Eduardo Fernandes
Vimaranense de gema, Licenciado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto, Mestrando em Economia Industrial na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e a trabalhar na área financeira numa Big Four. Apaixonado por Futebol, Comida, Música, Animais e Ambiente nunca dispensa um bom tour de fim de semana pelos restaurantes e tascas Vimaranenses.

Urge refletir sobre o SNS (a sério)

Vivemos tempos difíceis. Tempos que são mais para ação do que propriamente para reflexão. A 2ª vaga da pandemia causada pela Covid-19 está a atingir com força o mundo, Portugal e Guimarães em específico.

Como temos assistido nos últimos tempos, os hospitais começam a ficar sem capacidade para acolher mais doentes. A realidade é que agora, ao contrário do que assistimos na 1ª vaga, os hospitais de campanha não estão a ser montados, pese embora o número de casos diário em Portugal seja bastante superior aos máximos registados na 1ª vaga.

Uma decisão sobre a qual não tenho ouvido ninguém questionar, mas que fará sentido ser questionada. Esta constante saturação dos hospitais e dos seus serviços, que muitas vezes não conseguem tratar os doentes do imediato (Covid-19) e todos os outros doentes, leva muita gente a questionar o sistema de saúde em Portugal. Como aliás acredito ser normal, numa altura de grande stress e necessidade.

A reflexão que aqui quero deixar não é para agora, é para depois. É importante que a reflexão sobre o SNS seja feita de forma séria e fora deste período. E deve ser feita, ao contrário do que tem acontecido, com menos carga ideológica. O serviço nacional de saúde não deve servir apenas como medalha de mérito de um ou outro partido, para que se possam vangloriar nos imensos debates da Assembleia da República.

O serviço nacional de saúde, a existir, deve servir para atender a população de forma rápida, eficaz e cómoda. Com ou sem pandemia, não é o que tem acontecido. As filas de espera nos hospitais são intermináveis, as condições de internamento e, muitas vezes, de serviços, em muitos hospitais, carecem de grande investimento, e, conjugando tudo isto, o SNS pode estar a falhar com a sua missão.

Não acho que um sistema de saúde totalmente privado seja a solução como, aliás, fica provado um pouco por todo o mundo onde esses sistemas existem. O que acho que pode ser a solução para Portugal é um sistema híbrido. Onde o estado faça uma reflexão séria sobre que equipamentos deve manter porque, como sabemos, muitos deles precisam de grandes investimentos e, efetivamente, tem ficado provado que o estado não tem essa capacidade. Esta reflexão deve ocorrer sempre na base de não ataque ao privado, que é precisamente o contrário daquilo que temos assistido nos últimos tempos.

O cidadão comum poderá usufruir de imensas especialidades de saúde no privado sem que exista nenhum atentado às suas finanças pessoais…

Os privados devem ser chamados à mesa das negociações para perceber de que forma é que podemos ter um mercado onde seja possível que as pessoas tenham estes dois sistemas a coabitar. Onde seja possível, a preços acessíveis e com oferta, que as pessoas tenham um seguro de saúde e onde seja possível também continuar a utilizar o SNS. Em parte, o problema das filas de espera, que sabemos ser um dos principais problemas do SNS, ficará resolvido e o sistema poderá funcionar com maior rapidez e eficiência. Por outro lado, o cidadão comum poderá usufruir de imensas especialidades de saúde no privado sem que exista nenhum atentado às suas finanças pessoais.

Como disse, deve ser lançada a reflexão. Mas agora, o que realmente importa, é que nos mantenhamos a salvo e possamos ultrapassar este maldito vírus.

© 2020 Guimarães, agora!

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