Imprescindível para a região, pioneiro e inovador

Conhecimento do sistema científico será partilhado pelas empresas

José Oliveira, da Bosch, tem dado um contributo importante na implementação do I9G. Acredita que o projecto traçará os caminhos de inovação do futuro, com impacto forte no universo das PME’s, e poderá servir de exemplo para outras regiões do país.

Guimarães, agora! – Como classifica o projecto de inovação de âmbito regional para o sector industrial do Município de Guimarães?
José Oliveira
– Imprescindível para a região.

GA! – A identidade deste projecto inspira-se em outros ou alguns modelos nacionais ou europeus?
JO
– Inspira-se muito na colaboração da Bosch com a Universidade do Minho e com outros parceiros do nosso sistema científico.

GA! – A sua natureza, em termos de custos, divide-se mais pela área da formação / requalificação de recursos humanos ou pela adopção de processos que proponham caminhos de inovação?
JO
– Muito focado em projetos de inovação com a Universidade do Minho e outros parceiros como: IPCA, CITEVE, CENTI, INL, CCG, PIEP. Também prevê uma requalificação massiva de recursos humanos para novas áreas de conhecimento através da criação de um novo conceito de Academia Industrial.

GA! – O que de inovador tem, afinal, este projecto?
JO
– É inovador por ser pioneiro em Portugal, é inovador porque é o Município de Guimarães que não quer que os seus cidadãos voltem a viver uma crise com alto impacto no volume de emprego disponível, é inovador porque permite a muitas pequenas empresas terem acesso a financiamento para projetos de I&D em co-promoção com entidades do sistema científico, é inovador porque as empresas terão acesso ao conhecimento crítico produzido nas entidades do sistema científico, conhecimento a ser incluído nos seus produtos e serviços com mais valor. Mais valor, mais disponibilidade financeira, mais sustentabilidade, melhores salários. Toda a cadeia de valor será reforçada com base no pilar mais relevante para as empresas: o pilar do conhecimento.

GA! – Acredita na sua viabilidade e na possibilidade de eventual financiamento através dos fundos europeus?
JO
– A atribuição de fundos europeus é viável. Hoje temos projetos, que ontem não existiam como os Clubes de Fornecedores. Isto é a prova que o governo tem demonstrado abertura para novos conceitos de projetos estruturantes de elevada complexidade.

GA! – A sua estratégia pode também enquadrar-se numa estratégia nacional de modo a ter apoios do Governo?
JO
– O mundo está a viver uma profunda transformação no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Portugal vai ter de definir uma estratégia nacional para enfrentar esta revolução digital. São precisos projetos complexos que sejam capazes de transformar o país e o I9G foi pioneiro em entender que é preciso fazer mais. Infelizmente, Guimarães desde de 2017 está a tentar passar a mensagem, mas está a ser complicado, porque o país está formatado para reagir e não para moldar ou transformar.

GA! – O valor estimado para a sua concretização está definido no seu montante global e detalhado nas suas acções?
JO
– O investimento associado a esta iniciativa para os próximos três anos para poder desenvolver na região novos produtos e serviços de elevado valor acrescentado, poderá aproximar-se dos 200 milhões de euros a repartir pelas empresas e pelos parceiros científicos.

GA! – E no tempo, como será a sua implementação? Pode durar quantos anos a ser implementada?
JO
– A fase crucial para a sua implementação é de imediato, devendo estar concluída esta fase em 2023.

GA! – Em que áreas lhe parece que este projecto possa colidir com outros a nível nacional?
JO
– Não há colisão com nenhum projeto. Ele é inovador no seu conceito e pode ajudar outras regiões a desenvolver outros grandes projetos.

GA! – Em que medida ajudará ao aumento das exportações da região?
JO
– Ao permitir que as empresas tenham acesso ao que de melhor se faz na Academia, ao permitir requalificar muitos colaboradores para novas áreas de conhecimento, vai permitir o desenvolvimento e produção de novos produtos e serviços o que colocará a região em outro patamar para poder competir nos mercados internacionais o que irá permitir consolidar e reforçar as exportações.

GA! – Finalmente, acredita que na área do produto, possam surgir coisas novas, na sua implementação?
JO
– O projeto assenta num ecossistema complexo: Município, Empresas, Universidades, Academia Industrial e a criação de Startups. O I9G tem grandes objetivos como sejam o desenvolvimento de novos produtos e novos serviços, diversificando o portfólio de soluções para o tecido empresarial da região.

GA! – O que pode resultar de mais interessante, para os trabalhadores, na concretização deste projecto?
JO
– É preciso proteger os mais frágeis, os trabalhadores que dependem do seu salário. É preciso dar-lhes o poder do conhecimento, dar-lhes o poder de aprender coisas novas. Para os proteger é necessário termos um tecido empresarial inovador e competitivo. Precisamos de projetos disruptivos para ajudar o ecossistema de Guimarães a moldar o seu futuro. Com este projeto, o Município de Guimarães, pretende aumentar a capacidade organizacional e de conhecimento das suas empresas, contribuindo para a concretização de um dos objetivos estratégicos do Município de Guimarães, a criação de emprego altamente qualificado, que permita a atração e fixação de novos talentos na região.

© 2019 Guimarães, agora!

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