É preciso devolver a festa aos Vimaranenses!!!

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As Festas Gualterianas são uma das maiores tradições de Guimarães. Durante muitos anos, eram sinónimo de ruas cheias, luzes, música, diversões, vendedores, restaurantes ambulantes e famílias inteiras a viver a cidade.

Hoje, infelizmente, essa realidade está a desaparecer.

A cada ano que passa, as festas estão mais dispersas. As diversões ficam num local, os vendedores noutro, os restaurantes ambulantes espalhados por diferentes zonas e as restantes atividades distribuídas pela cidade. O resultado é evidente: deixou de existir um verdadeiro centro da festa.

Quem percorre Guimarães já não sente aquele ambiente que antigamente anunciava imediatamente a chegada das Gualterianas. Já não se ouve o som das diversões por toda a zona da festa, já não existe a mesma concentração de pessoas, de comércio e de animação.

Espalhar atividades por vários locais pode criar a aparência de um programa extenso, mas não cria necessariamente uma grande festa. Uma festa popular precisa de ter um centro, uma identidade e um espaço onde as pessoas saibam que vão encontrar animação, gastronomia, comércio e convívio.

Hoje, muitos vimaranenses já nem saem de casa durante as Gualterianas, porque sentem que pouco existe para ver além de algumas atividades isoladas. A grande exceção continua a ser a Marcha Gualteriana.

Ano após ano, a Marcha consegue atrair milhares de vimaranenses e muitos visitantes. As ruas enchem-se e a cidade recupera, durante algumas horas, o ambiente que deveria existir ao longo de todas as festas.

Isto demonstra que as pessoas não perderam o interesse pelas Gualterianas. Perderam, sim, o entusiasmo por umas festas sem centro, sem concentração e sem o ambiente popular que as tornou especiais.

Existe ainda uma decisão que merece ser questionada: a deslocação das diversões do Parque das Hortas para a Alameda Dr. Alfredo Pimenta.

Durante muitos anos, as diversões estiveram concentradas no Parque das Hortas, fazendo parte da memória e da própria identidade das festas. No entanto, porque incomodavam alguns moradores daquela zona, decidiu-se transferi-las para uma das principais vias da cidade.

A solução encontrada foi retirar as diversões do local tradicional e colocá-las na Alameda Dr. Alfredo Pimenta, provocando o corte da circulação automóvel e condicionando também os transportes públicos.

Ou seja, para evitar o incómodo numa zona específica, optou-se por criar dificuldades a milhares de pessoas que precisam de se deslocar pela cidade.

É legítimo que os moradores do Parque das Hortas queiram ver respeitado o seu descanso. Mas também é legítimo perguntar se faz sentido condicionar uma das principais vias de Guimarães, criar desvios, aumentar o trânsito e dificultar os transportes públicos para resolver um problema localizado.

“Quem escolhe viver junto de um espaço historicamente associado às festas sabe que, durante esse período, existirá naturalmente mais movimento, música e animação.”

As Festas Gualterianas realizam-se apenas durante alguns dias por ano. Quem escolhe viver junto de um espaço historicamente associado às festas sabe que, durante esse período, existirá naturalmente mais movimento, música e animação.

Não podemos descaracterizar uma tradição com décadas de história apenas porque, durante alguns dias, existe mais ruído numa zona que sempre esteve ligada às festividades.

As diversões deveriam regressar ao Parque das Hortas, onde sempre estiveram e onde faziam verdadeiramente parte das Gualterianas. Nesse espaço, juntamente com os vendedores, os restaurantes ambulantes e outras atrações, seria possível recuperar um recinto concentrado, vivo e reconhecido por todos.

É possível reforçar a segurança, estabelecer horários, controlar o ruído e garantir a limpeza. Aquilo que não faz sentido é afastar as diversões do seu local tradicional e, ao mesmo tempo, causar transtornos muito maiores à mobilidade da cidade.

Guimarães não precisa de umas festas espalhadas, silenciosas e sem identidade. Precisa de umas Gualterianas com vida, com pessoas, com comércio, com animação e com um verdadeiro coração.

A Marcha Gualteriana não pode continuar a ser o único momento capaz de mobilizar a cidade. Deve ser o ponto alto de umas festas verdadeiramente populares, e não a única noite em que Guimarães recorda a grandeza desta tradição.

É tempo de reconhecer que o atual modelo não funciona.

As Festas Gualterianas devem regressar às suas origens, recuperar o Parque das Hortas como espaço central e voltar a ser um acontecimento aguardado por todos.

Porque uma tradição não se preserva apenas mantendo o seu nome num cartaz. Preserva-se mantendo viva a sua identidade.

Está na hora de devolver as Festas Gualterianas aos vimaranenses.

© 2026 Guimarães, agora!


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