Coelima: Pedro Pidwell vai apresentar plano para a venda do activo

As preocupações e ansiedades dos trabalhadores foram levadas ao Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, por um delegação da CGTP e do Sindicato Têxtil.


Francisco Vieira, dirigente do Sindicato Têxtil do Minho, integrou a delegação da CGTP que conversou, no Ministério da Economia, sobre a situação presente da Coelima.

O dirigente sindical que também representa os trabalhadores na comissão de credores, declarou que “ficamos a saber, afinal, de que a narrativa que esteve na origem da apresentação do pedido de insolvência da Coelima era justificado num pretenso não apoio no âmbito de medidas covid-19”.

“Ora – salienta Francisco Vieira – o Secretário de Estado o que nos informou é que nunca foi feito nenhum pedido que, em primeira instância, teria de passar por uma instituição bancária, a quem se devem dirigir as empresas que queiram beneficiar desses apoios. E só depois o Estado é que dará garantias se a elas tiverem direito”.

“O que fica claro é que a administração da empresa apenas quis responsabilizar o governo por um apoio cujo pedido não formalizou…”

E reforça que “ficamos a saber que não foi verdade que a Coelima tenha feito qualquer pedido, esse argumento da pandemia, não serviu. O que fica claro é que a administração da empresa apenas quis responsabilizar o governo por um apoio cujo pedido não formalizou”.

Confirma, também, que João Neves foi claro em defender que “o governo não se exime às responsabilidades, está empenhado e está optimista quanto a encontrar uma solução que deve ser rápida”.

© GA!

Francisco Vieira confirmou que para além da situação da Coelima foi também abordada a situação das restantes empresas do grupo MoreTextile.

“Foi uma vantagem de estar a falar com um homem que esteve por dentro do processo da Coelima, em 1990”, salientou o dirigente do Sindicato Têxtil do Minho. 

“O Secretário de Estado, João Neves, era então quadro da NorPedip. Sabemos que conhece bem o sector têxtil e por isso pedimos-lhe que se empenhe em nome do governo porque, na nossa opinião, só o governo está em condições de impedir a falência da Coelima através da CGD e do FACCE”.

O dirigente sindical sabe que a Câmara Municipal e o Ministério da Economia estão em contacto permanente e que apesar de a CS Capital ter como parceiro o Tesouro, a decisão de apresentar a Coelima à insolvência não foi comunicada ao governo.

Relativamente ao futuro, Francisco Vieira admite que o governo “mostra disponibilidade de apoiar financeiramente, no quadro comunitário, a empresa mas cada concorrente terá de dizer claramente o que pretende fazer”.

E que a Câmara Municipal se coloque “acima de apetites que possam querer tirar partido com a especulação imobiliário que o património da Coelima pode provocar”.

A Coelima boa e a Coelima má, no horizonte…

Junho será sempre o mês crucial para este processo, pois, ninguém estará na disposição de intervir na salvação da Coelima para além desse tempo. E todos estão a contribuir até agora para se abreviar o desfecho deste processo: desde a Juíza do Tribunal, ao administrador judicial e a interessados. Dos credores, não se conhecem decisões e apenas se admitem intenções.

“A Coelima só tem interesse para qualquer investidor se estiver em laboração”, confirma um advogado interveniente no processo.

Com a comissão de credores já constituída e nomeada, a assembleia de credores marcada para 18 de Junho – onde poderão participar todos os credores cujos créditos sejam superiores a 10 mil euros, a expectativa está agora na proposta de Pedro Pidwell, o administrador judicial que já viu as três propostas apresentadas.

© Raquel Wise_Jornal de Negócios

O seu relatório, onde se poderá vislumbrar que caminho pode seguir a Coelima e que tipo de negócio pode ver-se à volta da sua recuperação, será apresentado ao Tribunal, de modo a ser apreciado pelos credores a 18 de Junho.

Admite-se que Pidwell proponha uma venda antecipada de bens activos, o que pode, sem surpresa, dividir a Coelima em duas: a boa e má como o Novo Banco.

As propostas da RTL/José Fontão, Mundotêxtil/Felpinter e Mabera para além de muitas contingências e condições que colocam, poderão servir apenas para início de conversa.

O cenário de uma venda pura e dura do activo estará no horizonte e admite-se nos habituais cenários de processos de insolvência. Os interessados certamente que já equacionaram este cenário. Isto é, quem perante este conjunto de bens e direitos oferecer um melhor preço final é que tem mais hipóteses de herdar, comprando, a Coelima boa.

Como diria, alguém habituado a estas andanças, “uma liquidação é uma liquidação e quem propuser a proposta mais remuneradora do activo” é que poderá ganhar a Coelima.

© 2021 Guimarães, agora!


Partilhe a sua opinião nos comentários em baixo!

Siga-nos no Facebook, Twitter e Instagram!
Quer falar connosco? Envie um email para geral@guimaraesagora.pt.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

2,753FansCurti
0SeguidoresSeguir
70SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Edição impressa / digital

Leia também