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Guimarães
Quinta-feira, Fevereiro 2, 2023
José Eduardo Guimarães
José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Um Norte, sem norte!

Já não é a primeira vez que a TAP aparenta justificar os seus problemas financeiros, com a operação instalada a Norte, no aeroporto de Sá Carneiro. E a redução de voos internacionais – que afecta uma região exportadora, virada para o comércio exterior e aberta ao mundo global – é apresentada como receita trivial para que a companhia aérea com bandeira portuguesa, ganhe viabilidade e resolva os seus problemas. Como sempre e perante casos deste género, o Norte reage a uma só voz, com o Porto a desejar representar um tecido económico e social, via associações, todas sediadas na cidade invicta. As outras associações, regionalizadas, fazem de conta, interpretado mal que o problema não é deles.

Tal como os autarcas que só representam o norte e o seu Município quando o governo tem cor política diferente. O que provoca um folclore de insurgentes, sazonais, que se exprimem quando o governo do país, não é da sua cor. Ou seja, os nossos autarcas são solidários com o governo do país, se ele for do mesmo partido, e calam-se; são contra se ele for liderado pelo partido opositor e berram. O que dá para se perceber que temos um coro, nortenho, de autarcas, de regiões diferentes, desafinado, a várias vozes, deixando o regionalismo cair, em detrimento de solidariedade política e favores partidários – se o governo for também o seu. Uns dizem que isto é democracia, que é normal, que os autarcas primeiro defendem o partido, e só depois a sua região e consequentemente o seu Município, rejeitando uma posição global, regional e justa.

“Perante esta divisão o Norte leva sempre pancada de Lisboa e Vale do Tejo: é dinheiro dos fundos que é desviado, é recursos que não chegam cá acima…”

Perante esta divisão – partidária – o Norte leva sempre pancada de Lisboa e Vale do Tejo: é dinheiro dos fundos que é desviado, é recursos que não chegam cá acima, são serviços públicos que precisam de esmolas para cumprir a sua função, no Estado a que pertencem. Naquilo que o Norte é bom é a fazer e produzir. Produz e alimenta o país com as exportações, trabalha para aqueles que estão na capital e fazem lá uma vida de rei. E ficamos todos contentes.

Nesta questão da TAP ninguém quer saber. Não há uma posição regional, de insurgência contra o poderia lisboeta, o aeroporto também vale ter voos internacionais directos como ir a Lisboa, as Câmaras Municipais, deixam o palco todo à Câmara do Porto, cujo presidente é o mais nortenho possível, embora sendo o líder da invicta. Nobres cidadãos, cá de cima, estão em órgãos regionais com peso mas não fazem valer a sua força. E o engraçado é que todos defendem a regionalização, o Norte, e a sua comunidade, só que o fazem caladinho, dirão alguns. O que a nossa região tem a menos é líderes, homens e mulheres, capazes de pegar numa bandeira e lutar por ela.

São todos muito tacitistas, e pouco regionalistas. São mais defensores do status quo do que da luta por aquilo que eles sabem ser justo, são mais gente de sofá, do que de rua. Aparentam defender a população mas defendem-se mais a si próprios, fogem das chatices e dos problemas. E depois? Depois, Lisboa continua a mandar no País, curiosamente, por vezes, com gente cá do Norte, que assenta arraiais em Lisboa e dali não quer sair, seja no Parlamento ou no Governo, ou num Ministério qualquer.

© 2020 Guimarães, agora!

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