900 anos: comemorações mostram “os primeiros passos de D. Afonso Henriques”… na formação de Portugal

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Guimarães prossegue com as suas comemorações dos ‘900 anos da Batalha de São Mamede’, depois de em 2023 a Câmara ter decido constituir uma Comissão Científica que organizasse o evento, conferindo-lhe uma dimensão nacional.

No último fim-de-semana, deu-de destaque “às expressões artísticas que se desenvolveram num longo arco cronológico de mais de 300 anos que mediou entre a presúria de Portucale pelo Conde Vímara Peres, em 868 e a morte de D. Afonso Henriques, em 1185” – como sublinhou Mário Jorge Barroca.

A viagem ao passado que se começou a fazer, a propósito dos ‘900 anos da Batalha de São Mamede’, é um longo caminho cultural, repleto de conhecimento, porventura menos acessível aos vimaranenses e aos portugueses, restringido-se aos historiadores e pensadores da nossa História.

As quatro sessões científicas que a comissão tem vindo a preparar para estas comemorações, desde 2023, definiu que se realizariam três colóquios e um congresso, até 2029, ao mesmo tempo que se promoveria um ambicioso programa editorial com o lançamento de algumas obras que trarão a Guimarães “investigadores de diferentes áreas e proveniências que permitem ampliar perspectivas, confrontar interpretações e aprofundar o conhecimento sobre um período que continua a suscitar perguntas e a desafiar a investigação histórica e artística” – como revela Isabel Ferreira, vereadora da Cultura.

“Com estas reuniões – lembra Mário Jorge Barroca – sobre os primeiros passos de D. Afonso Henriques antes de se ter mudado para Coimbra, em 1130-31”, abre-se o leque de fontes narrativas para o estudo do primeiro Rei de Portugal, através de publicações que “visam deixar marca duradoura para a compreensão histórica do primeiro século de Portugal”.

Aliás, o Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, acentuou na abertura deste segundo colóquio internacional sobre ‘As Artes no Condado Portucalense e no Reinado de D. Afonso Henriques (868-1185)’ que “a programação da comissão vimaranense deixará uma marca perene na cultura portuguesa”. E acrescenta: “Sem feiras medievais, sem encenação de batalhas, sem assaltos a castelos, sem cenografias discutíveis mas com trabalho sério e seguro”.

Mário Jorge Barroca elogiou o apoio dado pela Câmara Municipal de Guimarães. © GA!

Isabel Ferreira, sublinhou, igualmente, que “este conhecimento é importante para todos nós porque ajuda-nos a compreender melhor o território, a sua história e as referências culturais que partilhamos”.

E sobre o tema deste colóquio que juntou investigadores de Portugal e de Espanha, a vereadora da Cultura, evidencia a importância de “conhecer as comunidades que viveram esse tempo, os seus modos de vida, as suas crenças, os seus valores e as formas como expressaram a sua visão do mundo”.

“Não é comum vermos uma Câmara Municipal abraçar um programa desta envergadura que tem âmbito nacional.”

O “apoio incondicional” que a Câmara – ao tempo por Domingos Bragança e Paulo Lopes Silva e, agora por Ricardo Araújo e Isabel Ferreira – tem dado, foram sublinhados pela Comissão Científica e Mário Jorge Barroca afirmou mesmo que “não é comum vermos uma Câmara Municipal abraçar um programa desta envergadura que tem âmbito nacional”.

E compreende este apoio e as iniciativas elaboradas “mosaico das comemorações de 1128”, porque se trata de “celebrar um acontecimento concreto, a data histórica de uma batalha, ocorrida há precisamente 328.116 dias” e a celebrar esta “espantosa realidade” como definiu Fernando Pessoa sobre sermos portugueses.

A vereadora da Cultura acrescenta que “a História se revela nas expressões artísticas que atravessam o tempo”, pois, “são marcas de uma época mas igualmente formas de compreender como as sociedades se organizavam, comunicavam e se relacionavam”.

E reconhece “o papel que as artes e cultura desempenharam a afirmação das comunidades e na construção de uma identidade colectiva”.

“Ao longo dos séculos, a cidade foi acrescentando novas dimensões à sua identidade, sem perder a relação com as suas origens.”

Também, evidenciou que “ao longo dos séculos, a cidade foi acrescentando novas dimensões à sua identidade, sem perder a relação com as suas origens” que se podem tornar, agora, mais claras com o conhecimento que as comemorações dos ‘900 anos da Batalha de São Mamede’, proporcionarão a vimaranenses e portugueses.

Deu exemplo de diferentes manifestações de arte que se vislumbram através do património religioso onde “há testemunhos expressivos dessa continuidade”, lembrando o papel das Irmandades nesta herança ligada à história e à vida de Guimarães.

Recordou a ligação teatral de Gil Vicente, a escrita de Raúl Brandão, o centro histórico, os artesãos da Idade Média que trabalhavam a pedra, como exemplos de dimensões que foram formatando a identidade vimaranense, marcada pela relação com “o património que herdou e a vida cultural que continua a desenvolver”.

Neste colóquio internacional marcado por várias conferências que nos levaram a um passado remoto que mostrou como a arquitectura e a escultura se desenvolveram na região da Galiza e do Norte de Portugal, como se construiu o poder na Gallaecia Ocidental, se falou da vitalidade artística asturiana no Ocidente Pensinsular e de objectos, imagens devocionais e cultura visual nas fontes condais e afonsinas; e se deu nota da obra e o seu contexto urbano de Santa Cruz de Coimbra, no tempo de D. Afonso Henriques, tudo serviu para mostrar que “todo o começo é involuntário” – nas palavras de Fernando Pessoa.

E perceber que “a última coisa que o jovem infante suspeitaria”, lá no longínquo ano de 1128, “era que estava a dar um passo decisivo para a formação de Portugal” – como afirmou Mário Jorge Barroca.

© 2026 Guimarães, agora!


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