Paulo Branco
Mergulhado mais de duas décadas no urbanismo e arquitectura, acostumou-se a reflectir sobre a organização humana e os seus efeitos em muitos sítios e cidades, alguns Países, e num único planeta que reclama uma mudança profunda de comportamentos. Amante da leitura e da música, acredita (ingenuamente) que o progresso assenta no desenvolvimento cultural e espiritual do indivíduo e das sociedades esperando que um dia o trabalho seja verdadeiramente libertador e a harmonização entre pessoas e o meio artificial e natural constituam a maior fonte de equilíbrio e felicidade.

Smart People

Os modelos e recomendações que se vão discutindo nos fóruns internacionais, perspectivam as cidades como meios de integração das múltiplas pluralidades socioculturais com o meio urbano em constante mutação, como se de imensos organismos vivos (complexos e falíveis, mas com capacidade auto-regeneradora) se tratasse. Este “proto paradigma” de cidades pós-industriais, em maior comunhão com a natureza, integra um conceito de cidadania e sentido de pertença, diverso do caduco ideal de Homem etnocêntrico e soberbo, dominador de todas as formas de vida – como afirmou Serge Moscovici.

Tudo nos incita a pôr termo à visão de uma natureza não humana e de um homem não natural. Conforme já opinei noutras ocasiões, a consciência de fazermos parte de um meio híper explorado e socialmente desequilibrado aconselha a agir rapidamente sob risco de uma perigosa irreversibilidade. Neste sentido, o conceito de “Smart City”, Cidade Incubadora, ou Cidade Intelectual (como afirma José F.G. Mendes no seu “Futuro das Cidades”), é a cidade equilibrada por excelência: participativa, sociável, sustentável, amiga, tecnológica, culta, plena de massa crítica.

Esta cidade democrática, monitorizada, arborizada, com mobilidades e gestão energética eficazes e um sistema de saúde e hábitos alimentares exemplares, é divertida, segura, integradora e extraordinariamente exigente pois requer “governança” e cidadãos inteligentes, “infoconetados”, informados, que cultivem valores éticos e morais de solidariedade, e respeito pela diferença, num sentido de grupo e pertença muito para lá de novelas e futebóis. Ainda assim não me parece que o futuro se deva ocupar apenas da cidade – apesar (ou talvez por causa disso) de 3/4 da população ir viver nelas em 2050…!

“Smart Territories”, conectados em rede, é ir ainda mais longe na abrangência! É o uso da “inteligência” que tanto faz sentido nas ruas urbanas como nos campos da ruralidade, numa região como num continente; um somatório concertado de partes até à dimensão planetária. Neste sentido se afirmam, há muito, várias regiões da Europa onde ainda assim as tensões sócio-políticas continuam ameaçadoras.

“Portugal, país da miscigenação, tolerância, vocação aeroportuária e marítima, tem tudo para se correlacionar planetariamente…”

Portugal, país da miscigenação, tolerância, vocação aeroportuária e marítima, tem tudo para se correlacionar planetariamente (nas Sociedades das Nações) concentrando-se, simultaneamente, num propósito patriótico – a aposta numa maior autonomização energética, industrial e alimentar dando bom uso a um multifacetado espaço geográfico de mar, terra e pessoas – unidas por objectivos comuns.

Sugiro pois se reflita sobre a importância de ser Smart; nas vantagens da educação e formação como imperativo maior para um desenvolvimento à escala da história, potencial económico e vocação de cada região tornando-a mais forte e participativa no desenvolvimento e coesão nacional face a um mundo demasiadamente assimétrico, globalizado, tenso e competitivo onde escasseiam recursos e alternativas à tecnocracia, mercados bolsistas e intolerância.

© 2020 Guimarães, agora!

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