O auditório Francisca Abreu… do CCVF, como espaço de liberdade e de criação artística!

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Deu sinais de ser uma propriedade privada – quando não o devia ser; a popularidade do recinto deu para acolher desde espectáculos a conferências e seminários; é o espaço das ‘Danças Nicolinas’ e outras manifestações locais; no seu regulamento nada consta de proibitivo em relação a qualquer espectáculo.

E, afinal, o auditório mais não é do que uma sala de espectáculos, uma mais valia para Guimarães que deve servir o interesse público que o Município defende e não entendimentos ou filosofias pessoais, dos administradores de A Oficina ou qualquer director artístico que por ali passe.

O Centro Cultural Vila Flor (CCVF) tem um estatuto abrangente, é espaço cultural, o seu auditório tem o nome de Francisca Abreu, mulher e ex-vereadora da Cultura, pessoa aberta no meio cultural onde há tolerância e respeito pelo diferente e pela diferença.

“E a sua dignidade cultural, de equipamento para fruição da população nunca será posta em causa, seja quem ali actuar, cantar, falar, discursar ou teatralizar.”

Sinceramente não vejo que a sua utilização possa ser medida pelo prisma da inclusão ou da exclusão, de quem gere o equipamento porque, afinal, como sala de espectáculos torna-se palco de cultura, de liberdade. E a sua dignidade cultural, de equipamento para fruição da população nunca será posta em causa, seja quem ali actuar, cantar, falar, discursar ou teatralizar.

Guimarães apesar da sua costela fundadora de Portugal tem traços de conservadorismo incómodo, de coutada, de corporativismo que já devia estar desvanecidos por essa sua história quase milenar.

A “proibição” decretada ao espectáculo de João Baião enquadra-se nesse conservadorismo militante, radical que afecta o espírito de Abril e a liberdade instaurada, dá uma imagem da cidade que nenhum vimaranense apoia.

Tal como há liberdade para quem quer assistir a qualquer espectáculo o frequentar e sentar-se num lugar qualquer, sem que se peça identificação, habilitação cultural ou outra coisa qualquer, o mesmo se deve fazer em relação ao palco – onde se exprimem as produções de diversos autores – e que são apresentadas ao público.

O ónus de quem dança e canta no CCVF é da direcção de A Oficina e do seu gestor público, conforme contrato com a Câmara; e não pode ser outorgado a qualquer “guarda da prisão”, funcionário ou outro estatuto qualquer.

Por isso, sendo ou não importante, exprimo aqui a minha opinião de que enquanto lugar de cultura, de liberdade e livre pensamento, não vejo nenhuma razão para se impôr barreiras – e mesmo negar – a quem paga para utilizar o palco do CCVF para simples espectáculos, sejam quais forem os seus autores.

E de que a realização do espectáculo do popular apresentador da TV no CCVF é uma medida de bom senso e de defesa de valores da democracia e de Abril que nenhum fundamentalista pode pôr em causa, de forma arbitrária.

© 2026 Guimarães, agora!


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