Escola-hotel: Município investe no IPCA e o que investe o IPCA, em Guimarães?

O projecto arquitectónico da Escola-hotel suscitou reacções diferentes de André Coelho Lima, vereador do PSD e de Maria José Fernandes, presidente do IPCA.


O vereador do PSD, André Coelho Lima, apreciou o projecto elaborado pelos arquitectos Filipe Vilas Boas e Pedro Vinagreiro. “É uma proposta visualmente atractiva, bonita, que contempla o objectivo de recuperar o bairro da Cruz de Pedra para a cidade”. Acrescentou outra virtualidade àquela operação de transformação do território, por dar “utilidade urbanística” a uma área entre a fábrica do Castanheiro e o GuimarãeShopping, com a circular urbana como remate. Defendeu que a casa do “Barão do Costeado” era um edifício “escondido”, fora de uma rota de circulação normal, quer pedonal, quer automóvel, que recupera o bairro da Cruz de Pedra para a cidade, “como sempre defendemos” – disse.

Noutra perspectiva, André Coelho Lima crê que a aproximação do IPCA a Guimarães e de Guimarães ao IPCA tem a forma de “um investimento estratégico” ao permitir que o Município recupere uma quinta para ali instalar uma escola-hotel onde o Instituto Politécnico do Cávado e Ave vai leccionar cursos de hotelaria e turismo, de nível superior.

“Saudamos a vinda do IPCA para o Avepark e saudamos agora a sua permanência na quinta do Costeado” – salientou – para deixar perceber que sendo o Instituto Politécnico “do Cávado e do Ave” só recentemente tenha alimentado a cooperação com Guimarães.

Contudo, o vereador do PSD sublinhou que “o Município de Guimarães está a dar um grande impulso e a fazer um grande investimento no IPCA”, desejando perceber “qual é a contra-prestação” que o Instituto Politécnico “se prepara para dar a Guimarães”. Quis saber qual o número de alunos que a escola do IPCA pode trazer para Guimarães, de modo a justificar-se o investimento neste projecto, nomeadamente os que podem passar a residir cá ou a fruir da cidade enquanto frequentarem os cursos.

© GA!

Admitiu que com esta Escola-hotel, de ensino superior, e com o facto de Guimarães ter “A Cozinha” como representante no quadro de honra das estrelas Michelin, se não colocará “um desafio adicional”, pois, no norte de Portugal só Porto, Bragança e Amarante têm restaurantes com aquele estatuto. Mesmo sabendo que Guimarães não tem um passado de grandes tradições gastronómicas, pois, só “no passado bem recente, a par com “A Cozinha” se desenvolveram outras experiências empresariais que fortaleceram o sector da restauração e da gastronomia”.

É nessa perspectiva que lhe parece poder ter a Escola-hotel “um aproveitamento particular” destes factos novos. Quis saber qual é a estimativa orçamental traçada para a construção deste equipamento “até para se perceber qual é a retribuição do investimento que vamos fazer com esta aposta estratégica”.

Maria José Fernandes, presidente do IPCA, reforçou “o compromisso” de pôr a escola a funcionar dentro de dois anos, enquanto “escola de referência na região, no país e no estrangeiro”. “Os modelos que visitamos e que queremos trazer para Portugal, garantem que a escola tenha alunos de licenciatura, alguns de mestrado e cursos técnico profissionais”, deixando antever que “a escola esteja aberta ao exterior com um restaurante e onde se promoverá a formação ao longo da vida”.

“Queremos nascer em Guimarães para esta área da hotelaria, pois estamos a fazer todo este trabalho de preparação para quando tivermos as condições, daqui a dois anos, poder ter esses cursos…”

Adiantou que a escola pode oferecer licenciaturas nos cursos de hotelaria e turismo, num universo de 800 a 1000 alunos e mestrados nas mesmas áreas, apesar de actualmente só ter três em turismo. Esclareceu que “queremos nascer em Guimarães para esta área da hotelaria, pois estamos a fazer todo este trabalho de preparação para quando tivermos as condições, daqui a dois anos, poder ter esses cursos. Nos mestrados, a perspectiva de alunos a inscrever é de cerca de 400, juntando-se ainda um leque de formações em cursos de curta duração, para ter, no futuro, doutoramentos nesta área, conforme definimos no nosso plano estratégico”. No total, a população escolar, pode chegar aos 1500 alunos.

Sobre o projecto da Escola, a presidente do IPCA declarou que “depois do que vimos, ficamos todos confortáveis e conscientes de que será uma obra digna de ser vista, respeitando o que é a imagem de Guimarães e os principais eixos estratégicos, em termos de construção e envolvência”. Acredita, também, que será “um espaço disponível para a cidade e para as empresas que aqui trabalham e precisam de formação para actualizar os seus trabalhadores”.

Reconheceu que sendo “um grande investimento estratégico por parte do Município”, a Escola-hotel não deixará de “dar corpo ainda mais ao que Guimarães faz na hotelaria e turismo”. E com fé, declarou que “estaremos cá para deixar uma obra estruturante em Guimarães”.

Domingos Bragança, presidente da Câmara admitiu que o custo da obra ultrapasse os 5 milhões de euros, valor que só será apurado quando se completarem os projectos de especialidades ainda em curso. Realçou que a Escola-hotel, de nível superior, terá impactos na economia regional e nacional, podendo prestar serviços a imensos estabelecimentos de hotelaria e turismo, implantados na região, desde casas senhoriais a alojamentos locais e espaços de restauração.

“A Escola-hotel tem um valor estratégico ligado ao ensino superior, à formação técnica e à estratégia de turismo e restauração, com uma componente de reabilitação urbana, pois transformará a Cruz de Pedra pela sua dinâmica” – conclui.

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