A infertilidade masculina é cada vez mais frequente e, em cerca de 44% dos casos, não é identificada uma causa específica (infertilidade idiopática). O seu desenvolvimento resulta da combinação de vários fatores, incluindo o estilo de vida, obesidade, alimentação, fatores genéticos e exposição ambiental. Embora nem todos possam ser modificados, a evidência científica mostra que mudanças no estilo de vida, como hábitos saudáveis, podem melhorar a qualidade do esperma e aumentar o potencial reprodutivo masculino.
- Deixar de fumar, incluindo cigarros eletrónicos melhora a qualidade dos espermatozoides, com benefícios visíveis após cerca de três a seis meses, sendo uma das formas mais eficazes para melhorar a fertilidade masculina.
- Manter um peso saudável. O excesso de peso prejudica a produção e a qualidade dos espermatozoides, sendo que mesmo uma perda de peso moderada pode melhorar vários destes parâmetros.
- Adotar uma dieta mediterrânica, rica em fruta, vegetais, leguminosas, cereais integrais, azeite e peixe, privilegiando uma alimentação equilibrada, em detrimento de alimentos ultraprocessados e de suplementos sem aconselhamento médico. Os seus benefícios verificam-se independentemente da idade ou do índice de massa corporal.
- Praticar exercício físico regularmente, ajudando a controlar o peso, equilibrar as hormonas, reduzir o stress e melhorar o metabolismo, fatores que influenciam a produção de espermatozoides. É de nota que exercício excessivo ou muito prolongado pode ter o efeito contrário.
- Limitar o consumo de álcool, pois o consumo excessivo e prolongado pode provocar alterações hormonais, diminuir a produção de testosterona e aumentar os danos no ADN dos espermatozoides. O consumo ocasional não tenha demonstrado um impacto significativo na fertilidade.
- Cuidar da saúde mental. O stress, a ansiedade e a depressão podem alterar a produção hormonal e comprometer qualidade do sémen. Manter uma rotina equilibrada e procurar apoio psicológico, quando necessário, pode ajudar a preservar a saúde reprodutiva.
- Evitar calor excessivo nos testículos, que funcionam naturalmente a cerca de 1 a 2 °C abaixo da temperatura corporal. Evite banhos muito quentes, saunas, jacuzzis, computador portátil ao colo durante longos períodos e roupa interior demasiado apertada.
- Reduzir exposição a toxinas ambientais, como pesticidas, metais pesados e alguns produtos químicos, que podem causar alterações hormonais, stress oxidativo e danos no ADN dos espermatozoides. Utilize equipamento de proteção e prefira recipientes de vidro ou cerâmica para aquecer alimentos.
- Evitar drogas recreativas e o uso desnecessário de hormonas. A cannabis, os opioides e os esteroides anabolizantes, podem interromper a produção de espermatozoides, sendo a recuperação frequentemente lenta e incompleta. Consulte o seu médico antes de interromper ou alterar qualquer medicação, especialmente se estiver a planear uma gravidez.
- Manter uma boa rotina de sono. Dormir sete a nove horas por noite e manter horários regulares pode beneficiar a saúde reprodutiva. A privação crónica de sono está associada a alterações da qualidade do esperma e da função sexual, especialmente em trabalhadores por turnos e homens com perturbações do sono, como a apneia do sono.
Embora nem todos os fatores que influenciam a fertilidade masculina possam ser controlados, a adoção de um estilo de vida saudável pode melhorar a qualidade do esperma e aumentar as probabilidades de uma gravidez. Se estiver a tentar engravidar há mais de um ano (ou seis meses se a parceira tiver 35 anos ou mais), procure aconselhamento médico para uma avaliação adequada.
Por: Mariana Belchior, Embriologista Júnior na Ferticentro, Doutoranda na Universidade do Porto e Universidade de Aveiro e Bruno Barauna, Responsável pela Qualidade no Laboratório e Embriologista na Ferticentro.
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