Vitória: quando a ficção distorce a realidade…

Foram três, podiam ser cinco golos mas o importante é reter que o Vitória é o que é… e nenhum discurso pode mudar a realidade, como em Braga se demonstrou.


O Vitória tem de pensar em viver o seu próprio campeonato e interiorizar a sua própria realidade. Se encontrar essa paz em si mesmo, talvez até outros resultados apareçam no horizonte do calendário futebolístico. Não há nenhuma razão para pensar que o sumo de um limão, seja igual ao de dois ou mais.

Com um processo futebolístico simples, executado por jogadores de classe, rotinados num esquema virado para a baliza, e para fazer golos (tem 42 em 22 jogos), o Braga não se importou com a posse de bola e construiu o resultado que mais lhe convinha, aguentando o 2º lugar na Liga.

Ter mais posse de bola, hoje, no futebol significa várias coisas. Uma delas é que pode mostrar a utilidade de tanta posse se não se fazem golos; depois que a posse também significa que uma equipa deixa a outra entreter-se com a bola mostrando a sua fragilidade ofensiva; torna claro quão penoso são os caminhos labirínticos para chegar à baliza contrária; desgasta a equipa num jogo sem objectividade de passa para o lado, para trás ou para canto; e provoca erros de que o adversário se pode aproveitar.

Em Braga, o Vitória mostrou que não há dois jogos iguais mas que em todos os jogos se repetem os mesmos erros individuais e colectivos, de estratégia e que à sua equipa falta, o que é comum ver-se em outras mais avançadas. Alguém já notou quantos golos se sofre do lado direito da defesa e porquê?

No futebol, ao querer e à vontade de vencer, tem de se juntar a arte e o engenho, a competência e a disponibilidade para tornar o fraco forte e o forte fraco.

© VSPORTS

O que acontece é que dentro de campo, os erros sucedem-se a um ritmo quase industrial, automático, permanente. O Braga, marcou um golo, num lançamento de linha lateral, com a bola a ser lançada ainda no seu meio campo. É incrível? É… mas não é novidade nenhuma. No ataque, uma outra situação poderia ter dado golo? Sim, aquele lance do Rochinha precisava lá do Óscar Estupiñán mas não jogou.

João Henriques não pode ter um discurso na véspera de um jogo que não se materializa no decorrer da partida. Como diz o povo “não bate a bota com a perdigota” e já é tempo de parar de criar falsas ilusões, de aumentar a frustração dos adeptos que, românticamente, pensam que o Vitória é… o que foi, em relação ao Braga.

Não, não é, na última década o desequilíbrio é tal que não podemos pensar no querer mas sim no poder e se é possível ser igual. Entretanto, o tempo passa, e no futebol como na sociedade, os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Também, é verdade que o Vitória tem uma equipa que vive de impulsos, dá um ar da sua graça, em alguns momentos do jogo – viu-se depois dos 50′ – mas tudo se esfumou num jogo banal, a que faltou raça – à dimensão da que o actual quadro de jogadores oferece – com Rochinha a ser mais notado e a defesa a não resguardar-se da invasão bracarense.

© Vitória SC LPFP Lusa

O Vitória jogou com: Bruno Varela, Ouattara (Mikel Agu 62′), Jorge Fernandes, Mumin, Mensah (Rúben Lameiras 77′), André Almeida, André André (Miguel Luís 89′), Pepelu, Edwards (Quaresma 62′), Bruno Duarte (Noah 77′), Rochinha.

Notas da realidade virtual:

  • Os números também distorcem a realidade e as estatísticas registam que o Vitória foi severamente dominador por ter tido 67% de posse de bola contra 33% do Braga;
  • Também no que se refere aos números de cantos, o Braga teve 3 e o Vitória 12, tendo em número de remates havido uma quase igualdade (9-8 a favor dos bracarenses);
  • Se a realidade virtual é esta o resultado é uma ficção pois o Braga marcou cinco golos, com três apenas a serem contabilizados pela lei da régua e do esquadro que salvaguarda a verdade desportiva;
  • Ou seja, com tantas notas falsas, não pode ficar a ideia de um Vitória conquistador, aceitando-se melhor o conceito de um Braga guerreiro que fez o que lhe competia: matou o Vitória com três golos;
  • Os números também deviam fazer reflectir dirigentes e treinadores: uma equipa que tem quase tantos golos marcados como sofridos não joga para a Europa ou para o 3º lugar. Quando tem apenas 27 golos em 22 jogos, a média de mais de um golo por jogo, também não augura nada de extraordinário;
  • O jogo de Braga devia fazer, quem manda no Vitória, acercar-se da realidade e não pretender ir à Europa com uma equipa que está um pouco acima do meio da tabela, não é consistente no ataque, é sofredora na defesa permitindo golos infantis e próprios do futebol popular;
  • Por fim, a realidade virtual não pode ser aumentada por muito que os “especialistas” cá da praça – futebolística – desejem;

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