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Sexta-feira, Fevereiro 3, 2023

Ricardo Costa terá os votos dos militantes vimaranenses?

Economia

Eleição não será marcada por projectos políticos

A disputa da Federação Distrital do PS, por Ricardo Costa – e Joaquim Barreto, é igual a tantas outras, entre dois adversários do mesmo partido, que se sujeitam ao veredicto dos militantes. Mas só o vai ser em 13 concelhos.
Em Guimarães, não será a mesma coisa, uma vez que Ricardo Costa vai contar com a oposição de parte do “aparelho” local socialista, uma parte da comissão política a que pertence e, ainda, o presidente e alguns colegas vereadores na Câmara Municipal que se colocaram do lado de Joaquim Barreto. O que vai restar do PS de Guimarães, após 14 de Março, dia da eleição da Federação distrital?

A “seu tempo” se verá, se as mazelas provocadas por esta disputa eleitoral – é uma questão de vida ou de morte para alguns – deixarão marcas profundas – de cisão e confronto permanente, ou feridas ligeiras, um sinal de maturidade democrática ou mesmo de respeito dos vencedores pelos vencidos, sempre ultrapassáveis após a escolha e eleição dos militantes e quando o ânimo eleitoral se diluir. Ou se vai haver alguma “purificação” no pessoal político que se divide em apoios pelas duas candidaturas, e que poderá criar turbulência no tempo que falta até ao fim deste mandato de Domingos Bragança. Até porque anda muita gente a olhar para o lado quando vê alguém a apoiar um candidato que não é o seu.
Há já uma certeza: o PS vimaranense vive um sobressalto que não é apenas democrático, do ponto de vista, de se poder escolher, optar e votar por um dos vários candidatos em presença. Em jogo, estão carreiras na vida política, que alguns – ainda jovens – iniciaram e que querem fazer perdurar, enquanto elite do partido, colocando-se sempre na linha da frente e entre o grupo de quadros pretensamente destinados a dirigir a vida partidária e das instituições onde o PS seja maioritário; e também influências que o poder proporciona, e selecção de candidatos a diversos órgãos do sistema eleitoral e democrático, desde as Juntas de Freguesia às Câmaras Municipais e até a deputados.

© Marco Jacobeu

Não podemos esquecer as ambições pessoais, de promoção na carreira, de modo a que alguns possam chegar ao topo da hierarquia política. Por último e não menos importante, também, está em causa o protagonismo que cada actor tem tido na vida política local, nem sempre apreciada por todos, quer seja por mérito ou competência, seja por ciúme, uma vez que a democracia, também, proporciona aos fracos, uma oportunidade para se mostrarem como grandes e verdadeiros servidores do povo. Acresce os que procuram emprego na administração local e empresas municipais como desejo e sonho, e que podem almejar com um bom “padrinho”. Será, pois, interessante perceber porque é que, no PS, um homem de Guimarães (Ricardo Costa) poderá ou não ser vencido por um homem de Cabeceiras de Basto (Joaquim Barreto), numa eleição que os socialistas locais, já há muito, queriam disputar para – tal como Braga, Famalicão e outros concelhos -, terem um dirigente seu, na testa Federação, numa altura em que Joaquim Barreto poderia ceder o seu lugar, sem querer indicar sucessor.

O PS, em Guimarães, evidenciará ou não uma via “bairrista” e renovadora, unindo-se numa votação concelhia, ou continuará sobe o jugo e influência dos seus máximos dirigentes? E dos seus interesses e desejos?
Importa, pois, perceber porque é que tendo essa oportunidade agora, os socialistas a desperdiçariam, com a justificação de que a vontade de dois dos seus líderes é para respeitar porque eles já haviam manifestado apoio a Joaquim Barreto, por vontade própria.
Se assim for, a eleição da Federação – órgão a que alguns socialistas, atribuem pouca relevância por nunca se terem interessado por ela – poderá ter maiores consequências no futuro do PS local do que alguém possa imaginar. São essas contas que já se fazem.
Poderá questionar-se se o consenso e unidade que, entretanto, se gerou em torno da eleição – recente – de Luís Soares para presidente e de Ricardo Costa para presidir à mesa da comissão política será quebrado. E de cujos cargos ambos tomaram posse no final do mês.

© Marco Jacobeu

O PS já não é, hoje, o que foi, nos tempos da Revolução dos Cravos e nos anos seguintes, em que a ideologia predominava, em que era vincada a laicidade…

O PS já não é, hoje, o que foi, nos tempos da Revolução dos Cravos e nos anos seguintes, em que a ideologia predominava, em que era vincada a laicidade – do partido – face às religiões, em que a sociedade se representava transversalmente nos órgãos dirigentes e no quadro de militantes. É comum, todos os fins de semana, ver autarcas incorporarem procissões, de tudo quanto é festa católica, em tudo o que é romagem, num sinal de que o partido se deixou apropriar por “actores” políticos estranhos à sua matriz original e socialista.
É neste contexto que a eleição da Federação Distrital do PS poderá suscitar para além de curiosidades e leituras políticas, que alinhamentos se seguirão depois de 14 de Março, internamente. E quem sairá reforçado desta disputa indirecta do poder do PS em Guimarães.

E como votarão os militantes, na certeza de que há um universo de eleitores novos. Este são 70% do universo de votantes que pode chegar aos 1400 e apenas 30% são socialistas da primeira vaga, velhos militantes que muito prestígio trouxeram ao partido.
Ou seja, o voto em Ricardo Costa ou Joaquim Barreto pode ser decidido por estes “novos” socialistas – alguns desconhecidos no partido, por a sua militância se resumir a votar quando é preciso.
Sendo novos na idade e no partido, a ideia de renovação e de nova dinâmica pode não ser adquirida por estes militantes para quem, naturalmente, Ricardo Costa seria o candidato do futuro e da renovação e Joaquim Barreto, da continuidade e do passado. Mas as contas podem não ser assim, e os jovens podem mesmo votar no mais tradicional, não desejando a mudança.

© 2020 Guimarães, agora!

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