“Grupo das Taipas” divide-se em dois

PS partido de núcleos de influência

A história no PS de Guimarães, repete-se muitas vezes. Talvez pela certeza de que os vimaranenses votam sempre no partido para algumas mas não para todas as eleições, seja qual for o pessoal político que venha a ser proposto no seu seio. O eleitor está a ficar mais exigente e os partidos tradicionais – apesar de terem no seu seio muitos populistas – podem já não corresponder aos anseios da populações.
Se a unidade interna é reconhecida como máxima de poder, só meia verdade transparece para o exterior – mal explicada – das guerras que animam o pessoal político dirigente.

Se ao longo do tempo sempre houve escaramuças, envolvendo as ambições dos protagonistas, em 2020, tudo se volta a repetir, ainda que em novos contextos e com novos protagonistas. O PS deixou de ser um partido interclassista para se tornar num grupo de interesses e sindicatos de voto que decidem a vida do partido. O poder do partido já não está na sede do Toural mas descentralizou-se para o sul do concelho onde há mais militante… de Nespereira e de Guardizela.
O grupo das “Taipas e de Moreira, Guardizela e sul do concelho” foi sempre visto como um sindicato de voto que se impôs no partido, pela filiação de novos militantes, sem história política ou identificação com o socialismo. Muitos filiaram-se a pedido, pela influência de quem lhes propunha a ligação ao partido. E a quem se pede ou exige que vote… quando o “chefe do partido” precisar dos votos, para sufragar as suas próprias decisões.
Com todos os defeitos e virtudes, a partir de 2013, o grupo ganhou vontade de participar. A participação mede-se pelo interesse na eleição da comissão política, da qual nasce o secretariado.

Um ano depois da CEC, e no ano da eleição de Domingos Bragança para presidente da Câmara, este grupo começou a forçar uma negociação na escolha e na quota de representantes nos órgãos locais. O presidente da comissão política era Domingos Bragança. Do outro lado, estava Luís Soares – com o seu exército de votantes – que queria ter mais ou menos 50% de conselheiros na época. Foi numa das várias eleições internas que se avaliou, de facto, o peso do grupo das Taipas e do sul do concelho.
Na altura, Amadeu Portilha, como vice-presidente da Câmara pensava que podia suceder a Domingos Bragança – na lógica de que o vice-presidente seria o presidente da comissão política. Domingos Bragança não aceitou esta lógica, nem a sucessão. Portilha abandonou a corrida. Costa e Silva é então o preferido de Bragança sendo eleito em consenso, numa negociação que envolveu o ex-vereador António Castro.

Ricardo Costa tem dois adversários nesta corrida. © Direitos Reservados

Entretanto, o tal grupo das Taipas e sul do concelho, aprimorou a sua organização e poder com a paciência de , esperando que o tempo os levasse ao poder. Em 2015, Luís Soares foi indicado como o “deputado de Guimarães” na lista do PS distrital, contra Miguel Laranjeiro, derrotado por um voto e que tinha o apoio de Domingos Bragança.
E a saga do grupo das Taipas continuou até que Luís Soares foi também eleito para presidente da comissão política, depois de ter passado pela Juventude Socialista, carimbos que marcam a carreira de militante e que se supõe sejam passaportes para fazer carreira política a nível local ou nacional.
Luís Soares volta a ser eleito, em 2020, com um largo consenso dos militantes, sem qualquer oposição, para presidente da comissão política e beneficiando da grandeza do sindicato de voto do tal grupo das Taipas e sul do concelho. E como declaração de interesses, proclamou que as suas ambições políticas estavam concretizadas, faltando apenas ir para o governo, deixando omissa qualquer vontade ou ambição de integrar a vereação, o que bem pode significar “gato escondido com o rabo de fora” de que ninguém deu conta.

Tornou-se representante legítimo do aparelho e já tinha ganho algumas “batalhas” de influência, a nível local, apesar de um percurso em que enfrentou os desejos de Domingos Bragança. Uma delas foi a que levou a que Costa e Silva abdicasse de concorrer contra si próprio (no primeiro mandato deste), indicou João Miranda – actual presidente da Junta de Penselo e da direcção dos Bombeiros – para a administração do Hospital Senhora da Oliveira, contra a preferência de Domingos Bragança.
Alguns apoiantes de Luís Soares, antes de Ricardo Costa decidir candidatar-se à Federação – chegaram a pedir a cabeça de Domingos Bragança, de modo a que o PS apresentasse um novo rosto para a presidência da Câmara, já em 2021, admitindo que o PSD vinha crescendo nas intenções de voto, com a crescente afirmação de André Coelho Lima, a nível nacional – face ao que consideravam ser “uma má gestão política” do Município.

