São docentes, investigadores e trabalhadores não docentes e não investigadores da Universidade do Minho, com ligação à vida política, social e cultural do Município de Guimarães, que subscrevem um manifesto de repúdio pela recepção do Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, no passado dia 14 de Setembro.
Manifestam a sua “perplexidade perante uma iniciativa que, segundo a informação divulgada pelo Município, teve como objectivo explorar novas possibilidades de colaboração nas áreas da inovação, tecnologia, protecção civil, qualificação de recursos humanos e atracção de investimento”.
E que, perante a gravidade da situação vivida na Palestina, este encontro não pode ser entendido como “um simples acto de normalidade diplomática, contribuindo, pelo contrário, para a normalização da actuação do Estado de Israel e para o branqueamento das graves violações dos direitos humanos denunciadas no manifesto”.
Os signatários sublinham “o compromisso com a procura da verdade, a preservação da memória e a defesa dos direitos humanos e do direito internacional”.

E não entendem que a normalidade das relações diplomáticas, invocada por Ricardo Araújo para receber Oren Rozenblat, visando explorar “novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território, como a inovação, a tecnologia, a protecção civil, a qualificação de recursos humanos e a atracção de investimento”, representasse uma tomada de posição sobre a política internacional daquele país.
“O facto é gravíssimo por objectivamente branquear um genocídio de dimensões terríveis que prossegue quotidianamente na Palestina” – salientam os membros subscritores do manifesto.
E justificam que, como universitários, “temos um compromisso pessoal e profissional com a procura da verdade e a preservação da memória. Jamais poderemos pactuar com o esquecimento”.
Ressalvam que “não acreditamos que o presidente da Câmara de Guimarães concorde com o Governo do estado sionista em que Israel terá adquirido um direito superior e absolutamente ilimitado de se defender, justificando, assim, a matança de dezenas de milhares de civis inocentes, como inevitavelmente o são as crianças, e classificando-os como danos colaterais”.
Em várias interrogações que fazem à atitude do presidente da Câmara, os membros que subscrevem este manifesto perguntam se “não o incomoda, em nome do Município de Guimarães, assumir uma posição ao arrepio de um consenso verdadeiramente representativo de toda a comunidade dos munícipes que o elegeram?”
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