Miguel Leite
Natural de Guimarães, Fisioterapeuta Licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também Pós Graduado em Fisiologia do Exercício e Fisioterapia Cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

Uma mão cheia de nada

O mês de Setembro é uma altura do ano que marca o início da vida para milhares de jovens, que nas suas diferentes idades iniciam uma nova fase no seu percurso como alunos.

É certo que as perspetivas são diferentes para todos, se uns iniciam aquilo que é o primeiro dia de escola, outros iniciam o que será o futuro do seu percurso profissional a curto prazo, com a experiência universitária ou através de um curso técnico especializado.

Todas as etapas são marcas únicas na vida de qualquer aluno e consequentemente das suas famílias, que o que mais desejam é o bem dos mesmos.

Se por um lado as ansiedades e receios estão presentes em qualquer que seja a escolha, do lado oposto temos os medos dos pais pelo que será o futuro dos seus filhos numa realidade mundial cada vez mais incerta.

Mas será que todo o sacrifício económico dos pais valerá a pena, durante um percurso de mais de 15 anos de dedicação à formação dos filhos num país em que a contratação precária e com ênfase à prática dos recibos verdes é uma realidade de espelho?

Se até à bem pouco tempo um curso designado de superior era reflexo de uma mais valia na busca do 1º emprego e significava estabilidade a curto, médio e longo prazo, agora é sinal de trabalho noutras áreas que não a de formação base e emigração para evitar o desemprego.

O ensino técnico/profissional irá superar a via universitária para dar resposta às profissões que se evaporam no tempo?

Tanto investimento e sacrifícios diário das famílias para realizar os sonhos dos seus queridos filhos para acabarem de malas feitas e passaporte na mão.

Essa má gestão dos recursos humanos representa-se numa população cada vez mais envelhecida.

Ao contrário de outros países europeus, Portugal carece de uma boa instrumentalização dos seus ativos e essa má gestão dos recursos humanos representa-se numa população cada vez mais envelhecida que assiste a uma debandada dos seus jovens perante a sua pátria que nada faz para os manter em solo nacional.

A formação superior é fundamental, mas não garante vínculo laboral a ninguém, porém as instituições formadoras vendem tal facto como garantido, um erro que alicia os sonhos de muitos no presente e camufla a realidade atual.

É fundamental seguirmos algo que se identifica com cada um de nós, no entanto, é preciso procurar a informação fidedigna relativa à realidade nacional, isto se pretendemos ficar por cá.

Atualmente, a maioria do mercado de trabalho visa o aproveitamento sobre aquele que o que quer é exercer segunda as suas qualificações, e em que muitas vezes o administrador apenas alimenta a sua veia de puro gestor, colocando em segundo ou terceiro plano as qualidades humanas dos seus súbditos.

Obviamente que as exceções existem, mas até essas parecem levar o rumo da extinção.

Um qualquer trabalhador com condições laborais adequadas auto motiva-se muito mais para o desempenho das suas funções, facto mais do que comprovado e escrutinado.

Num futuro próximo o sistema de ensino terá que mudar para potenciar o rumo laboral do nosso país e para que seja possível manter os nossos jovens felizes e realizados cá. As entidades empregadoras terão de ser estruturadas e consequentemente apoiadas para estimular as qualificações e as folhas salariais dos seus funcionários.

A árvore da aprendizagem continua a ser dos valores mais nobres que todos deviam ter a oportunidade de usufruir, pois a busca pelo conhecimento alimenta a nossa estadia em vida, no entanto, a dedicação de anos aos livros e toda a envolvência familiar e suporte financeiro que só alguns acabam por ter direito, muitas vezes acaba numa mão cheia de nada, quando a realidade é voar para o incerto na esperança de um dia voltar para as raízes.

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