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Segunda-feira, Janeiro 30, 2023

Há “Brigadas Verdes” em 25 freguesias

Economia

Cobrem 53% do território municipal

Animam limpezas de rios, espaços verdes e florestais, plantam árvores, tendem a fiscalizar e identificar focos poluidores, são cidadãos que abraçam a defesa do meio-ambiente.

Vestem-se com coletes amarelos mas a sua acção está virada para a defesa do ambiente. As “Brigadas Verdes” distinguem-se pela acção que promovem no âmbito do desenvolvimento sustentável. E tem como perímetro de actuação a sua freguesia.

Há 25 formalmente constituídas e com algumas actividades regulares e sazonais. Cobrem 53% do território municipal numa área de 129,52 km2 e o correspondente a mais de 1,689km2 da área verde concelhia.

São grupos informais, – apesar da reconhecida liderança da Junta de Freguesia local, por vezes mais ou menos organizados, agrupam cidadãos individualmente e outros integrados em associações e movimentos.

São homens e mulheres, de várias gerações, pertencem aos movimentos paroquiais mais em voga: escuteiros, grupos desportivos, associações culturais, Ipss’s, movimentos ligados à igreja, órgãos autárquicos da freguesia.

Em comum lutam por um objectivo simples: defender o ambiente à sua volta e abordar temáticas relacionadas com a sua preservação e sustentabilidade. E procuram uma participação cidadã que possa mudar o que está muito mal em termos ambientais.

As “Brigadas Verdes” costumam ver-se quando se constituem. O presidente da Câmara, Domingos Bragança, a quem alguém chama “o pai da ideia”, vai à freguesia apadrinhar o movimento ambientalista local, num correio já visto em 25 freguesias e numa escola profissional (Cisave).

Depois, é a Junta de Freguesia que dá o passo seguinte na organização e na operacionalidade da Brigada que se vai dedicando à limpeza de rios e suas margens, de espaços verdes e florestais, recolhendo resíduos – ma colocados pelos cidadãos ou deixados como desleixo em montes -, plantam-se árvores – que o horto municipal disponibiliza. Há quem faça mais e promova acções de sensibilização junto da população, apelando à separação dos lixos, nas próprias habitações, e saiba como os depositar em ecopontos, nos contentores e em outros recipientes urbanos de recolha.

Há outras tarefas mais complicadas na defesa do ambiente: a fiscalização e identificação de focos poluidores, nem sempre feita com o protocolo adequado para que se torne efectiva a corresponde acção das entidades competentes. As denúncias devem ser devidamente formalizadas, a partir da Junta de Freguesia, o que nem sempre acontece porque a denúncia fica-se pela publicação de fotografias nas redes sociais, quais jornais ou boletins oficiais das coisas más da sociedade que o cidadão regista.

Apesar de ser um dos objectivos das “Brigadas Verdes” não se conhecem, dum ponto de vista informal sequer, auditorias ambientais que diagnostiquem o estado ambiental da freguesia apesar de se perceber que possa existir um plano de acção onde constem medidas correctivas.

Mas só com o andar dos tempos, é que as “Brigadas Verdes” podem ganhar mais autonomia e funcionalidade operativa, se a sua dinâmica se tornar mais efectiva, como parece existir em algumas freguesias, que assumem mais realisticamente o seu papel de participação de cidadania efectiva na defesa do ambiente.

As “Brigadas Verdes” actuam de forma livre e espontânea mas dependem dos meios do Município ou das Juntas de Freguesia, para realizarem a sua acção, com um calendário efectivo de actividades e objectivos bem definidos. Contarão sempre com o apoio técnico da Divisão de Serviços Urbanos da Câmara Municipal, mas a criatividade posta em cada iniciativa ou acção pode ditar surpresas sempre agradáveis, em movimentos verdadeiramente impulsionados pelos cidadãos.

A envolvência de vários estratos da população – das crianças aos idosos – pode acrescentar mais valia à interacção transversal à sociedade em coisas mais simples ou didácticas, nos alertas que podem dar para os autarcas, sobretudo em pedidos de colocação de ecopontos ou contentores, nos arranjos dos espaços verdes.

