Assembleia Municipal reclama investigação exaustiva

Um deputado quebrou unanimidade de uma moção.

Os orgãos autárquicos utilizaram o “politicamente correcto”, acordando tarde para a propaganda negativa feita contra Guimarães e o Vitória, a propósito do caso Marega.
As reacções foram feitas em reuniões ordinárias, já em tempo de bonança e depois de o vendaval televisivo ter linchado a imagem do clube e de Guimarães, com generalidades discursivas, afirmações de princípio, condenando os incidentes sem lhes referir as causas, acompanhando o coro de críticas, das televisões e seus comentadores, pedindo, também, “uma investigação que se quer séria, célere e exemplar”, num seguidismo com as exigências dos comentadores de serviço, na noite após o jogo.

Só um deputado – o presidente da Junta da União de Freguesias de Selho S. Lourenço/Gominhães, Daniel Oliveira, furou a unanimidade registada na votação, ao votar contra esta moção que não é adequada ao que Guimarães se sujeitou na opinião publica nacional e na imprensa desportiva internacional.
Ao consagrarem aquele texto, os deputados municipais, deixaram perceber que não viram nada do que se passou no estádio D. Afonso Henriques, nem perceberam a reação dos adeptos – e não de um ou meia dúzia – às provocações de Marega que são reprováveis e que suscitaram uma reacção impensável – mas própria do futebol, aqui e em qualquer campo, dos adeptos do Vitória. E muito menos se identificaram com a sua causa.

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Sustentando que “os vimaranenses não podem ser alvo de generalizações abusivas e alvo de qualquer anátema que não condiz com o seu património de território inclusivo”, os deputados consideram que esta generalização “é injusta, intolerável e ela própria imbuída de um preconceito inaceitável”.
Neste contexto, a Assembleia Municipal deliberou “condenar o racismo e discriminação, reclamar que a investigação seja feita de forma exaustiva, apurando-se todas as responsabilidades”, sem nomear os “prevaricadores” – de um lado e do outro. Os deputados “exigem às entidades desportivas e públicas, medidas efectivas de combate a todos os fenómenos que incentivam o racismo, a xenofobia e a violência no desporto”.

É claro que com esta deliberação “soft” a Assembleia Municipal ficou limitada na sua apreciação dos incidentes condenados na noite do dia 16 de Fevereiro, pelas figuras do Estado e pelo líder da oposição (PSD), das quais as estruturas locais não se desligaram, em sinal de uma “solidariedade política” partidária.
O assunto foi ainda mencionado no período de antes da ordem do dia da Câmara Municipal, a 24 de Fevereiro, sem qualquer deliberação. André Coelho Lima, vereador do PSD, falou de “uma coisa que não devia ter acontecido” e da “generalização nacional” que teve, de como o assunto “assumiu tamanha dimensão que não valia a pena rebater, entrou-se na onda do populismo e do politicamente correcto”, na altura, tal como agora. Defendeu que “foi melhor ter esta tranquilidade e esta paz, deixar passar esta semana” sublinhando “o grande exemplo dos três mil adeptos que foram à Vila dos Aves”, numa demonstração de “apoio exemplar ao clube”, no jogo posterior do Vitória para a Liga, e disse que “Guimarães não é mais nem menos do que outras terras, nestas coisas do racismo e da xenofobia” no futebol. E defendeu, sem especificar, que a Câmara e o VSC devia fazer qualquer coisa que “a comunidade se envolva”.

“O fervor clubístico que demonstram, seja canalizado como energia positiva, para a defesa dos valores humanos universais…”

O presidente da Câmara alinhou na mesma diapasão, elogiando os vimaranenses e vitorianos. “Somos bons cidadãos” – disse, desligando-se da polémica nacional sobre o caso vertida em tudo o que era televisão, rádio e jornais, de Lisboa e Porto, salientando que “os valores humanos e universais, são defendidos pela cidade e pelo clube”, dando alguns exemplos, como o acolhimento dos refugiados. Tudo muito “politicamente correcto”, justificando também a ausência de qualquer reacção na hora, perante o inferno onde foram sacrificados, na opinião pública, nacional e na imprensa internacional, o VSC e Guimarães. “Temos consciência do que somos e não precisamos de andar atrás de nada”, atirou Domingos Bragança, que fez alguma pedagogia sobre este assunto, ao propor aos adeptos que “o fervor clubístico que demonstram, seja canalizado como energia positiva, para a defesa dos valores humanos universais”.

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