As eleições gerais do Vitória Sport Clube 2026 são mesmo especiais… pelos quatro candidatos e pelas suas ideias.
No passado, em cada eleição o que se discutia era o nome dos craques que estavam na agenda de um ou dos vários candidatos.
No presente, o que se viu foi uma luta de galos para ver quem apresenta o melhor director desportivo, também conhecido como director técnico – que na prática também assumirá o papel de empresário, contratando e vendendo – deixando a nú as insuficiências dos putativos presidentes que outorgam as suas decisões a pretensos “especialistas”, copiando práticas que já não são moda no futebol europeu. Fica por saber a quem e a quantos novos e velhos empresários vamos continuar a pagar comissões – um escândalo sem precedentes – que absorve quase a totalidade do défice anual do clube e que é mais do que orçamento de uma época.
Todos (os candidatos) fugiram a definir uma política de aquisição de jogadores – sem os quais não há vendas na abertura dos mercados e muito menos resultados desportivos. E cujas soluções são de risco porque assentam na formação de jovens que não se multiplicam em valor e talento e em craques como os ovos da galinha…
Eu não espero ver Manuel Machado, Diogo Boa Alma e Fernando Meira, a entrarem pelo relvado dentro e marcarem golos.
O problema é que a contratação de jogadores – face aos valores do passivo – tem de ser engenhosa para trazer os craques que hão-de dar dinheiro em negócios (sempre mais ocultos do que transparentes) e marcarem golos que dão lugares na classificação para provas europeias e conquistar taças ou provas. Uma pescadinha com rabo na boca…
Este investimento em “jogadores de secretária” no tal plantel intangível, é uma mera ilusão. Hoje, o Vitória tem uma sobrecarga de gente que é capaz de fazer a ementa do que o jogador há-de comer, medir o seu peso e altura, documentar-se em inúmeras estatísticas que a tecnologia produz para ajudar perceber que tipo de jogador temos em competição e no plantel mas peca pelo exagero de ser emprego para mais alguém a servir quem manda, condicionar o treinador nas suas decisões técnicas, serviçais encartados e diplomados que nada acrescentam ao futebol real e apenas servem o futebol de teoria ou de mestrado, uma força especial policial no seio do plantel.
Outra observação que se pode fazer é que as eleições (precipitadas e nocivas para os interesses do clube) vieram revelar que, afinal, tinha-mos um património (escondido) de gestores de topo, que têm soluções para anular um passivo – que ninguém sabe qual é, mesmo os que gerem o clube – igual a mais quatro orçamentos de uma época normal.
“Parece-me que vamos mudar de financiador e manter a mesma prática gestionária que nos trouxe até aqui.”
E o à vontade com que demonstraram para o resolver ou dissolver – e o mais certo adiar e aumentar – de modo a que não seja um impecilho na administração do futuro do clube, é deveras interessante: a solução única e comum de ir aos fundos não da Europa mas da América, não do Governo mas também da autarquia – sobretudo para as obras que prometem fazer numa academia que ninguém sabe o que sabe é e quanto custa – não deixa de ser mais do mesmo. Parece-me que vamos mudar de financiador e manter a mesma prática gestionária que nos trouxe até aqui.
Os sócios não se podem queixar de não ter alternativas: há quatro candidatos efectivos, uns que desistiram, tal como no passado, querendo ser reis numa república de futebol. E até os que só não foram porque, afinal, o Vitória tem um modelo que não o deixa desenvolver.
Esta democracia eleitoral pode também não ser a solução para o clube porque muitos… não significa que sejam bons candidatos.
E com esta feira de vaidades continuamos a ter… fome de vencer… oh Vitória! Que o digam os sócios… e o seu voto!
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