Curiosamente, o grupo das Taipas dividiu-se em dois e a decisão de Ricardo Costa acelerou a “trégua” entre Luís Soares e Domingos Bragança, que se juntaram para evitar que Ricardo Costa ganhasse a Federação de Braga. E a escolha da nova vereação fosse pacífica em 2021.
Porém, no seu discurso de posse na comissão política, Luís Soares foi muito claro, primeiro ao fazer críticas fortes a figuras gradas do PS de Guimarães – cuja história não apagará nunca, nomeadamente a António Magalhães, criticou os que andam na praça pública a defender a abertura do partido à sociedade civil – uma contradição com o discurso nacional – sustentando que o PS tem dentro de si, gente capaz – sem os nomear – num apelo ao sentimento partidário mais ferrenho. A mais poderosa afirmação seria a de que “sou eu quem manda nisto tudo”, uma afirmação não escutada por Domingos Bragança que não se encontrava na tomada de posse, que recebeu fortes aplausos.

Dois Presidentes, ambos do PS, com escolhas diferentes. © Direitos Reservados

Luís Soares e Bragança, esquecem arrufos anteriores, deixando para depois de 14 de Março, a discussão da estratégia autárquica e o caderno de encargos que cada um vai apresentar ao outro.

Os apoiantes do presidente da Câmara também formaram um núcleo que nunca se desligou, quiçá um núcleo “elitista” sem representação forte nos militantes onde, à boleia, cabem Costa e Silva, Sofia Ferreira (que ganhou influência depois de ter sido indicada e eleita como vereadora), Marta Coutada e mais alguns presidentes de Junta, em quem Bragança se apoiava… contra o tal grupo das Taipas e sul do concelho.
Contudo, ninguém parece ter entendido ou prestado atenção ao discurso e aos avisos de Luís Soares, sobretudo da parte dos apoiantes de Bragança, numa altura em que estão todos empenhados em evitar a eleição de Ricardo Costa na Federação distrital.
Nesta “união de facto” Luís Soares e Bragança, esquecem arrufos anteriores, deixando para depois de 14 de Março, a discussão da estratégia autárquica e o caderno de encargos que cada um vai apresentar ao outro, se entretanto Joaquim Barreto for reeleito para novo mandato na deserdação socialista.

Luís Soares segue “encantando” Domingos Bragança, marcando à distância Ricardo Costa – de quem tinha sido padrinho na sua ascensão política e cujo irreverência e rebeldia aceitava e reconhecia no início mas que não aprecia de momento na Câmara.
Os dois exércitos – de Soares e Bragança – reagrupam-se – pois ainda falta conhecer a influência de Paulo Renato de Faria no grupo de militantes do sul do concelho – em Moreira e Lordelo e também nas Taipas onde Ricardo Costa também tem uma parte da influência.
Agora, só depois de 14 de Março, é que se avaliará o que ficou da querela que leva um militante socialista de Guimarães a não ser apoiado pelos seus próprios companheiros e pares de partido e de vereação, algo que alguns vimaranenses não entendem como possível. E que pode ter influências nas próximas eleições autárquicas.

O que se ouve nos meios socialistas é que, com ou sem razão, esta divisão é provocada por Joaquim Barreto, alguns dos quais acusam o homem de Cabeceiras de ter dividido o PS na sua própria terra, depois em Vizela, Fafe, Barcelos e Famalicão. O que pode não ser totalmente verdade, uma vez que no PS há homens e mulheres que fazem “um jogo de sombras”, nem sempre claro e directo.
No Facebook essencialmente, há pano para mangas, para ver e analisar como o PS pode desmoronar-se por causa de uma rivalidade concorrencial do seu pessoal político, cujas ambições estão para lá do que é normal. As críticas são ferozes, as denúncias são eloquentes, num vale tudo eleitoral, que ninguém prevê como acabará.

© 2020 Guimarães, agora!

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