Uma Escola-hotel para formação em hotelaria e turismo

O projecto de reabilitação da quinta do Costeado para a função de uma escola-hotel foi visto pelos vereadores, hoje, na reunião da Câmara Municipal.


Filipe Vilas Boas e Pedro Vinagreiro, são os autores do projecto arquitectónico onde se implantará a Escola de Hotelaria e Turismo, na Cruz de Pedra, que vai funcionar na dependência do IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e Ave.

O programa da reabilitação, reconstrução e refuncionalização incidirá sobre dois edifícios: um pré-existente onde funcionará a escola-hotel e um novo para a escola propriamente dita.

Na sua proposta, aqueles arquitectos vimaranenses consideraram a área onde se implanta este equipamento como “uma área importante no contexto da cidade”, uma grande área que marca “a continuidade do centro histórico, no limite da zona tampão” e paredes meias com a zona da cidade desportiva, onde se implantam piscinas e Multiusos e com ligação ao parque da cidade.

Ou seja, o enquadramento da escola-hotel fixa-se numa área de ampliação do centro histórico da cidade, a partir da rua de Camões. E noutra visão, coabita com a circular urbana. Estas fronteiras marcaram a definição dos acessos para aquele espaço, em dois pontos distintos, de modo a identificar as áreas de estacionamento interno, sendo um para os docentes da escola. A proximidade do Multiusos e da sua área de estacionamento permite fazê-la como área complementar de aparcamento, o que pode resolver as questões de estacionamento quando a escola começar a funcionar em pleno para uma comunidade estudantil a rondar as 1500 pessoas.

A casa senhorial existente será recuperada segundo os padrões da reabilitação urbana que distinguem Guimarães e sobretudo a reabilitação que se faz no Centro Histórico. “Há uma forte identidade com práticas de reabilitação que marcam a imagem de Guimarães” – referiu Pedro Vinagreiro. Isto quer dizer que todas as características arquitectónicas do edifício actual serão salvaguardadas, todo o valor patrimonial dessa casa servirão para recordar o que ali existia, de modo a que se tenha a ideia de como como se reabilitou um edifício inicialmente habitacional em hotel.

“De um modo geral a intervenção será pautada pelo respeito pelo existente e pelas técnicas e sistemas tradicionais usadas no centro histórico e pela salvaguarda do nosso património arquitectónico”, contemplado naquela casa.

O programa funcional, mantém os quatro pisos do edifício, sendo utilizado para a cozinha, recepção e áreas técnicas no piso zero; no piso um, há espaço para seis quartos, tal como noutro piso superior. A introdução de caixas de escadas, exteriores, resolveu os problemas relacionados com a segurança contra incêndios. Os alçados – o principal será preservado – serão mantidos com as caixilharias que se possam recuperar, a cozinha ficará nas antigas cavalariças.

© Direitos Reservados

A ideia de Filipe Vilas Boas, foi a de “manter o edifício tal como ele era”, visto do lado da escola que será um edifício novo. Adianta que objectivamente, a proposta arquitectónica apresentada “preserva a história da reabilitação” em Guimarães, preocupação que vai de encontro “ao papel pedagógico do município, no que é inovação e sustentabilidade na prática da construção”.

Os arquitectos crêem que a sua proposta de reabilitação e refuncionalização e construção do conjunto da quinta do Costeado, vão de encontro ao que têm sido “as pretensões de construir uma cidade sustentável, num cenário de competitividade urbana”.
Isso, também, explica a ideia de fazer um edifício novo todo em madeira lamelada e com acabamento necessário, ainda que com cedências ao betão nas paredes e na cobertura.

A filosofia de construção do centro histórico e a que está patente neste projecto tem a preocupação de chamar para a construção civil, “os jovens, com um conhecimento mais alargado, para esta prática de construção porque com a alvenaria e tijolo não se consegue criar mais emprego e muito menos emprego qualificado” – defendeu Filipe Vilas Boas.

© Direitos Reservados

No que toca ao exterior, jardins e espaços para eventos, inclusive de uso pedonal e ciclável, os arquitectos quiseram manter e preservar espécies arbóreas e plantas (como o buxo e as camélias) e enquadrá-las no conjunto construtivo, incorporando algumas opções pelo vidro e pelo transparente, pelo verde, pelo acesso livre e pela facilidade de ver de fora para dentro.

Filipe Vilas Boas, defendeu perante os vereadores que a escola-hotel e os seus dois edifícios, não são um conjunto de “grandes luxos, com esmerados acabamentos”. Disse mesmo que a sua construção “é muito simples, sustentável, confortável e moderna” capaz “de chamar a si as memórias da cidade e demonstrar que Guimarães tornou-se famoso pela simplicidade de acções no centro histórico”. E reiterou que “é essa imagem que queremos passar com a solução que criamos para este conjunto: fazer simples, fazer diferente e fazer bem”.

No que toca aos materiais utilizados, para além da madeira lamelada do novo edifício onde funcionará a escola, a opção pelo acabamento cerâmico na construção tradicional portuguesa, é importante no contexto dos custos de manutenção que serão mais baixos, num edifício muito contemporâneo, onde o vidro também terá alguma expressão sobretudo nas zonas mais abertas, por onde entrará a iluminação suficiente para reduzir custos com energia.

Uma chamada de atenção para os percursos pedonais e cicláveis que passarão no interior do aglomerado, uma vez que ficarão ligadas às redes existentes em redor da quinta, de modo a fazer com que “o centro histórico chegue à circular”.

© 2021 Guimarães, agora!


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