Os candidatos à eleição de presidente da Federação Distrital de Braga, são de Guimarães, um caso único na história do PS distrital.
Os seus egos e personalidades valem mais do que os projectos políticos que poucos conhecem ou leram. Na hora de votar, os militantes vão escolher entre duas caras – mais conhecidas por cá – do que no distrito de Braga.
Há uma verdade clara: no “todos fazemos parte” de Ricardo Costa não cabe Sérgio Castro Rocha; também, no “outro caminho” de Sérgio Castro Rocha não há lugar para Ricardo Costa.
As duas candidaturas, mesmo que os políticos mudem de ideias, de um dia para o outro, são antagónicas, até pelos apoiantes. Basta ver a lista de cada um para perceber isso.
O lugar de presidente da Federação dá direito a um cargo quando ocorram eleições legislativas, dá mais poder se o Governo for do PS e, ambos, procuram firmar-se no panorama distrital ambicionando ser maiores por lá do que por cá.
Domingos Bragança aparece ao lado do ex-presidente de Junta porque é antagónico de Ricardo Costa, o vereador que esteve ausente da reunião de Câmara destinada a votar a ‘Medalha de Ouro’ da cidade ao ex-presidente da Câmara. Uma ausência bem notada que evidencia como as diferenças entre todos são muito mais do que mera divergência programática.
A divisão é a pedra de toque nesta e noutras eleições que se seguirão e que não só levou ao desmoronamento do PS Guimarães como empurrou todos, uns para cada lado.
Para a comissão política concelhia do PS, o cenário repete-se com outras protagonistas, figuras de segundo plano que procuram arrumar a casa, “destruída” pelos seus pupilos ou alter-egos. Aqui se o alinhamento de Paulo Renato Faria é evidente com Ricardo Costa e se Pedro Mendes é mais conotado com Luís Soares do que com os dois militantes que disputam a Federação, podemos assistir a um cruzamento de votos, sempre com base na cara dos candidatos.
No plano das ideias, Pedro Mendes fez circular as suas ideias e lista que concorre. Já Paulo Renato Faria prefere manter em sigilo o seu programa e a sua lista, num registo de opacidade que o partido a nível nacional não pratica. A transparência está na linha de Mário Soares que todos idolatram mas pouco seguem em termos de princípios democráticos, preferindo “jogar” no escuro.
Outra curiosidade está na lista que se candidata à estrutura concelhia das Mulheres Socialistas: as vizinhas Adelaide Silva, de Ronfe, e Fátima Saldanha, de Brito, lutam por representar uma estrutura que costuma a ser coadjuvante do poder instituído.
As duas ex-presidentes de Junta, ambas apoiantes de Paulo Lopes Silva na eleição para a concelhia local, procuram manter uma distância que as coloque ao lado de Pedro Mendes e Paulo Renato Faria e de Ricardo Costa e Sérgio Castro Rocha.
Também para a Federação da estrutura federativa de Braga das Mulheres Socialistas, há nuances engraçadas.
Joana Cunha, do PS Guimarães tornou-se a candidata prematura ao lugar de líder distrital das Mulheres. Foi a primeira e depois teve a concorrência de Idalina Forte. Agora aparecem as duas na mesma lista contra Vânia Cruz, a mulher de Vieira do Minho que mantém o mesmo propósito de liderança.
Só os resultados podem ditar se um novo ciclo político, em Braga e em Guimarães, fortemente dominado por militantes vimaranenses, não apenas para a concelhia local mas para a Federação, se inicia amanhã. E perceber-se-á melhor qual é o alfa e ómega da divisão do PS em Guimarães.
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