Jornadas Históricas: “Estudar túmulo de D. Afonso Henriques é uma exigência…”

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A ideia de estudar o corpo de D. Afonso Henriques, na igreja de Santa Cruz, em Coimbra, “é uma tentativa falhada com 20 anos” como sublinhou Eugénia Cunha, professora de Ciências da Vida, da Universidade de Coimbra.

E porquê estudar os restos mortais de um Rei? – interrogou, explicando, também, que há razões para realizar o estudo antropológico dos reis. Pela sua importância, validade e fidelidade e pelos exemplos que existem na Europa, citando caso de Joana d’Arc.

Em 2006, uma equipa internacional, estava perante o túmulo de D. Afonso Henriques, pronta a cumprir a sua missão, com autorizações do IPAAR – Instituto do Património. Mas à última hora, uma ordem do Ministério da Cultura parou o que podia esclarecer muito sobre o primeiro Rei de Portugal.

“Os ossos podem contar estórias à história.”

A professora explicou como é possível, com fiabilidade, penetrar nos túmulos, ver o que está lá dentro, e estudar o corpo. “Os ossos podem contar estórias à história” – afirmou na que foi a primeira intervenção nas ‘Jornadas Históricas 2026’. Conhecer a causa da morte, por vezes, a dieta, são possibilidades de estudos que podem ser feitos com as ossaturas de figuras da nossa história.

Eugénia Cunha disse que “chamaram-me salteadora de túmulos”, entre outros actos para a impedir de ir em frente com um estudo que nos diria mais se o que está na igreja de Santa Cruz é mesmo D. Afonso Henriques.

Justificou que através de umas gramas de pó de osso, analisadas em laboratório podia-se determinar a veracidade do que resta do cadáver. Mas as perguntas incómodas e “estúpidas e caricatas” para justificar a não abertura do túmulo de D. Afonso Henriques eram do tipo: “O que vão fazer com o cheiro do corpo?”.

Um ano depois, a professora explicou que houve uma segunda tentativa para ver o túmulo mas foi igualmente negado.

Porém, defendeu, que o estudo antropológico do que está no túmulo em Santa Cruz, forneceria dados relevantes como a data, a causa da morte, e o lugar de nascimento, entre outras.

Eugénia Cunha falou das trasladações – duas – a que foi sujeito o túmulo e até da vontade do Rei D. Miguel de o abrir.

Uma abordagem holística, está, assim, por fazer, utilizando recursos e ferramentas do presente desde a TAC à radiologia até ao ADN.

Mesmo não estando numa posição anatómica normal, era possível confirmar que D. Afonso Henriques tinha os tais dois metros de altura de que falam os historiadores, traçar o seu perfil biológico. A professora de Ciências da Vida sustentou que “D. Dinis morreu com os dentes todos”, um facto que comprovou.

Por fim, declarou: “Estou disponível como técnica e perita” para participar num estudo sobre o Rei de Portugal – e a exemplo do que se já fez na Europa, a outros reis, que foram estudados por equipas especializadas.

“Tocar em D. Afonso Henriques tem consequências na identidade nacional.”

Das jornadas, fica uma “exigência” de que se deve continuar a estudar D. Afonso Henriques, no túmulo. Até porque “já passaram 20 anos depois da primeira tentativa” e com a consciência de que “tocar em D. Afonso Henriques tem consequências na identidade nacional”.

Até porque “estudá-lo desta forma é um contributo para a nossa identidade”. E fazê-lo sem “medos” permitiria saber mais.

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