Há galhardete de Guimarães, neste momento, em cima de uma secretária em Belgrado. Deixámo-lo lá, eu e a minha colega Carla, no gabinete de um dos organismos do Ministério da Educação da Républica da Sérvia que nos recebeu em julho, para partilha de práticas e políticas sobre Ensino Profissional. O anfitrião segurou-o com um sorriso e, antes que pudéssemos explicar de onde vínhamos, já alguém na sala falava do Vitória. A cidade-berço, descobrimos, é famosa por terras sérvias.
Job Shadowing, “seguir alguém como uma sombra”, na prática, é uma das coisas mais transformadoras que um professor pode fazer – aprender e partilhar, levar a sua escola para o mundo e trazer mundo para escola. Durante uma semana, observamos como um outro país pensa, organiza e concretiza as suas políticas de educação: fomos recebidas na Agência de Qualificações, no Gabinete para o Ensino Dual e no Instituto que apoia o desenvolvimento curricular das escolas profissionais; visitámos escolas, centros tecnológicos e centros de recursos.
E aqui está a primeira coisa que trouxe na bagagem: as políticas públicas de educação não são abstrações de gabinete, vêem-se! Vêem-se na forma como um quadro de qualificações dialoga com as escolas, como as empresas participam na formação e como se valida o que se aprende fora do sistema formal. Porque a aprendizagem não acontece só nas salas de aula: dá-se no trabalho e na vida, e um sistema educativo deve conseguir reconhecer, certificar e valorizar estas vivências.
A segunda coisa que trouxe foi a confirmação de que não estamos sozinhos neste caminho. A União Europeia fez do Ensino Profissional uma aposta estratégica assumida: mais jovens no ensino profissional, mais adultos em formação, mais mobilidade internacional. O programa Erasmus+ é o braço mais visível dessa aposta e é por isso que uma escola pública de Guimarães pode sentar-se à mesa com uma agência governamental em Belgrado e discutir como se reconhecem competências e se garante a qualidade da formação. Temos a honra, aliás, de ser parceiros dessa agência numa candidatura conjunta a um projeto de cooperação.
“Quem coordena mobilidades no ensino profissional assiste a uma metamorfose: o aluno que parte não é o mesmo que regressa.”
A razão pelo trabalho e insisto neste programa não são as siglas, são os alunos. Quem coordena mobilidades no ensino profissional assiste a uma metamorfose: o aluno que parte não é o mesmo que regressa. Volta com novas competências técnicas, após lidar com métodos e exigências diferentes, mas volta sobretudo maior. Aprendeu a trabalhar numa língua que não domina, a conviver com colegas que não escolheu, a gerir um orçamento e a resolver os pequenos “naufrágios” do quotidiano. E descobriu, vivido na própria pele, o que é ser cidadão europeu.
Competências técnicas, pessoais, interpessoais e de cidadania: é esta formação integral que o Erasmus+ oferece aos alunos, e é por ela que vale a pena cada formulário, cada documento, cada negociação, cada reunião, cada relatório, cada madrugada em aeroportos.
Um curso profissional não é um plano B, é um caminho de excelência que forma técnicos e cidadãos! E quando uma escola pública consegue pôr os seus alunos a estagiar em Viena ou em Antuérpia, e as suas professoras a discutir políticas educativas em Belgrado, está a dizer-lhes que o mundo também é deles.
O galhardete ficou em Belgrado. Mas o que trouxemos de lá, ideias, parcerias, e a certeza renovada de que o trabalho vale a pena – irá dar frutos cá, nas salas e oficinas da nossa escola.
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