Uma coisa é certa, para os serviços da Câmara ligados ao ambiente, a “valorização do papel das Brigadas Verdes é efetivo” porque os seus técnicos admitem que “elas possam ser o nosso braço de alerta para intervenções mais complexas, mesmo para a criação de novos hábitos e para a envolvência de segmentos da sociedade – as crianças que deixam o confronto dos infantários e participam em algumas actividades reais”.

As Brigadas Verdes ainda não foram estendidas a todas as freguesias do concelho.

A informação que não há – No portal do associativismo

Até mesmo a informação que o Município produz – a quando da constituição de novas brigadas – não passa para lá, o que torna o sítio um lugar vazio e sem utilidade.

Porém, a informação sobre estes movimentos de cidadãos é escassa ou mesmo inexistente, uma vez que só os contactos é que lá constam. Nota-se que é uma página sem dinamismo, apesar de o seu menu contemplar espaço para um conjunto variado de informação.

No recente portal do associativismo – integrado na plataforma do Município – há um espaço destinado a identificar as “Brigadas Verdes” já constituídas.

Fica-se com a ideia de que ninguém sabe como dinamizar aquela plataforma de informação, se por iniciativa de cada “Brigada” se por acção dos serviços municipais.

Também no portal do Município sobre as freguesias, nos dados gerais sobre cada uma, há algumas em que a área verde corresponde a zero, uma lacuna no contexto geral do retrato que se faz sobre as freguesias.

Sem Brigadas – Iniciativa não cobre todo o concelho

A implementação de uma “Brigada Verde” segue os princípios da Agenda 21 Local, no programa Eco-Escolas e na Agenda 2030 , onde se descrevem os passos que garantem a participação de todos na tomada de decisões na construção de uma comunidade sustentável.

Normalmente, as freguesias seguem, umas atrás das outras, no que toca a “modas” de boas práticas na gestão autárquica, implementadas no território. No que toca às “Brigadas Verdes” ainda não há vestígios de organização nas freguesias e uniões de freguesias, a saber: Azurém, Candoso S. Martinho, Gondar, Urgezes, Infantas, Lordelo, Mesão Frio, Selho S. Jorge, Pinheiro, Polvoreira, Prazins Santa Eufémia, Ronfe, Selho S. Cristovão, União de Freguesias Abação/Gémeos, Arosa/Castelões, Prazins Santo Tirso/Corvite, S. Paio, S.Sebastião e Oliveira, Sande S. Lourenço/Balazar, Selho S. Lourenço/Gominhães, Tabuadelo/S. Faustino, Souto S. Maria, S.Salvador e Gondomar, Briteiros S. Salvador/S. Leocádia.

Tendo em atenção que o objectivo do Município é ter uma cobertura de 100%, ninguém sabe ainda quando tal meta pode ser concretizada. A dinamização da instalação das “Brigadas Verdes” tem pertencido quase sempre às Juntas de Freguesia, com a Câmara a incentivar apenas a criação daquela estrutura informal de associação amiga do ambiente, a quem oferece apoio técnico e ajuda em materiais.

O universo de freguesias onde ainda não surgiram sinais do movimento verde da cidadania é de cerca de 47%, o que significa que há 111,435 km2 onde as “Brigadas Verdes” não chegam.

Toda a comunidade ajuda a salvar o ambiente – Fermentões teve a primeira Brigada Verde do concelho

A água do Rio Selho, que passa no Parque de Roldes, em Fermentões, já teve tantas cores “quanto o arco-íris”. Ao contrário do que a comparação possa indicar, um rio colorido não augura boas notícias para a natureza. É que a alteração da cor da água advinha “das descargas das fábricas”. De quais? Não se sabe, ainda que Manuel Lopes, o presidente da Junta de Freguesia (JF), diga que a poluição das águas acontece “nas freguesias vizinhas” e, ainda que “sem provas”, em Fermentões. Hoje, o rio que corre naquele parque é transparente; cresce a flora e ouve-se o que parece ser um coro de batráquios. “Isto não seria possível se o rio e o parque estivessem poluídos como dantes”, atesta o autarca.

