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Guimarães
Quinta-feira, Fevereiro 2, 2023
Miguel Leite
Miguel Leite
Natural de Guimarães, Fisioterapeuta Licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também Pós Graduado em Fisiologia do Exercício e Fisioterapia Cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

“Correntes do tempo”

O cérebro é uma estrutura altamente especializada e diferenciada fundamental em tudo o que caracteriza a nossa existência enquanto seres vivos racionais. Quando a sua integridade é colocada em causa, advém dessa situação diversas problemáticas que podem eventualmente pôr em risco a sua funcionalidade dinâmica, bem como, do restante corpo humano.

O Parkinson é uma doença cada vez mais comum, com tendência a aumentar com o envelhecimento, normalmente com um surgimento acima dos 50 anos, no entanto, começa a surgir em indivíduos abaixo dos 40 anos, ainda que em percentagens baixas. A mesma encontra-se intimamente ligada a uma substância química, designada de dopamina (neurotransmissor), que exercendo funções de condução de informação dos movimentos do corpo, apresenta-se neste caso em concreto com uma produção diminuída.

Existem sintomas característicos desta patologia, como sendo, os tremores (numa mão, num braço ou numa perna normalmente em repouso), a rigidez músculo-esquelética (sensação de “corpo congelado”) e a lentificação dos movimentos (bradicinesia). Tendo em atenção que esta patologia afeta a funcionalidade global do paciente, e sendo uma doença crónica, progressiva e degenerativa, o fator emocional deve ser também focado pois quadros de depressão podem estar associados.

“Estudos atuais têm vindo a demonstrar algumas formas de tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes…”

O paciente têm noção que o seu corpo não responde à sua vontade intrínseca. A sua dificuldade na execução de um determinado movimento, compromete as suas atividades de vida diária, potencia desequilíbrios constantes e conduz a um risco de queda elevado. Continua a não existir uma cura associada ao Parkinson, porém estudos atuais têm vindo a demonstrar algumas formas de tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes, contribuindo para um melhor controlo da sintomatologia, sendo através de fármacos ou de técnicas especificas da Fisioterapia que possam potenciar a independência funcional dos utentes, dependendo sempre do estado patológico num determinado momento.

A Hidroterapia é exemplo disso mesmo, pois apresenta-se como sendo uma área de intervenção da Fisioterapia que pode contribuir em muito para melhorar a qualidade de vida do indivíduo. O facto de o tratamento realizar-se dentro de água, permite ao utente maior liberdade de movimentos, que não são possíveis em ambiente terrestre; as distintas propriedades da água permitem um aumento do fortalecimento muscular através de exercícios específicos e direcionados, melhoram o padrão de marcha e potenciam a independência funcional global do utente.

A confiança aumentará gradualmente após as suas habilidades físicas aumentarem, o que proporcionará melhor interação social com terceiros e levará a um bem-estar generalizado e capaz de atribuir ao paciente maior motivação para a realização das suas atividades de vida diária.

A persistência diária por parte do paciente de Parkinson será um caminho que o mesmo não percorrerá sozinho e onde tanto a família, como os profissionais de saúde das mais diversas áreas de intervenção (Neurologista, Fisioterapeuta, Enfermeiro, Terapeuta da Fala, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, Nutricionista, entre outros), terão de ser altamente capazes de limitar o avanço das “correntes do tempo” características da vida humana, proporcionando desta forma uma vida com o máximo de qualidade possível as estes lutadores.

© 2020 Guimarães, agora!

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