Mariana Silva
40 anos, reside em Guimarães, licenciou-se em Ensino de Português na Universidade do Minho e é responsável, no Conselho Nacional e na Comissão Executiva do Partido Ecologista Os Verdes, pela região Norte.

Amanhã falamos!

O Serviço Nacional de Saúde volta a ser notícia pelas dificuldades que foram alvo de inúmeras denúncias, que foram acompanhadas por imensas propostas para o melhorar, que foram insistentemente ignoradas, ou, quando aprovadas, não foram cumpridas.

O SNS é, reconhecidamente, um serviço público de grande qualidade com prestação de cuidados a todos os que dele necessitam, independentemente da sua condição social ou económica.

O seu sucesso deve-se, sobretudo, ao esforço dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e outros profissionais) na resposta aos utentes, tão evidente durante a pandemia.

Muitos ficaram para trás, é verdade. Os que não foram diagnosticados a tempo, os que não conseguiram ser assistidos devido à rutura nos serviços, e os muitos que o medo paralisou e que os impediu de procurar ajuda.

E também aqui alertámos. Os Verdes alertaram para a opção errada de se encerrarem Centros de Saúde muito antes da pandemia, e para a opção ainda mais errada de se encerrarem estes cuidados no início da pandemia.

Várias vezes fomos a voz de todos os que ficaram impedidos de serem seguidos nas suas doenças crónicas, dos idosos que ficaram abandonados nas suas casas sem terem acesso à medicação, dos utentes privados de fazerem os exames regulares, das grávidas impedidas de fazerem as suas preparações para o parto.

É urgente a reabertura dos Centros de Saúde, com horários alargados, com mais recursos humanos.

Era e é urgente a reabertura dos Centros de Saúde, com horários alargados, com mais recursos humanos, com mais meios tecnológicos, para que se previnam doenças, se promovam práticas de uma vida saudável, evitando ruturas nas Urgências dos hospitais.

Perguntámos qual era a estratégia do Governo para responder à crónica falta de médicos de família, que se iria agravar pelo elevado número à beira da idade da reforma. Lembramos que na posição conjunta dos Verdes com o PS, em 2015, ficou inscrito o compromisso de se contratarem médicos e enfermeiros de família para todos os portugueses.

O subfinanciamento crónico durante décadas no Serviço Nacional de Saúde foi tão grande que ainda hoje se sentem as suas repercussões. É urgente investir na robustez do SNS respeitando os seus profissionais, permitindo a progressão na carreira, criando vínculos efetivos e acabar de uma vez por todas com a precariedade, respeitando horários de trabalho e dando condições de trabalho.

E foi porque todas estas dificuldades estavam bem identificadas e a opção continuou a ser a de não reforçar as verbas da saúde, que dissemos que o OE22 não correspondia às necessidades do país.

Muitos não compreenderam, ou não quiseram compreender, e, infelizmente, parece ser necessário morrer uma criança por falta de assistência médica para que a discussão volte a ganhar fôlego e se fale dos problemas como se fosse a primeira vez.

Cá estaremos para falar hoje ou amanhã, conscientes de que as nossas posições se mantêm firmes. O SNS foi uma grande conquista de Abril que é preciso preservar, tornando mais robusto, mais capaz, mais próximo das pessoas.

© 2022 Guimarães, agora!


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