Para os universitários de Guimarães, há pouca “oferta” na habitação

Estudantes nacionais e estrangeiros de acordo

Os estudantes do Campus de Azurém da UM preferem viver perto da universidade, arrendam casas com três quartos e pagam entre 150 e 200 euros de renda. Estas são algumas das conclusões do estudo “Alojamento Universitário – Universidade do Minho”, de Maria João Quintão Barbosa, que procurou entender como funcionou o mercado imobiliário junto dos estudantes da academia minhota em 2018. As três ilações são resultantes de um inquérito que teve 208 respostas válidas.

Mas não só o estudo aponta as afirmações iniciais: uma rápida conversa com alguns estudantes do pólo vimaranense leva o mesmo rumo. Mariana Solé, 19 anos, e Marisa Alves, 20, são estudantes de Arquitectura. “Vivemos ao pé da universidade”, conta Marisa. A estudante diz que “há quem pague muito mais e com menos condições” no Porto, de onde é natural. Para Mariana, de Viana do Castelo, “os preços não são muito caros”, mas há um problema que tem dificultado a procura de habitação aos estudantes universitários da cidade: “Há pouca oferta, não é fácil encontrar casa em Guimarães.” O preço que ambas pagam, com contas incluídas, não ultrapassa os 200 euros — e, segundo Mariana, “a cidade justifica o preço”.

A “escassez de oferta” é, também, um dos problemas apontados por Nuno Reis, Presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), na questão da habitação para estudantes universitários. Para além disso, “o aumento dos preços de arrendamento” contribui para um “problema global”, que afecta igualmente os estudantes do Campus de Gualtar (Braga). Para o dirigente associativo, tem havido “um aumento progressivo do número de estudantes da UM”, o que pode ser uma das respostas para o porquê de existirem poucas casas para arrendar a estudantes em Guimarães – especialmente na zona envolvente à universidade, que continua a ser a área de eleição para os universitários que, durante a sua formação, se fixam na cidade.

Casa “própria” versus Residências

A alternativa ao mercado privado está nas residências universitárias. Segundo o estudo “Alojamento Universitário – Universidade do Minho”, quem vive na residência de Azurém está mais satisfeito com a proximidade ao campus do que os estudantes das residências de Braga (Lloyd e Santa Tecla). Em terrenos negativos situa-se a avaliação aos espaços comuns em Azurém (2,20 numa escala de 0 a 6). Na comparação das três residências universitárias, a vimaranense foi a única que registou uma percentagem de alunos que queriam sair no ano lectivo seguinte superior à dos que queriam ficar. E porquê? “Em termos monetários, compensa mais a residência, mas em habitação própria temos mais espaço e privacidade, por exemplo”, refere Miguel Gabriel.

O aluno de Engenharia Electrónica Industrial e Computadores de 23 anos, de Leiria, chegou a Guimarães há quase cinco anos. No seu grupo de amigos, foi o único a arrendar casa e a deixar de lado as residências. “As condições são boas, vivo num apartamento relativamente novo com boas condições de isolamento. E pago menos do que o habitual”, explica. Quem também diz pagar uma renda abaixo da média é José Araújo, estudante de Engenharia Mecânica de 22 anos. “Pago 150 euros porque divido um T1 com a minha namorada, e compensa. A casa é nova. Tenho colegas a pagar mais e em casas terríveis”.

A qualidade das casas também é tópico de discussão para os estudantes vimaranenses – tanto os que vêm de outras partes de Portugal como para os que por cá pousam através do programa Erasmus. Flaka Deda, 21, e Belisa Demiraj, 22, estudaram na Albânia e optaram por Guimarães para realizarem a sua experiência de intercâmbio académico. São alunas de Engenharia Civil. “Os quartos na Albânia são mais baratos, mas os preços em Guimarães justificam-se”, diz Flaka. A colega contrapõe: “Mas se viveres no centro, os quartos são mais caros, mas estás perto de tudo. Se viveres longe, é barato, mas não estás perto.” Para ambas, “o preço corresponde à qualidade das casas”, mas as habitações em Guimarães “são muito, muito velhas”, afirma Flaka.

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“Rendas têm subido bastante”

Para José, de Viana do Castelo, as “rendas têm subido bastante”, reflectindo, para além do aumento da procura, a falta de quartos na residência de Azurém, “que é bastante pequena”. O Presidente da AAUM concorda: “As rendas subiram, em muitas zonas, mais de 50%.” Para os alunos entrevistados que chegaram há mais tempo a Guimarães, o aumento das rendas foi sentido. No caso dos mais novos, os 200 euros parecem ser um preço “normal” e dentro do expectável.

Nuno Reis acredita que “estes valores não acompanham, de forma alguma, os valores da inflação”. Para o dirigente associativo, é necessário “repor alguma justiça nos preços praticados, especialmente para os alunos com maiores dificuldades financeiras”. Mas ressalva: este problema não é somente observado em Guimarães, já que em Braga a realidade é bastante semelhante.

Por isso, a AAUM criou um projecto de mediação imobiliária chamado “Place Me”, concessionado a uma empresa privada. O objectivo é garantir “o arrendamento em full-pack: internet, luz, água, gás e outros serviços”. A “Place Me” também procura simplificar as burocracias, garantir “boas condições de habitação” e o “arrendamento legal”. Ainda não há espaço físico para o projecto no Campus de Azurém, mas Nuno Reis assegura existirem “planos para que, brevemente, possa ter um local de funcionamento regular em Guimarães”. O problema na cidade vimaranense pode ser solucionado em 2021. Esse é o ano apontado para a edificação da nova residência universitária de Guimarães, através do projecto Purpose-Built Student Accommodation, a “pequena aldeia” com 700 quartos a rondar os 180 euros por mês (com contas incluídas).

Nova residência universitária em Guimarães será uma “pequena aldeia”

Contudo, o público-alvo não são só os estudantes universitários que estudam em Guimarães. Professores, alunos de Erasmus, doutorados, pós-graduados e jovens casais podem dar início à sua vida em Guimarães no novo projecto habitacional. O objectivo é também fazer com que os recém-formados nas instituições de ensino vimaranenses se fixem pela cidade.

No preço mensal da nova residência universitária, que será inaugurada pela Imobiliária Abelimóveis, estão incluídas as contas da água, luz e internet. Há segurança 24 horas por dia, para além de existirem salas de estudo e de convívio e uma praça central – desenhada para acolher eventos de cariz cultural. O edifício contará com uma clínica, um ginásio, lavandaria, zona de restauração e garagem para bicicletas. É ainda adiantado que o espaço será alimentado por energias renováveis.

Será uma “pequena aldeia”, mas também “muito mais do que um local para dormir”. Assim se caracteriza a residência universitária que abrirá em Guimarães em 2021. O edifício, que contará com 700 camas, chama-se Purpose-Built Student Accommodation (PBSA), o que significa algo como “Alojamento Estudantil com Finalidade Específica”. Os preços rondarão os 180 euros por mês. Esta residência, que será uma das maiores em Portugal, localiza-se a menos de um quilómetro do Pólo de Azurém da Universidade do Minho.

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