O presidente da Câmara quebrou o tabu de que há celebrações apenas património da esquerda (política) e não transversais à sociedade portuguesa e vimaranense. E mostrou incarnar o espírito do 25 de Abril – não fosse o PPD/PSD, também, um partido fundador da democracia e ter dirigentes com passado anti-fascista – e as comemorações do ‘Dia da Liberdade’ seguiriam num registo diferente que as mudanças no poder autárquico poderiam provocar ou justificar.
Porém, Ricardo Araújo persiste em caminhar à esquerda, em Guimarães, abrindo o leque dos seus apoiantes e desarmando todos os que o queiram identificar com a direita mais retrógrada. Não só participou nas cerimónias como esteve, ontem, à noite do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), participando no concerto ‘Sons da Liberdade’.
Entoou até as estrofes de ‘Grandola Vila Morena’ – a mais popular canção de Zeca Afonso – como bateu palmas à actuação de artistas em palco, às canções escolhidas como repertório do espectáculo, dando ênfase à sua veia democrática, sem medos, nem pruridos, vivendo o 25 de Abril como todos os vimaranenses, de forma serena. E sem alardes… políticos ou adereços com cravos na lapela…

Acentuou, também, que mesmo com o programa escolhido – com raízes no passado mais recente – tornou os actos das comemorações mais democráticos. E, por isso mais abrangentes e participados.
Escreveu, num post da sua página do facebook que “há noites inesquecíveis, que ficam cravadas para sempre na nossa memória. Será o caso da noite de ontem e da energia do concerto ‘Sons da Liberdade’ protagonizado pela Banda da Sociedade Musical de Pevidém, pelo Coro da Liberdade e por um magnífico elenco de solistas. Uma noite que recordarei sempre de forma muito emocionada”.
“Ao celebrarmos, não estamos apenas a honrar a memória e a liberdade conquistada; estamos a projectar o nosso futuro colectivo sobre alicerces valiosos.”
E registou ainda que “Guimarães vive as celebrações do 25 de Abril intensamente, com uma oferta cultural vibrante e participada. Ao celebrarmos, não estamos apenas a honrar a memória e a liberdade conquistada; estamos a projectar o nosso futuro colectivo sobre alicerces valiosos. Estamos a reafirmar com orgulho o nosso compromisso de construir, todos os dias, uma comunidade cada vez mais livre, participativa e democrática”.
Mas o presidente da Câmara não foi sozinho ao espectáculo: na plateia, onde se sentou, tinha do seu lado esquerdo, a vereadora do PS, Gabriela Nunes (e seu marido) e o vereador Nuno Vaz Monteiro (Chega) e sua filha; do lado direito Cristiana – sua mulher e logo depois alguns vereadores da coligação ‘Juntos por Guimarães’ (e esposas), tal como Paulo Lopes Silva, o deputado do PS na Assembleia da República; na fila à sua frente, Ângela Oliveira, a chefe de gabinete, Rui Lemos, director de comunicação, adjuntos, gestores das empresas e cooperativas do Município e presidentes de Junta de Freguesia que se misturaram no meio dos espectadores – cidadãos simples, homens e mulheres que também exaltam Abril – dando à presença um ar mais social e não elitista ou partidário.
Como mostram as fotos, foi também aos bastidores cumprimentar artistas e agradecer-lhes a qualidade do espectáculo que é um sinal evidente de que o programa lhe agradou e conviveu bem com outras leituras que se podem tirar da raíz política do espectáculo porque se tratava de dar eco aos ‘Sons da Liberdade’, com músicas e autores bem conhecidos, um património de todos os portugueses que se revêem na liberdade e na democracia.
Vasco Faria e a orquestra da Sociedade Musical de Pevidém, o Coro da Liberdade (da comunidade) e os tambores do ‘Alcateia’ sob a batuta de Mário Gonçalves, convergiram num espectáculo que foi um misto de canção, música, cinema, bem aplaudido pelo público, depois de cerca de quase hora e meia de actuação. Um bom exemplo da criatividade artística e da performance de vimaranenses que evidencia o seu talento cultural, numa mistura perfeita e representativa da sociedade com homens e mulheres que gostam de cantar, tocar e participar, em liberdade e sem tutores.
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