Ricardo Araújo: reconheceu que “não há modalidades ‘de homens’ ou ‘de mulheres’”

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O presidente da Câmara está a reforçar a sua popularidade, entre os vimaranenses, com actos simples e abrindo as portas de Santa Clara a cidadãos improváveis, a famílias e a pais orgulhosos dos feitos dos seus atletas.

Ainda antes da sessão se iniciar, murmurava-se “lá vamos ter o salão nobre cheio e apinhado”, outra vez. Depois da equipa do Vitória que venceu a Taça da Liga, dos atletas que se sagraram campeões europeus, eis o Município a reconhecer que no Kickboxing (feminino) e no All Dance World há mulheres a dar cartas, conquistando títulos.

“Guimarães orgulha-se de ter atletas que não competem apenas por medalhas, mas também pelos valores do desporto e pela afirmação do nosso território no mundo”, afirmou o presidente da Câmara, ontem, a meio da tarde.

Ricardo Araújo não distribuiu chá mas não lhe faltou simpatia e estatuetas de D. Afonso Henriques para quebrar o frio da chuva que se sentia cá fora e do gelo associado ao contacto entre o presidente da Câmara e os cidadãos. 

Sofia Oliveira foi a primeira portuguesa a conquistar o ouro em Kickboxing. © Direitos Reservados

E partilhou a mesa da sessão com Sofia Oliveira, campeã mundial de Kickboxing e a professora Catarina Pacheco, orientadora do grupo de dança BM Crew, cujas meninas se sagraram campeãs do mundo no All Dance World.

O Município de Guimarães recebeu e homenageou – reconhecendo publicamente o seu mérito -, a dedicação e o contributo destas atletas e colectivos para a afirmação da cidade no panorama desportivo e cultural internacional. Ricardo Araújo deixava clara que em matéria de campeões não os há de primeira ou de segunda. E muito menos se são homens ou mulheres.

Desempoeirada a sessão – porque o oficial também pode ser simples e popular – Sofia Oliveira viu-se reconhecida como a primeira portuguesa a conquistar o ouro num Campeonato do Mundo sénior da WAKO – Associação Mundial de Organizações de Kickboxing. E deu ao Desportivo de Guimarães, uma associação menos conhecida, um título no Campeonato do Mundo realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, entre 21 e 30 de Novembro. E que agora mereceu a distinção municipal.

“Ganhar e ser mulher num desporto de combate é ainda motivo de maior orgulho.”

Sofia Oliveira sublinhou que a sua conquista vai além do resultado competitivo. “Eu não luto só em cima do ringue. Luto também pelo desporto e pela parte feminina. Ganhar e ser mulher num desporto de combate é ainda motivo de maior orgulho”, sustentou com simplicidade mas com a firmeza de um golpe nos tabús que ainda existem sobre o valor das mulheres.

A prestação colectiva, do grupo de dança BM Crew, que se sagrou campeão do mundo no All Dance World, uma das competições de dança mais prestigiadas a nível internacional, levou ao salão nobre, pais, irmãos, avós e o presidente da Junta de Selho São Jorge, num espírito de família para ver a consagração local de um feito internacional, acontecido em Orlando, no estado da Flórida, nos Estados Unidos da América, entre 27 de Novembro e 1 de Dezembro, de 2025, reunindo dezenas de equipas de vários países, com Portugal a alcançar o lugar mais alto do pódio. 

As meninas do BM Crew arrasaram a concorrência nos Estados Unidos da América. © Direitos Reservados

“Nada disto seria possível sem o apoio incansável dos pais e das instituições que acreditaram em nós.”

Catarina Pacheco, a professora que orientou a equipa, destacou o percurso exigente até ao título mundial. “Foi um trabalho longo, iniciado em Março, com meses de ensaios intensivos. Nada disto seria possível sem o apoio incansável dos pais e das instituições que acreditaram em nós”, referiu, sublinhando que o grupo conquistou não só o título mundial, mas também distinções adicionais que reforçam o prestígio internacional da escola. “O nosso objectivo é continuar a representar Guimarães pelo mundo”, acentuou. 

O presidente da Câmara irradiava a sua satisfação pela casa cheia e pelos feitos desportivos que entrarão na história do desporto em Guimarães. O papel transformador do desporto na sociedade foi o mote das suas palavras. “O desporto promove bem-estar físico e mental, cria laços comunitários, promove a inclusão social e oferece oportunidades independentemente da origem social ou económica”, afirmou, elogiando a humildade e a consciência cívica demonstradas pelas atletas. 

“Vocês levam Guimarães convosco, com toda a sua história, identidade e ambição.”

Destacou ainda a dimensão simbólica das conquistas alcançadas. “Quando atletas atingem este patamar internacional, tornam-se embaixadoras do território. Vocês levam Guimarães convosco, com toda a sua história, identidade e ambição”, disse ao jeito de um incentivo mais para as campeãs continuarem no topo e a servirem de exemplo para as gerações mais jovens. 

Ricardo Araújo não esqueceu o orgulho acrescido por se tratar de jovens atletas mulheres, afirmando que estes sucessos ajudam a quebrar estereótipos de género no desporto. “Estes exemplos mostram que não há modalidades ‘de homens’ ou ‘de mulheres’. Há talento, trabalho e dedicação”, concluiu.

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