Miguel Leite
Natural de Guimarães, Fisioterapeuta Licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também Pós Graduado em Fisiologia do Exercício e Fisioterapia Cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

Treinar para viver

Será que a esperança de um amanhã melhor cairá novamente em saco roto? Será que a perda de tantos será um exemplo para os que cá permanecem? Ou é definitivamente a escolha do egoísmo atroz do ser humano e cada um olha por si?

Ao retomar a nossa vida, verificamos que o conviver com uma nova liberdade, se transforma para uns numa euforia automática, em contrapartida para outros é o medo e a angústia de tornar a reviver tudo novamente. As consequências da exposição ao covid-19 são diariamente descobertas através de horas de constante investigação, havendo certamente ainda muito por revelar e possivelmente o tempo será um fator preponderante na finalização de todo este processo.

Aqueles que passaram pela experiência de um internamento hospitalar, certamente terão registado de forma traumática esses momentos e utilizaram esta fase da vida para quererem potenciar as suas histórias e renovar as suas prioridades.

Atualmente, têm surgido uma resposta atualizada através de algumas possíveis diretrizes que irão permitir aos pacientes, que outrora foram considerados críticos pela sua condição de saúde, poder melhorar a sua condição física e mental através da realização de protocolos de reabilitação devidamente monitorizados e respeitando sempre os princípios fisiológicos do treino. A preparação de estratégias de reabilitação para doentes/sobreviventes por covid é uma responsabilidade cada vez mais emergente que visa minimizar as sequelas a longo prazo desta condição clínica que agride não só as estruturas respiratórias e cardíacas, bem como, os restantes sistemas do nosso corpo.

O treino de resistência (através da utilização de uma resistência externa com o objetivo de melhorar a mobilidade articular e a força muscular de todo o corpo) é apresentado como uma excelente ferramenta para melhorar a capacidade funcional e vital na condição respiratória aguda e crónica e nos pacientes portadores de patologia cardíaca. O estado particular de cada indivíduo será sempre uma condicionante elementar no momento de organizar o treino.

Estudos recentes mencionam cada vez mais a invasão desta condição patológica sobre o sistema nervoso central, e consequente atingimento neuromuscular periférico, através por exemplo da limitação da estrutura muscular global (dor muscular severa, atrofia por desuso – sarcopenia), sendo estas sequelas extrapulmonares das mais verificadas após estabilização do quadro clínico do utente e podem estar presentes até mais de um ano após a primeira agudização do quadro respiratório do mesmo.

A presença de um conjunto de modificações do sistema imunitário na resposta a estes invasores externos (reação imunológica exagerada que resulta num estado pró-inflamatório excessivo), acontece como em tantas outras situações similares de um quadro de infeção, sendo que a melhoria deste sistema de defesa tem que ser uma constante através não só da componente nutricional, mas essencialmente do trabalho da condição física e mental.

A aplicação destes protocolos de reabilitação deve iniciar logo após a estabilização do indivíduo em contexto hospitalar e deve ser realizado o mais precoce possível através de Fisioterapeutas presentes nas Unidades de Cuidados Intensivos, realidade esta que deveria ser priorizada pelos responsáveis governamentais.

Vão aparecendo estudos devidamente validados cientificamente que dão ênfase ao treino de resistência moderado como uma mais valia…

Vão aparecendo estudos devidamente validados cientificamente que dão ênfase ao treino de resistência moderado como uma mais valia, utilizando numa fase inicial baixa duração/volume de treino, poucas repetições e tempos de descanso relativamente grandes que permitam a recuperação do paciente e não promovam um aumento do “stress hemodinâmico” de forma exagerada.

A continuidade do processo de reabilitação para o exterior após alta hospitalar deve ser programada e devidamente acompanhada por uma equipa multidisciplinar, para que a validade nos procedimentos a realizar seja uma realidade segura e efetiva.

A pessoa que teve covid vai ter medo quando sair para o meio exterior e isso será normal, porém, o foco dela tem que ser melhorar todos os dias a sua condição física e mental através de um acompanhamento permanente e diferenciado.

Mais uma vez reforço a importância acrescida da monitorização contínua dos doentes covid, pós situação hospitalar crítica (internamento em UCI) e não crítica (hospitalizado em enfermaria e não hospitalizado) durante a implementação de um protocolo de reabilitação, sendo que a atualização do quadro sintomático ainda é muito prematura e as variações do estado do paciente podem ser repentinas.

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