Ronfe fez-se vila há 20 anos: hoje, é “muito mais” do que a N206

Combater o isolamento sénior é prioridade

Os ronfenses atenderam à chamada e celebraram o 20º aniversário da elevação de Ronfe a vila. Negócios e serviços cresceram e foram construídos. A comunidade continua “solidária” e, agora, quer-se combater o isolamento sénior.

Quem se encontrava na varanda do Centro Paroquial de Ronfe, já no final de uma tarde de festa, passeava-se de mãos e, certamente, coração cheio. É que Ronfe fez-se vila há 20 anos; por isso, não faltavam razões para celebrar e, como mandam os costumes, cantar os parabéns e saborear generosas fatias de bolo. Umas a seguir às outras, chegavam a toda a gente: Adelaide Andrade Silva não queria que ninguém fosse embora de barriga vazia. A presidente daquela Junta de Freguesia, que cumpre o seu segundo mandato, é uma filha da terra: “Nasci aqui e nunca saí de Ronfe”. Por isso, aos 45 anos, tem memória do antes e do depois da elevação de Ronfe a Vila, em 1999. “A vila cresceu e tornou-se muito centralizada em função da nacional”, contou.

Da N206, estrada que corta Ronfe, parecem nascer múltiplas ruas onde cresceram negócios, zonas residenciais e serviços. Quase como ramos de um tronco. Basta fazer o caminho e ver a proximidade dos dois núcleos da Somelos, empresa da indústria têxtil, à nacional, ou então a Unidade de Saúde Familiar (USF) de Ronfe, mesmo à face da estrada. E os prédios em redor, a escola lá perto e a quantidade de carros que passam dia sim, dia sim. Características comuns a vilas e aldeias com um rio de alcatrão ao meio? Talvez, mas a presidente Adelaide não quer reduzir Ronfe a isso. “Há muito, muito mais para além da estrada”, sublinhou. Afinal, “falamos de uma vila com mais de cinco quilómetros quadrados”.

Nesse espaço todo, há gente importante para a vila que, como tem vindo a ser habitual, é galardoada neste tipo de cerimónias. Nos 20 anos de Ronfe, houve prémios para os melhores alunos até ao 3º ciclo do ensino básico, a empresa Táxis Telhado ou os juniores do Desportivo de Ronfe, que terminaram a época em 1º lugar na série D da 1ª divisão, subindo assim à Divisão de Honra. Círculo completo para Sérgio Mendes: o recipiente do Prémio Cultura contou já ter subido àquele palco enquanto aluno do agrupamento de escolas de Ronfe; naquele dia, era laureado por “Orlando, o caracol apaixonado”, livro vencedor da 2ª edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce.

Na categoria “Solidariedade”, João Machado foi reconhecido pela atribuição anual de uma bolsa de estudos ao aluno finalista com melhores resultados da Escola Professor Abel Salazar. E a personalidade do ano foi Florinda Mendes, pelo seu “altruísmo” e “dedicação” às causas sociais e às instituições da vila. A ronfense não escondeu a emoção no discurso de agradecimento. Se os mais velhos agem em prol da comunidade, os mais novos seguem-lhes as pisadas: a turma do 8ºD da EB 2,3 Abel Salazar foi distinguida com o prémio “Empenho e Dedicação” pelas acções de voluntariado levadas a cabo ao longo do ano.

Ronfe também é dos ronfenses mais velhos

Antes da cerimónia arrancar, a presidente da Junta de Freguesia revelava ao Guimarães, agora! que o “maior prémio” era, “sem dúvida”, o “Prémio Vila”. Este ano, o galardão foi entregue à USF de Ronfe, que foi acreditada com o selo de qualidade pelos serviços prestados. A representante da USF da vila realçou o orgulho que tem ao explicar que Ronfe “fica em Guimarães”. “É um prémio merecido”, afirmou.

O combate ao isolamento social de idosos foi um dos pontos principais da celebração. Por isso, a Academia da Razão teve o seu destaque. Inserida no projecto de intervenção local “Melhoria da Qualidade de Vida”, resultante de uma parceria entre a Junta de Freguesia de Ronfe e a CMG, a instituição procura integrar a comunidade sénior num estilo de vida activo. Já são 173 as pessoas que fazem parte este projecto. “A promoção do envelhecimento activo é uma das nossas prioridades”, disse a Presidente.

A presidente da junta de Ronfe quer tornar a freguesia mais coesa para além da sua geografia.

“É importante fazer obras que dignifiquem a vila, mas as pessoas são mais importantes. E tem de haver oferta para todas as idades”, acrescentou. Por isso, na Academia da Razão há aulas de dança, workshops de primeiros socorros ou aulas de culinária saudável (e com nutricionista convidada).

O auditório do Centro Paroquial de Ronfe encheu-se para a cerimónia, que contou com momentos musicais e teatrais. Um grupo de alunos da EB 2,3 Abel Salazar apresentou uma pequena peça de teatro para dar boas notícias: os seus poemas poderão ser lidos na obra “Pecúlio”, a ser editada brevemente. No evento esteve também presente a vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Guimarães (CMG), Paula Oliveira, que destacou a importância de se “premiarem crianças pela aprendizagem, conhecimento e descoberta”. Carla Gonçalves, presidente da Assembleia da Junta de Freguesia, elogiou os ronfenses: “Esta é uma comunidade com uma identidade muito própria.”

© 2019 Guimarães, agora!

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