E não seria possível sem a Brigada Verde, um conjunto de voluntários pelo ambiente, que junta pessoas de todas as idades. Em 2018, na atribuição dos prémios “Eco-Freguesias XXI 2017-2018”, Fermentões conquistou o 6º lugar a nível nacional; dentro do concelho, é a freguesia mais verde. “Toda a comunidade pode participar”, explica. São “perto de 100” os soldados verdes de Fermentões: entra a JF, “órgãos formais e informais”. Os alunos das escolas da freguesia também fazem a sua parte, assim como os escuteiros e outros cidadãos que, individualmente, se juntam à casa. Juntam-se à causa “a Casa do Povo [de Fermentões] e a Cooperativa Farramundanes”, por exemplo.

A Brigada Verde de Fermentões está a caminho dos quatro anos de existência. Pode não parecer muito, mas, a nível concelhio, é a organização voluntária ambiental deste tipo com mais tempo. E o nome surgiu após “uma limpeza ao rio”, o local “mais vulnerável” dentro da freguesia. Seguiram-se “arruadas com todos os elementos”, de forma a criar “impacto” e “passar informação às pessoas que ainda não sabiam da Brigada”. De 2015 para os dias de hoje, o presidente Manuel Lopes nota que a “população está cada vez mais preparada para o assunto das alterações climáticas”, observando igual crescimento “na sensibilização” para a causa ambiental.

“A porta está sempre aberta” para quem quiser participar nas actividades da Brigada Verde de Fermentões. Pode-se ajudar na limpeza do rio e dos muros do Parque de Roldes, mas o propósito da organização não se encerra nesse ponto: plantam-se árvores de fruto ou ornamentais e flores, recolhe-se lixo e até já se construiu um abrigo para insectos na EB1 de Motelo. “As actividades não são calendarizadas”, avisa o presidente da junta, porque a “maior parte dos voluntários são estudantes universitários“. Aliás, “90% dos integrantes têm à volta de 20 anos”.

À vontade do povo de Fermentões junta-se “o serviço de excelência” que o presidente da JF de Fermentões diz ter sido feito pela câmara. O município preparou-se, ao longo dos últimos anos, para ser Capital Verde Europeia em 2020; contudo, o “título” acabou por ser atribuído a Lisboa. Ainda assim, o executivo quer apresentar outra candidatura em 2021, de forma a que Guimarães possa ser Capital Verde em 2024. O relatório que dita essa atribuição avalia 12 tópicos: “natureza e biodiversidade”, “desempenho energético”, “governação” e “áreas urbanas verdes incorporando uso sustentável do solo” são alguns.

O Jornal de Notícias avançava, em 2018, com um número redondo: “Guimarães tem 2000 soldados ambientais”, lia-se no título. Têm surgido, um pouco por todo o concelho, algumas Brigadas Verdes. Já as há também em Aldão, Moreira de Cónegos, Silvares, Ponte, Brito, Nespereira, Gonça, Longos, Caldelas, Pencelo, São Torcato, Guardizela e na União de Freguesias de Briteiros e Donim. Além disso, existe uma organizada pela Escola Profissional CISAVE (Azurém). Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, esteve presente em algumas apresentações públicas das Brigadas, incentivando a criação de organismos de voluntariado ambiental, inseridos no programa “Guimarães Mais Verde”. O município foi o primeiro em Portugal a disponibilizar uma “calculadora da pegada ecológica”.

Todos estes esforços teriam sido levados a cabo caso não estivesse em cima da mesa a candidatura ao título de Capital Verde Europeia em 2024? O presidente da JF de Fermentões responde: “É bastante subjectivo… O que é certo é que foi preciso um ‘sinal’ para despertar. A temática ‘ambiente’ preocupa o mundo inteiro e isso reflecte-se a nível local. Mais uma vez, não tenho queixa da câmara. Nunca disseram ‘não’ às nossas actividades.”

© 2019 Guimarães, agora!

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