Arte: as pedras do caminho… de Dinis Ribeiro

O artista vimaranense vai ter em Valença a sua mais recente obra, por encomenda da Câmara Municipal local.


É um conjunto de três pedras ovais, pintadas com cores primárias, utilizando o esmalte industrial como tinta. 

Dinis Ribeiro andou pela freguesia de Cerdal, do concelho de Valença, onde se inspirou nos seixos daquela aldeia, numa residência artística de uma semana.

Os três volumes da sua obra, identificam-se com os caminhos de Santiago e serão colocados, perto do Fortaleza de Valença, onde há um troço dos caminhos de Santiago.

Remontando às origens da sua inspiração, o artista lembra que Cerdal é uma aldeia com um solo abundante em pedras. E onde recentemente foi desenvolvido um projecto de intervenção artística que abrangeu as Aldeias do Minho.

O projecto foi apoiado pelo programa Provere e envolveu os 24 Municípios da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, com candidatura feita pelo Minho In.

Dinis Ribeiro aumentou os seixos de Cerdal e concebeu um conjunto de três pedras ovais, a pesar mais de seis toneladas cada uma. Para isso, usou o granito de Guimarães, para este conjunto que ficará exposto do lado do acesso a Espanha. E por onde passam os peregrinos que seguem o caminho da Costa até Santiago de Compostela.

É este conjunto que vai ser inaugurado a 2 de Julho, pelas 18h00, em Valença e que marcará o projecto de intervenção artística inserido numa candidatura ao Provere.

O trio de elementos graníticos, pintados com as cores amarelo, vermelho, azul e preto, tem a forma volumétrica do seixo Cerdal mas procura reflectir, segundo o autor, as dificuldades de peregrinar, que são vividas por homens e mulheres que seguem na direcção de Santiago de Compostela, todos anos e durante uma boa parte de cada ano, naturalmente com a ideia de pedir ajuda para as dificuldades das suas vidas.

Noutra dimensão e visão das pedras, o autor evoca os vitrais das Catedrais, muitas das quais, se vêm ao longo dos caminhos de Santiago, das iluminuras que ganharam força na Idade Média, e que de algum modo estão “traçadas” na sua criação com aquelas cores primárias, recortadas, sobre formas diversas e de dimensões disformes mas lineares.

“São formas instintivas” – define. E que apelam ao rupestre com as cores que, afinal, já eram usadas naquele tempo e que não chegaram até nós pelas agruras do tempo e pelo desgaste natural. Foi assim com a arte grega e romana.

O desenho que se vê em cada pedra oval, é intuitivo, em certa medida procura e incentiva a uma viagem até aos primórdios da arte rupestre, não apenas pelos riscos e formas desenhadas no granito, como pela vivacidade das suas cores.

O conjunto que Dinis Ribeiro concebeu e a que deu o título “As Pedras do Caminho”… até Santiago começou a ser elaborado a partir de Março.

📸 Direitos Reservados

A criação do artista de Guimarães utiliza o três como um número simbólico mas que tem história e sentido na arte por representar um terço. Aliás já é comum, Dinis Ribeiro associar um número – de elementos cores, peças – aos seus trabalhos, aceitando a influência da matemática na arte.

O trabalho que marca a sua arte, de trabalhar a pedra e as suas formas, texturas e cores, pretende ressaltar também os caminhos por onde passaram as invasões francesas e acaba por se ligar à Fortaleza de Valença construído em pedra.

“Espero que esta obra incomode, e permita que o observador se interrogue”

“Espero que esta obra incomode, e permita que o observador se interrogue” – destaca o artista e escultor em mais uma criação e um trabalho em pedra onde se especializou.

A forma oval, tem a origem na forma natural dos seixos de Cerdal, que “não deixam de ser uma criação da natureza”. Dinis Ribeiro, cita Aristóteles, ao afirmar que “a arte imita a natureza”.

📸 Direitos Reservados

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