ADBSG é a segunda maior do país em colheitas de sangue

O número de dádivas de sangue recolhidas pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue, de Guimarães (ADBSG), continua a subir. Por isso, está no 2º lugar do ranking das associações com mais unidades de sangue entregues no IPS.

O papel da ADBSG na recolha de sangue, continua a ser primordial, para que aos hospitais cheguem as dádivas necessárias para salvar vidas.
Se uma dádiva de sangue pode salvar três vidas, o que é certo é que o contributo dos dadores benévolos em Guimarães permitiu que 31 mil pessoas pudessem ter o sangue precisam para as intervenções que visam manter o seu estado de saúde e bem-estar. A ADBSG registou 10 447 dádivas, em 2019, um número crescente em termos de dádivas. O seu contributo para o banco nacional de sangue foi cerca de 5 200 litros, tendo em conta que uma dádiva representa meio litro.

Alberto Mota, presidente da ADBSG, confirma a existência de um número de dadores considerável que se tornaram sócios, todos pertencentes aos concelhos de Guimarães e Felgueiras. São cerca de 3500 os dadores registados como sócios e que regularmente vão à sede da associação, em Azurém, doar sangue, num gesto de solidariedade e humanidade que se regista.
O sangue recolhido em Guimarães destina-se integralmente ao Instituto Português de Sangue, entidade que gere a sua distribuição pelos hospitais do país, em função das necessidades, quer para transfusões, em tratamentos de remoção de toxinas e excesso de água no organismo, através da hemodiálise e nas intervenções cirúrgicas.

As dádivas de sangue em plena crise da Covid-19 diminuíram porque foram feitas menos sessões de recolha do que as habituais, dados os constrangimentos do isolamento social a que foi sujeita a população portuguesa. O sistema de recolha da ADBSG foi afectado quer pelo encerramento de empresas, onde se faziam colheitas, quer pela paralisação das unidades móveis que deixaram de se deslocar aos pontos de recolha nas freguesias.
Apesar de a pandemia ter limitado as deslocações das pessoas, Alberto Mota, afirma que em Guimarães “a recolha de sangue, na sede da associação, manteve-se num nível próximos dos 90%, ou seja de cerca de 70 a 75 unidades de sangue por sessão”. E sustenta “não cancelamos nenhuma recolha, para além das que eram feitas nas freguesias e nas escolas de Lordelo e Ronfe”.

“Precisamos de um espaço mais amplo não apenas para receber os dadores neste período e também para não ter cerca de 30 pessoas na rua, durante as sessões de recolha…”

Guimarães, continua a ser, o concelho que mais contribui com dádivas de sangue, mantendo-se no 2º lugar, logo após a Vila da Feira que vai na frente das doações. São números fornecidos pela FEPODABES – a federação que agrupa as associações cuja actividade principal é a recolha de dádivas de sangue. Sublinhe-se que a ADBSG tem três mil sócios em Guimarães e 500 em Felgueiras.
Com as novas regras que a Direcção Geral de Saúde – DGS – define para a aglomeração de pessoas, em espaços fechados, Alberto Mota revela alguma preocupação sobretudo no que diz respeito ao posto de recolha na sede da associação. “Precisamos de um espaço mais amplo – afirma – não apenas para receber os dadores neste período e também para não ter cerca de 30 pessoas na rua, durante as sessões de recolha”.

A afluência de dadores, em dias de recolha, regista um aumento, facto que vai obrigar à adaptação das instalações da sede, criando mais gabinetes e ampliando os existentes. Também será necessário alargar o calendário de recolha em mais um dia, uma vez que em Azurém as condições da sede permitem fazer recolhas todos os dias.
A recolha de sangue em Felgueiras e nas freguesias do concelho segue o seu curso normal, dado que são feitas por unidades móveis que se adaptam ao número de dadores que habitualmente frequenta as sessões de recolha.
Com a ajuda e colaboração de voluntários, Alberto Mota acredita que já seja possível ter mais um dia para recolha, garantindo o Instituto Português de Sangue o pessoal técnico necessário.

“Desde 2006, as dádivas de sangue em Guimarães nunca deixaram de crescer, incluindo o número de dadores…”

O posto fixo de recolha de sangue da sede, está hoje bem apetrechado em termos de equipamentos e de espaço físico, depois das obras realizadas com a ajuda da Câmara Municipal. Alberto Mota espera agora novos apoios para substituir as cadeiras onde se sentam os dadores, cujo modelo deve garantir mais conforto aos dadores. É um processo ainda em fase de estudo mas que vai justificar uma intervenção, uma vez que “desde 2006, as dádivas de sangue em Guimarães nunca deixaram de crescer, incluindo o número de dadores”.
A ADBSG funciona em Guimarães sem problemas financeiros, uma vez que as contrapartidas dadas pelo Instituto Português de Sangue e as quotas dos associados garantem o funcionamento regular da associação.
Também, as campanhas de sensibilização prosseguem, apesar do conhecimento real pela população dos serviços que são prestados em termos de recolha de sangue. Mas a ADBSG cuida da sua imagem utilizando as redes sociais, o portal do associativismo, organizando palestras nas freguesias e nas escolas.

ADBSG podia colaborar com o Hospital

O Hospital Senhora da Oliveira (HSO) fechou o serviço de recolha de sangue em 1998. A partir daí o Instituto Português de Sangue (IPS) é quem fornece o sangue, das cerca de 1100 unidades de sangue que são precisas por dia, em Portugal.
A colaboração do HSO e a ADBSG é assim nula. Alberto Mota admite que “podíamos fazer sessões de recolha de sangue com o hospital porque temos o equipamento necessário”. Crê que fosse mais rentável pagar à sua associação as dádivas necessárias do que pagar ao IPS.
O presidente da ADBSG recorda que ao fechar a unidade de sangue o HSO também “despachou” o material que era necessário para a recolha e tratamento. Há, entretanto, hospitais que continuam a ter recolhas de dádivas de sangue próprias. É o caso de Famalicão, Gaia, Espinho e mesmo Braga (novo hospital).

E no caso da colaboração entre o HSO e ADBSG, Alberto Mota, admite não ser difícil prestar esse serviço porque “para colher temos tudo o que é necessário”. E deixa aberta a porta de uma colaboração mais estreita, até porque as dádivas recolhidas junto dos dadores de Guimarães e Felgueiras poderiam ser suficientes para as necessidades do hospital de Guimarães, estimadas em cerca de 5100 dádivas por ano.

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