Teresa Costa
Licenciada em RIEP - Relações Internacionais Económicas e Políticas, pela UM. Business Director da Escola de Línguas "Fun Languages-Guimarães", Centro Autorizado de Preparação para exames de Cambridge, Centro Certificado pela DGERT como entidade formadora no Ensino de Línguas Estrangeiras segundo os níveis definidos pelo Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR) e Língua e Literatura Materna (Português para estrangeiros).

Guimarães tem um perfil industrial indissociável da sua história

A história, as gentes e o tecido económico do passado mais recente do concelho de Guimarães assentam no seu perfil industrial. Guimarães é indissociável das indústrias que forjaram o seu povo, o seu tecido económico, mas também o seu urbanismo.

Os curtumes, atividade já inexistente no concelho, o calçado, o têxtil e as cutelarias, que tiveram, e continuam a ter, relevância nacional e internacional, marcaram e continuam a marcar não só as pessoas e as famílias vimaranenses, mas também a sua paisagem.

E o urbanismo, que reflete o modus vivendi de uma sociedade, assume particular importância para conhecimento dessa comunidade, das suas opões comunitárias, dos seus valores e do seu processo evolutivo.

Por isso, para o concelho de Guimarães e para as suas gentes, o património industrial é fundamental para o conhecimento da sua história, das vivências das suas famílias e das suas empresas, e da sua própria evolução.

O espólio industrial, imobiliário e mobiliário, é a nossa identidade e por isso jamais o podemos nem devemos perder…

Olhar e entender o nosso espólio industrial é reconquistar a nossa identidade, é responder ao como e ao porquê do que somos e de como aqui chegámos. O espólio industrial, imobiliário e mobiliário, é a nossa identidade e por isso jamais o podemos nem devemos perder. E esta é uma matéria importantíssima, mas pouco debatida.

Por isso, a recuperação, rentabilização e valorização de edifícios industriais agora devolutos, em ruína ou ameaçados de desaparecer, e que deterioram a qualidade urbana e a própria comunidade, deve ser alvo de análise cuidada de qualquer plano de requalificação que façamos do nosso património edificado.

Não somos os primeiros a ter esses cuidados em preservar a história e as vivências comunitárias: a requalificação do património industrial mereceu particular cuidado em cidades industriais europeias como Manchester, Mulhouse e Genève, que preservaram os seus edificados industriais, os reabilitaram e os reconverteram como meio de preservar a sua história e as suas memórias.

E este assunto assume agora particular importância para Guimarães quando se pretende que algum do seu núcleo histórico que albergou parte do seu passado industrial seja classificado como património da humanidade, ou seja, como valor, não apenas nosso, mas do mundo.

Faço, também, minhas as chamadas de atenção que foram já feitas no âmbito da discussão pública sobre o Plano de Gestão para o CE e ZC por uma entidade de particular importância e relevo na preservação do património vimaranense sobre a necessidade de elaboração de um plano de salvaguarda do património industrial de Guimarães, que “deverá conter os critérios de inventariação do património industrial edificado, no espaço público e privado, que tendam a salvaguardar esse património”, dando “atenção àquelas que são as nossas indústrias fundamentais e o contexto em que aquelas se criaram e laboraram”. E não só na zona que venha agora a ser submetida às decisões da UNESCO.

É o que os vimaranenses exigem ao poder executivo.

© 2021 Guimarães, agora!


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