Uma grande avenida comercial desde a Srª da Guia até à antiga estação dos CTT

Câmara dá um “impulso” à revitalização do comércio de cidade

Uns entendem-na como um “impulso” de momento, outros como mais uma “tentativa”. Admite-se até que seja uma “resposta” tardia. Porém, a “vontade” manifestada pela Câmara, através do seu presidente, na última reunião de Outubro, tem de ser testada.
Primeiro, para que se perceber até que ponto Domingos Bragança e seus pares pretendem continuar na senda de decisões estratégicas e estruturais que marcarão os anos seguintes da vida da cidade;
Segundo, para ver se a Câmara acompanha a iniciativa privada numa altura em que esta assumiu uma enorme preponderância – nunca vista – de mexer no miolo urbano, de diversas formas e feitios, e com investimentos que darão uma outra dimensão ao coração e à cidade de Guimarães em si;
Terceiro, apostando no comércio como uma outra âncora de desenvolvimento e coesão da cidade, onde sejam vivos os sinais de uma cidade mais urbana – quiçá cosmopolita – capaz de arrojar, sem medos e animar-se com algo que valha a pena, não apenas na Páscoa ou no Natal mas durante todo ano, que capte turistas e visitantes e até público para as actividades vastas no domínio cultural;
Quarto, que este sinal seja uma vontade inequívoca e não um circunstancialismo que sirva apenas para satisfazer clientelas ou interesses partidários, afirmar lideranças, servindo apenas e só interesses específicos de Guimarães e dos vimaranenses;
Quinto, finalmente, que não seja preciso um milagre de Santo António e outros santos que habitam nas imediações desta grande avenida comercial – sem carros – para a tornar verdadeira e exequível porque não precisará de grandes investimentos mas apenas que seja dado ao peão o que hoje se dá ao carro.

A intenção agora lançada em remoque ao fervor da oposição de que Guimarães está a ficar para trás e atrás de outras cidades, mais dinâmicas a desenvolver iniciativas que são prova de desenvolvimento, podia ter sido feita com pompa e circunstância, até para ser mais credível e evidenciar que se quer efectivamente, e não ser mais uma declaração política de projectos que se anunciam e demoram anos a concretizar. O presidente da Câmara “preocupou-se” com o estado do comércio, após a insolvência da ACIG e a falta de comércio local e de qualidade, com marcas bem conhecidas, de ruas pedonais, que alimentam as cidades modernas. A Coligação Juntos Por Guimarães, pelo vereador Bruno Fernandes, saudou a preocupação e considerou-a um sinal “positivo” sem deixar de salientar “as coisas que foram colocadas de parte” ao longo dos tempos e que “estamos a pagar por isso”. A insolvência da ACIG serviu de alerta mas o desaparecimento de uma associação centenária – com múltiplos serviços prestados à cidade – é “sintoma” que revela algo mais e que Domingos Bragança entendeu como o click que faltava para ir em frente, colocando a Câmara ao lado dos comerciantes, investidores e promotores, para ir mais além e provocar uma rotura, primeiro, com o passado recente, e depois, uma viragem que mostra que “há qualquer coisa de errado na nossa dimensão comercial”.

Guimarães é uma cidade atractiva do ponto de vista cultural, turístico, de restauração mas ainda há muitos vimaranenses a “fugirem” a uma vida normal na sua cidade. E a procurar “fora” o que outros encontram “cá dentro”. São precisos quatros anos para mudar este paradigma comercial. Este prazo definido por Domingos Bragança, como necessário para concretizar uma solução de mudança no comércio de cidade, pode até ser mais curto. Mas decidir para além do “impulso” ou da “intenção” é que não pode levar tanto tempo. A desculpa, sempre badalada, de que não havia parques de estacionamento para saldar as perdas de lugares nas ruas que ficariam dedicadas aos peões, já não se ouvem, nem são credíveis. O estacionamento no parque de Camões, na Plataforma das Artes, no recinto da feira – apenas indisponível à Sexta-feira – com o Toural a escassos minutos – vieram mostrar-se, tal como outros parques no mesmo perímetro, estruturas que permitem a adopção de soluções urbanísticas de cidade que possam permitir um centro comercial aberto e de ar livre, passível de ser obra emblemática e marcante – em toda a extensão da avenida que começará na Senhora da Guia e pode terminar na rotunda, à beira da antiga estação dos CTT, no final da rua de Santo António. E consigo arrastar soluções para que os edifícios habitacionais sejam ocupados por pessoas e serviços, em conjugação com os alojamentos locais que já se instalaram na periferia.

© 2019 Guimarães, agora!

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