A (nossa) Europa

Ainda há tanta gente a não perceber a Europa, como ideia e projecto político social, económico e cultural.
Só uma Europa organizada, solidária, unida, é capaz de garantir a paz e a manutenção de relações pacíficas entre Estados.
A Europa será sempre um projecto inacabado porque a sua construção tem sido feita de avanços e recuos, à medida dos interesses económicos de alguns e ideológicos de uns tantos.

Na sua essência, a Europa até é consensual e a sua necessidade é também unânime.
Porém, a Europa divide-se na hora de avançar na sua institucionalização: se uma federação de Estados, se uma comunidade de países. A soberania nacional de cada Estado impede que a Europa vá mais longe em áreas como a Defesa.
Mas há que dizer claramente que desde Schuman a Merkel, a Europa é um projecto válido, que deve continuar a ser aprofundado. Para alguns, a Europa é um saco grande de dinheiro – público – que deve ser gasto ao desbarato para satisfazer caprichos.

“Mas é na Cultura que a Europa falha: a Europa dos povos não está suficientemente divulgada, quanto a política ou económica…”

Mas é na Cultura que a Europa falha: a Europa dos povos não está suficientemente divulgada, quanto a política ou económica.
Há muitos Europeus que olham para as instituições europeias como um bando de burocratas com residência em Bruxelas ou Estrasburgo.

Hoje a Europa está ameaçada por aqueles que vivem e sobrevivem nela. E tem dentro de si, muitos cavalos de Tróia. Recentemente, Nigel Farage, virou-se contra a Europa em Inglaterra, provocou o Brexit sem nunca deixar a cadeira dourada do Parlamento Europeu. E irrompeu contra o que a Europa representa para todos os 28 países; há mais sinais, estes ao nível democrático e de respeito pelas regras elementares da democracia política e dos valores definidos na declaração de direitos humanos. O que se está a passar na Hungria e na Polónia, não abona em favor dos seus representantes actuais que fazem campanha contra a ideia da Europa mas continuam a ter da Europa o que mais lhe convém: dinheiro.

© A declaração de Schuman – legendas em Português

A Europa foi construída por homens de visões largas, de estadistas comprometidos com o ideal europeu.
Parece que esses europeus, de estirpe e de forte sentido de Estado, viveram todos no passado. Uma vez que os actuais dirigentes nenhum deles, tem a garra, o ideal de Schumann, Leonel Jospin. Mitterrand, Kohl, Thatcher e muitos outros que lutaram por uma Europa forte.

Hoje, só poucos conseguem viver com esse exemplo e com esse passado.
O que se vê em Bruxelas e em Estrasburgo, é gente que vive da Europa mas desdenha-a, uns dizem-se democratas mas não o são porque não respeitam o espírito europeu. Alguns deles beneficiaram com um Mercado Livre, com a moeda única, com uma política agrícola comum.

E estão convencidos que se a Europa se desmoronar, exaltando o nacionalismo isolado dos seus Estados, terão algum papel de relevo no contexto internacional.
Alguns continuarão a ser ricos porque já o eram mas sem a União Europeia ficarão reduzidos ao seu “corner”, fora de um grande mercado europeu, de comércio livre e sem barreiras, de uma Europa sem fronteiras, de cultura.

Hoje comemora-se o dia da Europa, 70 anos depois de o francês Robert Schuman ter declarado em Paris, em 1950, que era preciso uma maior cooperação entre países e uma organização política que reflectisse essa vontade. Foi assim que a Europa se institucionalizou a partir da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. França, República Federal da Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo, tornaram-se assim o embrião da União Europeia, de hoje, com 27 países.

Ver mais em: https://europa.eu/european-union/about-eu/symbols/europe-day/schuman-declaration_pt

© 2020 Guimarães, agora!

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