O presidente da Câmara foi ao Fórum da Eurocities – a maior rede de cidades europeias – que se realizou no Teatro Jordão na Terça-feira, falar dos desígnios da transição verde e das medidas que podem mitigar o efeito das alterações climáticas.
No ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia, “faz todo o sentido reforçar a cooperação entre municípios na defesa do ambiente e da sustentabilidade”, e que as autarquias devem ter um papel activo na construção das políticas ambientais europeias.
Recordou, mais uma vez, que “uma responsabilidade, não é uma recompensa” – referindo-se ao título e distinção que se celebra este ano, Ricardo Araújo sublinhou que o reconhecimento deve traduzir-se num maior compromisso com o futuro da cidade. E elevar a ambição ambiental e de construir um futuro melhor para as próximas gerações.
Guimarães integra a rede Eurocities desde 2015 e, por isso, destacou o trabalho desenvolvido em áreas como a bio-diversidade, a economia circular e a resiliência climática. Sobre a sustentabilidade evidenciou que não pode ser tratada como isolada da política municipal e nem como uma responsabilidade exclusiva dos departamentos de ambiente. Isso significa estar ligada à mobilidade, ao urbanismo, à habitação, à economia e aos espaços públicos.
Ricardo Araújo falou da “responsabilidade de agir e tomar decisões” por parte dos autarcas, na partilha de conhecimento que deve existir no âmbito da Eurocities, e do maior envolvimento nas “escolhas difíceis que têm de ser feitas”, que requerem para além de conhecimento, coragem política.
A necessidade de juntar a ciência a situações práticas, para tornar as cidades mais resilientes, de implementar uma transição justa estiveram nos temas que suportaram a intervenção do presidente da Câmara na abertura deste fórum.
Com o Laboratório da Paisagem como exemplo, deu nota de um percurso que vai do conhecimento às decisões e das decisões à acção, defendendo, mais uma vez, que a transição verde tem de ser justa e não pode deixar ninguém para trás.
O presidente da Câmara sublinhou, ainda, que o fórum reúne representantes de várias autarquias, de toda a Europa para reflectir sobre desafios que “já não são desafios do passado”, mas sobretudo “do presente e do futuro”. Defendeu por isso uma maior cooperação descentralizada e uma parceria mais forte entre os municípios.
A ‘Declaração Uma Cidade de Um Só Planeta’, fundamentada em cinco pilares: educação, ciência, justiça social, economia verde e cultura, é uma carta de princípios que pretende reforçar o compromisso das cidades com a resposta à emergência climática e promover a transformação das ambições ambientais em medidas concretas.
“Se todas as pessoas vivessem como os habitantes de Guimarães, seriam necessários 2,28 planetas.”
Carlos Ribeiro, presidente do Laboratório da Paisagem, juntamente com Isabel Loureiro, coordenadora geral da Estrutura de Missão Guimarães 2030 e Dalila Sepúlveda, directora do departamento de Ambiente e Sustentabilidade do Município, explicaram que o conceito da pegada ecológica do concelho: “Se todas as pessoas vivessem como os habitantes de Guimarães, seriam necessários 2,28 planetas”. A declaração é um apelo a que as cidades passem a viver dentro dos limites do planeta.
Anna Lisa Boni, vereadora do Ambiente da Câmara de Bolonha e a responsável do forúm, em fim de mandato, considerou essencial “partilhar no que acreditamos o que fazemos e porque o fazemos, para sermos parte da solução”, reforçando a capacidade das cidades para contribuir para a resposta aos desafios ambientais.
Fez um balanço do trabalho desenvolvido pelo Eurocities, na defesa das metas europeias de redução de emissões, na legislação de recuperação da natureza, na qualidade do ar e na economia circular. Defendeu ainda a importância de reforçar a adaptação às alterações climáticas e a resiliência das cidades, com uma maior articulação entre os municípios e as instituições europeias, e considerou que as cidades podem fazer parte da solução para as diferentes crises que afectam a Europa.
Depois da sua intervenção, Ricardo Araújo falou aos jornalistas e deu conta que a transformação “não começou em 2026 nem termina em 2026”. Garantiu que as mudanças em curso vão continuar para lá do ano da Capital Verde. E classificou 2026 como um ano importante e marcante, mas sublinhou que a transformação do concelho não começou este ano nem acaba com ele.
A autarquia vai divulgar publicamente os resultados das iniciativas, que são monitorizadas mensalmente, relativas ao que foi feito na Capital Verde Europeia.
Indicou o que já foi feito ou está em curso, em Guimarães, como medidas enquadradas nesta temática:
- A requalificação das zonas ribeirinhas e a criação de ecovias, já iniciadas e que vão ser aceleradas;
- A transformação de parques urbanos, como o ‘Parque da Imaginação Musical’;
- O novo projecto do ‘Jardim D. Afonso I’, junto ao Castelo e à Universidade do Minho;
- A nova ‘Praia Fluvial do Vaqueiro’, cujo projecto está em preparação e cuja execução deverá estar finalizada até ao início de 2027;
- Na mobilidade, destacou o ‘Plano de Mobilidade Urbana Sustentável’ financiado pelo BEI – Banco Europeu de Investimentos que deverá estar finalizado em 2027;
- O reforço dos transportes públicos, com o objectivo de reduzir a utilização do transporte individual e as emissões de carbono, onde se incluem o transporte gratuito a implementar no próximo ano, um compromisso que quer cumprir.
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