José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Os presentes… ausentes!

A última Assembleia Municipal, evidenciou a propensão de na política local – e por via dos políticos locais – se fulanizar competências, estruturas, decisões.
Não há dúvida que vivemos tempos, em que se acentua a má qualidade “política” nos eleitos locais, de que a vulgaridade ganhou estatuto e posto, de que os melhores se afastam ou são afastados, de que o carreirismo é a melhor opção para se guindar na política, pouco contando a qualidade do serviço político prestado, à comunidade.

A noção de que as cidades têm hoje um papel crucial no desenvolvimento, na economia, no ambiente, na cultura, na sociedade, ainda não foi assimilada por uns tantos. E muitos poucos – poucos mesmo – sabem o que devem priorizar na política de cidades que não se pode abstrair de servir e ajudar as pessoas, de forma sustentável e permanente, agora e sempre. E não apenas em certos ciclos políticos.

A discussão, sobre a escolha e indicação, de quem é quem no “Gabinete de Crise” não pode ser nem pretexto para deslocar ou desviar pessoas, nem ser um “Cavalo de Tróia” de interesses que se movem na penumbra, com movimentos de serpente, e objectivos inconfessáveis.

A oposição levantou a questão da fulanização da liderança executiva do gabinete de crise, porventura a lembrar-se do que foi o desastre da relação entre o Município – por António Magalhães, como presidente, e Francisca Abreu como vereadora, com a Fundação Cidade de Guimarães liderada por Cristina Azevedo, cuja experiência na CCDR-Norte lhe valeu o cargo.

Não sendo uma questão crucial também não é uma questão menor. Alguns viram na indicação de António Cunha, uma forma de mudar a rota – ascensional – de Ricardo Costa que tem sido reconhecida pelo seu dinamismo, pela sua entrega, pela sua ajuda, e por entender e atender os empresários, as empresas e dar resposta aos seus pedidos. Outros entendem que sendo ele vereador do desenvolvimento económico do Município, deveria ter um papel mais activo no próprio gabinete de crise, cujas regras de funcionamento, financiamento, e processos de decisão são um autêntico mistério. E o papel e competências de cada um não são bem definidas.

“Finalmente, há quem veja como cirúrgico este “afastamento”, de Ricardo Costa uma forma de diminuir o seu protagonismo quando ele está a disputar eleições para a Federação Distrital do PS…”

Domingos Bragança devia esclarecer isto, de forma até a aumentar o dinamismo do gabinete de crise que tem de ir muito mais além dos workshops, como disseram alguns deputados. A indefinição não leva a lado nenhum.
Finalmente, há quem veja como cirúrgico este “afastamento”, de Ricardo Costa – que Domingos Bragança rejeitou agora, na Assembleia – uma forma de diminuir o seu protagonismo quando ele está a disputar eleições para a Federação Distrital do PS e quando o seu oponente é um militante que nada diz a Guimarães e aos vimaranenses – mas que recebe destes um apoio esquisito e estranho, no mínimo. É que de facto, toda a gente percebeu que quem dá a cara em Guimarães por Joaquim Barreto não é o próprio, são outros.

Um facto, notado, pela sua curiosidade política, é o de Domingos Bragança ter lutado sozinho contra a oposição, por causa desta fulanização do gabinete de crise.
O grupo parlamentar – liderado por militantes nitidamente em rota de colisão com Ricardo Costa por causa da Federação Distrital – nunca levantou o dedo – nem sequer invocou qualquer figura regimental para diminuir a carga de trabalhos de Bragança, o que não seria difícil para aliviar o ímpeto “político” da CDU, PSD e CDS, sobre uma questão que durou… e durou, em diferentes períodos e pontos da ordem de trabalhos.

Como quem está morto… vivo, a bancada do PS não ofereceu qualquer respaldo ao presidente da Câmara, não ajuntou dados novos à discussão desta questão, nem sequer elogiou os fundamentos ou as virtudes do plano de actividades do gabinete de crise. E toda a gente sabe qual tem sido a postura do grupo parlamentar do PS em relação à Câmara. A posição de louvaminhas, esgotou-se na leitura, de discursos escritos, na primeira hora de sessão e esgotou-se quando começou precisamente o combate político, a sério, que massacraram o presidente da Câmara, que deve ter-se sentido como um general sem exército!

Ricardo Costa – foi falado sem falar – e tornou-se assim o ausente presente, contra a vontade de alguns militantes do seu partido e deputados eleitos que não se desligaram das eleições da Federação e deixaram que a oposição navegasse no ataque político como quis. E o grupo parlamentar do PS ao não defender Bragança ou ajudado à sua liça, foi notado.

Por isso, Domingos Bragança não deve temer nunca nem o protagonismo, nem a imagem positiva que o seu vereador – tem na praça pública, tal como têm outros vereadores, até porque é bom saber que há quem se distinga fazendo bem e não praticando o mal.
E Guimarães ganha com isso, se a fulanização na Câmara – e também no PS – não se guiar apenas pela defesa de interesses próprios e mesquinhos.

© 2020 Guimarães, agora!

2 COMENTÁRIOS

  1. Lamento muito que certas pessoas de Guuimarães , tenham decidido apoiar uma pessoa de Celorico de Basto para presidente da Distrital , se temos um candidato de Guimarães competentíssimo !!!! Qual será o motivo ??? Será que estão com medo dele , ou tem outras promessas de interesse pessoal ???

  2. É lamentável que hajam pessoas em Guimarães a apoiar um indivíduo de Celorico , quando temos um candidato super competente para o lugar de presidente Distrital !!!

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