afirma que “em termos de infra-estruturas, o que fizemos adequou-se a um cenário de uma incidência maior, que não chegou a ser posto à prova em toda a sua extensão”. Mas “era o que nos competia fazer em termos de planeamento e prevenção” – salienta.

Na área da desinfecção do espaço público, também, em Guimarães, ultrapassou-se o que já era “uma característica habitual na cidade e nas vilas”. A recolha de resíduos teve em conta a tarefa diária de limpeza urbana a níveis satisfatórios, reforçando a intervenção municipal com trabalho por turnos, articulado com as Juntas de Freguesia.
Neste contexto, a vereadora sustenta que “o Município teve uma resposta pronta, a todos os níveis, e contou com parceiros privilegiados na implementação do Plano de Emergência no concelho”, mostrando-se satisfeita com o desempenho de todos e de cada um dos envolvidos. Destaca a articulação com as áreas de educação social e da educação, na execução das políticas públicas municipais, nesta conjuntura de combate à Covid-19.

Reforça, ainda, “o apoio e a solidariedade dos vimaranenses”, no cumprimento das metas de isolamento, e dos contributos das empresas na oferta de artigos e produtos, deixando a certeza de que que o sector têxtil, estaria preparado para ajudar no funcionamento do hospital de retaguarda se tal fosse necessário. “Foram todos inexcedíveis” – diz Sofia Ferreira.
A vereadora, destaca neste trabalho de Protecção Civil, a colaboração dos Bombeiros de Guimarães, Taipas, Vizela e Riba d’Ave que cobrem o território vimaranense, a acção das forças de segurança – PSP e GNR – e dos voluntários. E da Segurança Social.

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