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Quarta-feira, Julho 24, 2024
Milene Castro Silva
Milene Castro Silva
Nutricionista e escritora. Nasceu e cresceu em Guimarães. Licenciada em Nutrição e graduada em Artes da Escrita. Exerce consultas de nutrição clínica, área pela qual nutre um gosto particular assim como pela escrita. Foi autora e coautora de vários livros na área da nutrição. A sua primeira obra foi lançada em 2018.

Existe relação de doença crónica em adulto com os primeiros 1000 dias de vida?

Os primeiros 1000 dias de vida correspondem ao período entre a gravidez e o segundo ano de vida da criança. É nesta ocasião que fatores externos como a alimentação estão associados a efeitos de longo prazo na saúde da criança, incluindo o risco de desenvolver doenças tais como doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.

Segundo a literacia científica pensa-se que esta descoberta tenha iniciado o seu estudo na Segunda Guerra Mundial, mais concretamente durante a Dutch famine 1944-1945. Nesta altura foi estudado indivíduos jovens cujas mães viviam em áreas afetadas pela fome em comparação com mães que viviam em áreas não afetadas. O que conclui foi que os indivíduos das mães que passaram fome apresentaram taxas mais baixas de obesidade.

No Reino Unido, entre 1911 e 1930, um epidemiologista, David Barker, mudou o conceito de que as doenças crónicas derivam apenas de fatores genéticos e do estilo de vida na fase adulta. Estudaram-se várias condicionantes como, por exemplo: a associação entre peso ao nascer com a data de certificado de óbito. Sabem que o se verificou?

Os indivíduos que apresentaram baixo peso ao nascer tinham maior risco de mortalidade de doenças cardiovasculares e doenças pulmonares. Em pleno século XXI e com o conhecimento de vários anos de estudo, sabemos que os primeiros 1000 dias de vida passam por um fenómeno “programação metabólica” em que a presença ou a ausência de alguns nutrientes durante períodos do desenvolvimento pode determinar uma resposta metabólica com alterações permanentes (doenças).

Nutrientes como a proteína, ómega 3, ferro, zinco, iodo, ácido fólico e as vitaminas A, D, B6 E B12 são essenciais para o bom desenvolvimento ao nível do cérebro e da coluna da criança.

O período pós-natal também se assume uns dos mais importantes na prevenção de doença.

A evidência científica ainda demonstra que o excesso de açúcar descontrolado durante a gravidez e o ganho de peso gestacional excessiva, assim como a exposição a tabagismo, podem aumentar o risco de obesidade na infância. Mas atenção que a científica diz que não é apenas a mãe, mas sim a saúde geral dos pais antes da conceção. O período pós-natal também se assume uns dos mais importantes na prevenção de doença. Amamentação tem sido uma das aliadas na prevenção de doença.

A ciência ainda demonstra que o excesso de proteína na infância (até aos 2 anos) aumenta o risco de obesidade infantil. É importante referir que uma pré-conceção saudável assim como a gravidez e a infância são fundamentais para preparar o organismo para crescer saudável e sem risco de doenças crónicas. Os primeiros 1000 dias de vida consistem numa oportunidade única para os pais na prevenção de doenças dos seus filhos.

O caminho nem sempre será fácil, mas com paciência, apoio e carinho o resultado terá um valor inestimável: saúde.

Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas nº1828N

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