Lembrar a história do 24 de Junho chorando a pandemia da Covid-19

O 24 de Junho é uma data com história nacional e local, onde nos sentimos projectados, desde há séculos – 892 anos – e a cada ano se torna mais longínqua, nos feitos, nos efeitos, nos sonhos. É uma data memória, inigualável, pelo contexto que se evoca mais para servir de festa, do que para servir de exemplo e singularidade, na nossa contemporaneidade.

Texto de: José Eduardo Guimarães

O de 1128, continua impregnado na nossa memória colectiva – de vimaranenses -. É uma data – feriado municipal – nos dias de hoje que vamos evocando e lembrando, apenas na sua dimensão histórica, registada no calendário das efemérides.
Porém, até hoje, o 24 de Junho… é mais um dia do calendário que vai passando. Sem projecção nacional – não é a presença de um Secretário de Estado qualquer nas cerimónias – que lhe outorga a qualificação, uma data que muitos pedem para ser resgatada à sua dimensão nacional com o significado verdadeiro de Dia Um de Portugal, e com o verdadeiro espírito de que “Aqui Nasceu Portugal”.

Apesar das promessas, dos esforços, dos congressos históricos, a dignificação do 24 de Junho não passa do desejo dos vimaranenses, do interesse de alguns historiadores, mantendo-se já como lenda porque a classe política se coloca ao lado desta reclamação de elevar o 24 de Junho de 1128 com o estatuto e dignidade de um país que se orgulha da sua história.
Assim não sendo, o 24 de Junho, em Guimarães tem-se assumido mais como dia do Município, encorpado no estatuto de dia da “Batalha travada a 24 de Junho de 1128” in campo Sancte Mameis quod est prope castellum de Vimaranes (infopédia – dicionários Porto Editora).

Todas as cerimónias protocoladas – da formatura da guarda de honra até ao pôr do sol – evocam a história mas assentam no momento presente, das condecorações às inaugurações.
Por isso, o 24 de Junho é uma data memória porque lembra-nos de onde partimos e até onde vamos chegando, marca o nosso ADN identitário, como povo, nação e comunidade. E serve para lembrar-mos os nossos feitos presentes como conquistas.

© Município de Guimarães

Também, o dia já não é batalha porque só o foi na primeira tarde portuguesa. Nas ruas da cidade, no campo de Ataca, entre Aldão e S. Torcato, não há arcos e flechas, cavalos a galope, lanças embainhadas, soldados e arietes, sangue, mortos e feridos, num frenesim militar, de guerra.
É, agora, festa permanente, desde o primeiro ano, este ano marcado pelos efeitos da pandemia da Covid-19 que reduziu o número de protagonistas e assistentes normais aos actos e cerimónias organizados para deixar testemunho sobre a efeméride.

É dia de Guimarães, por algumas horas, porque nesta data também a evocação do espírito e das raízes de Guimarães deveria perdurar numa semana ou num mês, lembrando a nossa identidade como comunidade vimaranense e concelho ou Município de Portugal. Evidenciando em larga escala toda a dimensão histórica, patrimonial, cultural e sócio-económica do que é verdadeiramente Guimarães, muito maior do que aquele que é mostrado ou evocado em slides.

Igualmente, o 24 de Junho se liga à religião pois é dia de festa, dedicado a um santo, este ano sem o alho porro, manjericos, martelos e flores de papel, arraial e sardinha assada, porque no dia em que nasceu Portugal, também é festa de S. João, com palco maior em Polvoreira.
É o 24 de Junho do ano da pandemia da Covid-19… o dia de Guimarães! E os vimaranenses ficaram em casa a gozar o feriado municipal, num distanciamento social que nos castra a vida em sociedade mas que a observância das regras sanitárias impõem, temporariamente.

Ontem e hoje, o 24 de Junho comemora-se segundo um modelo e ritual ditado pelos administradores municipais. É mais uma data que espelha o presente – os feitos e as conquistas dos autarcas – evoca apenas o significado histórico que é pretexto para a comemoração possível.

© 2020 Guimarães, agora!

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