José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Os efeitos secundários da Covid-19… na política!

As decisões de Domingos Bragança como presidente da Câmara Municipal de Guimarães não podem ser vistas como um comandante que abandona o seu navio sem que ele mergulhe totalmente nas águas do oceano onde se vai afundar. E muito menos que todos os tripulantes estejam a salvo ou fora da embarcação. Ou dar sinais de um homem intranquilo, que não tem soluções, para enfrentar as dificuldades decorrentes dos efeitos secundários da Covid-19.

Muito menos mostrar-se como um político que pode descartar quem consigo concorre nas eleições, em listas partidárias, e que por ter ideias diferentes, quase sempre pontuais, entende que o quero, posso e mando, é o melhor caminho, para impor autoridade e mostrar o seu mando, quando não é!

Estas investidas pessoais contra quem manifesta liberdade de pensamento, juntando os fracos aos maus, numa tentativa de expulsar os bons e competentes, aparentemente sinalizados como maus da fita, está a deixar a imagem do PS em Guimarães em muito mau estado. E a da Câmara Municipal como se de uma vulgar repartição se tratasse ou até mesmo uma quinta com patrão. E muitos jornaleiros. Convém recordar que o povo não dorme, que observa mais do que age, e que na hora da eleição mostra toda a sua indignação, votando sabe-se lá em quê ou em quem mas porquê! Domingos Bragança, não tem razão para desbaratar o seu capital político, nem desfazer o capital político de pessoas do seu partido que são mais valias eleitorais, supostamente – por ele – mal avaliadas. E que colaboram consigo, sem o querer despojar, antes o ajudando na missão para que foi eleito.

Há sinais que preocupam na política que se faz, em Guimarães, sobretudo a política rasteira e doméstica, quando se trata de escolher candidatos, com os processos de merceeiro. Ou de dizer mal do “amigo” e do adversário. Para não falar de outra coisas. E até do tempo e do modo da decisão porque um político deve decidir mais do que fazer.

O caso da fotografia “assassina” que mostra um Multiusos inundado com perto de mil pessoas quando já lá estiveram 10 mil, é o mais recente exemplo de como os políticos não podem alimentar o alarmismo quando estamos em tempo de olhar para os problemas com serenidade e competência. É que todos – mas todos – devemos entender que o que está em jogo é Guimarães – a história e a cidade – e não um partido ou aglomerado de militantes iluminados que tendo nascido para a política num berço de oiro, julgam que podem fazer o que lhes vem à cabeça, destronando tudo e todos, apenas porque usam a arma do populismo, ou do sarrafo – tal como no futebol quando se rasteira o adversário – e que Deus a nós tudo perdoa, mesmo as maldades mais inconfessáveis. Ou a sempre usada graxa que devia servir apenas para fazer brilhar os sapatos.

Domingos Bragança é considerado como um cidadão inteligente e só por isso não deve caminhar para o pântano, ou colocar-se a um passo do abismo julgando defender-se de erros que são cometidos na política como na vida em geral, descartando responsabilidades, acusando os outros, sem cuidar de saber da verdade dessas críticas.

E o mais grave é que se fundamentam mal estas práticas desviantes da cordialidade, da amizade política e partidária, assentes em julgamentos de carácter que chegam a ser tentativas de assassinato – neste caso – político. E atropelam-se os fundamentos de uma boa decisão.

Já não é a primeira vez – e o grave é que já é a segunda vez em pouco tempo, que o nosso presidente da Câmara investe em descartar pessoas, discriminá-las em função de que ou são da sua “corte” quando não o são, nem contra si, nem o que representa. Um bom político não inventa inimigos, não persegue adversários, escolhe os bons para não promover os maus, eleva os competentes porque assim pode ter a cabeça fria para melhor decidir – sem precipitações – descansar mais tempo, porque ninguém é eterno na vida e na política com momentos estonteantes que fazem os cabelos mudar de cor. E quando queremos fazer tudo sozinhos…

Quando afirma, que no Domingo, às 11 horas, o Facebook registava um chinfrim do caraças, a propósito do espectáculo do engraçado Nilton e seus pares, só porque uma fotografia, tirada de ângulo apetecível, mostra um aglomerado de pessoas que não significa um ajuntamento. E não cuida de complementar essa informação, como falsa ou verdadeira, acreditando nos que lhe oferecem lenha para se queimar – tal como aconteceu no caso Vitrus – Domingos Bragança mostra não perceber algumas coisas:

  • Que as redes sociais são um poço sem fundo onde não se pode cair;
  • Que são um instrumento para os maus políticos se evidenciarem e mostrarem porque são tão pequenos;
  • Que o Facebook não tem culpa de quem não sabe utilizar as suas funcionalidades e as suas potencialidades e se limita a dizer um palavrão, a insultar o vizinho e a dizer mal da mãe…dos outros!
  • E que é ali que muitos atiram a pedra e escondem a mão;
  • E que reagir a quente não mostra um líder forte mas um líder temeroso;

Verberar o que aconteceu no Multiusos – olhando apenas para um ângulo da fotografia – e elevando-se acima de um erro – que não o é, porque não o foi – ampliando ainda mais a “tolice”, o que resta é que, em política não vale tudo e muito menos bater no vento ou esbracejar contra fantasmas.

Hoje, é tão fácil saber de tudo e de todos, informar-se e escolher a informação que interessa – e não a que outros colocam para seu interesse – que deixar-se ir na onda, do populismo, como se os cidadãos apenas comessem pão…

O presidente da Câmara não devia alinhar pelos que com falinhas mansas lhe sopram ao ouvido e julgando servi-lo lhe colocam cascas de banana no seu caminho. Mas pelas ideias de uma selecção local mais vasta, que tem pensamento próprio e o apoia na prossecução de um fim comum.

É isso que os vimaranenses querem: que a cidade e o concelho andem para a frente, que estejamos atentos à concorrência…

Os tempos são difíceis, e na política o que se deseja é competência. Há quem pense apenas no seu “caso” mas a classe política tem de pensar primeiro em Guimarães e na sua grandeza. Não podemos continuar a ser os “brilha” como os bracarenses nos apelidam. Devemos fazer mais e dizer menos o que vamos fazer. É isso que os vimaranenses querem: que a cidade e o concelho andem para a frente, que estejamos atentos à concorrência, que nos dediquemos menos ao alarmismo e mais à concretização de sonhos. E que sendo democratas não tenhamos uma postura populista que destrói os valores com que fomos educados e habituados a viver.

© 2020 Guimarães, agora!

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