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Terça-feira, Fevereiro 7, 2023
Filipa Leite
Filipa Leite
Advogada. Vimaranense born and raised. "Deixar o mundo melhor que o encontramos" é o seu modelo de vida. Uma boa conversa, um bom livro e um passeio ao ar livre são a sua terapia. Participar ativamente na sociedade, contribuindo para o seu desenvolvimento é um dever.

Iliteracia política

Nas últimas semanas assistimos à disputa política de sete candidatos ao cargo de Presidente da República Portuguesa, a qual, terminou no passado domingo com a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa para um segundo mandato, com uma taxa de abstenção a rondar os 60%.

Apesar de pessoalmente considerar que só um dos candidatos reunia as condições de (re)assumir o cargo, o que se veio a verificar, pois, dos sete, é o único que detém o perfil indicado para representar Portugal perante as instituições internacionais, a capacidade de garantir a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas, conforme assim prevê a Constituição da República Portuguesa.

É inequívoca a vantagem que os portugueses deram a Marcelo Rebelo de Sousa face à segunda classificada, uma vantagem de quase dois milhões de votos, contudo, equivocados parecem estar muitos mais portugueses, começando pelos cerca de seis milhões que não foram exercer o direito/dever de eleger, democraticamente, o representante da nossa nação, o único com poder de promulgar e vetar Decretos-Lei do Governo e Leis da Assembleia da República, assim como, o poder/dever de demitir o governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas.

Tal fenómeno deve-se a uma iliteracia política, a um analfabetismo funcional que torna as pessoas incapazes de perceber o quão importante é vivermos em democracia…

Os níveis de abstenção em Portugal são verdadeiramente preocupantes, rondando nas últimas décadas, sempre quase metade dos eleitores inscritos, o que demonstra uma falta de cultura democrática e um descrédito enorme pelas mais altas instâncias representativas da nação. Tal fenómeno deve-se a uma iliteracia política, a um analfabetismo funcional que torna as pessoas incapazes de perceber o quão importante é vivermos em democracia e escolhermos quem nos representa.

Esta iliteracia política, foi ainda mais patente nestas eleições presidenciais, não só pela abstenção, mas também pelos resultados eleitorais do que se firmou no terceiro lugar apenas a um ponto percentual da segunda classificada. Este fenómeno só se explica pela incapacidade que muitos eleitores têm em se situar politicamente, em definirem bem o espectro político em que se encaixam, os valores que defendem e o rumo que querem para o nosso país.

Essa incapacidade, essa ignorância política só pode ser combatida junto dos nossos jovens, junto daqueles que hoje estão a formar as suas convicções e que serão os líder mundiais de amanhã. Pelo que urge incluir no plano curricular uma disciplina de ciência política, assim como trazer para a discussão pública o debate sobre a importância de uma eleição, o poder de um voto, as conquistas da democracia em paralelo com os flagelos do autoritarismo. Que elucide os portugueses e esclareça as principais diferenças político-partidárias, que desperte o interesse em conhecer o perfil e as ideologias dos candidatos, dos líder políticos e respectivos partidos. Só assim o portugueses darão a verdadeira importância ao voto, e, fazendo uso dele, afastarão os populistas demagogos com laivos de autoritarismo.

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