A superavó que fintou a covid

Ana de Sousa, a dois meses de completar 90 anos, passou pela covid-19 com a robustez de um adolescente.


Terá sido um abraço saudoso do neto recém regressado do Algarve no final do mês de Agosto que infectou a idosa.

Ricardo Freitas, de 40 anos, dividiu as férias de Verão entre Ibiza e o Algarve e apesar de seguir criteriosamente os conselhos da DGS, algures, provavelmente em Vilamoura, foi apanhado pelo corona vírus. A covid apanhou boleia até Guimarães. Dos contactos de Ricardo Freitas, inclusive a filha e os pais de alta proximidade, só a avó Ana foi apanhada.

O transmissor – o neto – relata sintomas leves que até confundiu com uma manhã de ressaca após uma noite de alguns excessos. Dores de cabeça, cansaço, alguma tosse. Só pela insistência de um amigo decidiu despistar a presença da covid-19 e realizou um teste. Quando sai o resultado positivo, os sintomas já tinham desaparecido tornando ainda mais difícil aceitar a infecção.

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Dois terços dos óbitos acontecem nos idosos com mais de 80 anos

De todos os contactos de risco, só a avó contraiu a doença e segundo a ciência era também a avó que inspirava mais preocupação. Os números são conhecidos. Dois terços dos óbitos acontecem nos idosos com mais de 80 anos representando já este grupo etário 1800 novos casos por 100 mil habitantes. Os surtos em lares duplicaram no último mês de Janeiro e há mais 11 mil casos activos nestas instituições.

Ana de Sousa, quase 90, faz parte do grupo mais susceptível à doença e com maior letalidade registada, ainda assim, o seu contacto com a covid-19 valeu-lhe apenas uns dias sem paladar.

Segundo a OMS, Ana de Sousa não é um caso inédito. Apesar de não haver um indicador confiável do número de superidosos que têm sobrevivido à covid-19, observamos relatos de casos um pouco por todo o mundo. A incidência de sucesso poderá estar relacionada com a idade biológica dos doentes, que nem sempre confere com a idade cronológica, e com a presença de comorbilidades.

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Ana de Sousa não tem patologias. Conta o neto que sofre de “bichos carpinteiros”. Doméstica toda a vida, viúva de um motorista da Câmara Municipal, Ana, mãe de dois filhos, avó de três netos e bisavó de uma, aprendeu desde cedo que o proveito vem do trabalho e as bençãos da fé de Deus, por isso, enquanto as pernas lhe permitiram e a covid não a confinou às quatro paredes da casa da filha, assistia a cinco missas diárias.

Actualmente, acompanhada pelo Holly, o buldogue francês e o Yogui, o gato da família é espectadora atenta de telenovelas e quando a deixam continua a bulir na lide da casa.

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