Efeitos Psicólogicos da Pandemia

Testemunho de Patrícia Ferreira (Licenciada em Psicologia).

O momento presente coloca-nos num contexto pandémico, para o qual poucos de nós encontram paralelo na sua história de vida. Muitos terão ainda memórias de situações de elevada depressão social e económica. Esses muitos que constituem agora o maior grupo de risco e vulnerabilidade. Esses muitos que enfrentam agora o mesmo desconhecido que todos nós.

O impacto do isolamento social, para além das óbvias consequências ao nível da proteção da saúde, do provimento das necessidades primárias do quotidiano, da questão económica e da proteção do trabalho, da educação, implicou um reajuste interno para cada indivíduo. Esse reajuste centra-se na maior consciência e reflexão sobre o que somos, que papel ocupamos na sociedade, da importância das relações interpessoais e sociais na nossa vida.

Como nos diz Saramago “É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós”. E agora olhamos para dentro. O ser humano tem a capacidade de se adaptar e reagir, dentro da diversidade de cada um, às mais variadas circunstâncias. É capaz de mobilizar e ativar diferentes respostas para as situações que enfrenta e avançar.

“As entidades públicas e privadas têm assertivamente conseguido mobilizar apoios e solidariedade para suportar as redes de emergências criadas, no apoio aos mais vulneráveis e frágeis da sociedade…”

Contudo, o confinamento, a que cada um de nós, de forma repentina, se viu obrigado a reorganizar-se de modo a que todas as suas dimensões de vida pudessem acontecer no mesmo espaço, impacta interiormente. Esta reorganização prática implica na verdade uma maior reorganização mental, emocional e psicológica. As entidades públicas e privadas têm assertivamente conseguido mobilizar apoios e solidariedade para suportar as redes de emergências criadas, no apoio aos mais vulneráveis e frágeis da sociedade.

O apoio psicológico ressalta aqui como uma das respostas cuja importância será cada vez mais notória no decorrer do tempo. Sobressairá no regresso a uma vivência que se quer o mais normal possível, mas onde o igual nunca será o mesmo. Onde se repercutirão os efeitos do confinamento na necessidade de enfrentar um novo ritmo de vida, de estabelecimento de relações interpessoais e sociais onde inevitavelmente muitos hábitos têm que ser recriados. Sentir-se-á no regresso dos diferentes papéis de cada um ao seu espaço natural: família, parentalidade, amigos, trabalho.

Neste movimento para retoma gradual ao quotidiano, poder-se-á observar um “aumento das perturbações de foro mental, e aumento de reações que embora adaptativas revelam sintomatologia moderada a grave que necessita de intervenção especializada” (Ordem dos Psicólogos). Procurar ajuda é sempre um ato de coragem, de inteligência emocional. Somos mais fortes juntos!

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