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Sábado, Janeiro 28, 2023
Maria Vieira da Silva
Maria Vieira da Silva
Natural de Guimarães - Qualificações académicas: Mestre em Direito da União Europeia pela Escola de Direito da Universidade do Minho e licenciada em Relações Internacionais pela mesma Universidade, onde desenvolve investigação no Centro de Estudos em Direito da União Europeia. - Perfil profissional: Jurista em Direito da União Europeia e consultora em cooperação para o desenvolvimento.

Faz hoje 60 anos que o “muro da vergonha” começou a ser construído

Foi na madrugada do dia 13 de Agosto de 1961 que começou a ser construído o mais infame muro que a humanidade conheceu. O “muro da vergonha”, como o cunhou Willy Brandt, dividiu a cidade de Berlim ao meio, separando a Europa de Leste e a Ocidental, famílias e amizades, projectos de vida e de trabalho. A “cortina de ferro” durou 28 anos.

Com uma extensão de cerca de 43 km, o Muro de Berlim era formado por duas paredes paralelas, separadas pela chamada “faixa da morte”, com espigões de ferro que se erguiam do solo (a “relva de Estaline”), minas terrestres, arame farpado e uma série de obstáculos dissuasores de eventuais fugas. Era também o caminho usado pelos guardas fronteiriços, com ordens para atirar a matar, para fazer a patrulha 24 horas por dia, 7 dias por semana.

E foram muitos os que não conseguiram escapar, pagando com a vida a tentativa de transpô-lo, como Peter Fechter, que foi deixado junto ao Muro a sangrar até a morte.

A sinistra “Operação Rosa”, secretamente orquestrada e executada pela calada da noite, tinha como objectivo impedir a fuga da população de Leste para Oeste, que tinha assumido proporções alarmantes. 60 anos depois, a narrativa que serviu de álibi para a criação da gigantesca prisão chamada República Democrática Alemã ou Alemanha comunista, continua actual: proteger-se do perigo fascista, que tinha sido morto e enterrado em 1945.

© Direitos Reservados

Não há registo na História do séc. XX de um regime totalitário que tenha precisado de erguer muros para evitar que os seus cidadãos saíssem, nem mesmo no hediondo regime nazista. O único regime que o fez foi o comunista, sob a mistificação da propaganda.

O êxodo teve de ser interrompido à custa de mais derramamento de sangue numa Alemanha já de si dilacerada pela guerra mundial.

Todavia, aquela fuga unilateral da Alemanha comunista para a Alemanha Ocidental determinou o fracasso da ideologia comunista, da sua visão punitiva estendida à humanidade e da sua promessa de abolir a realidade para gerar um mundo melhor. O êxodo teve de ser interrompido à custa de mais derramamento de sangue numa Alemanha já de si dilacerada pela guerra mundial. Ainda hoje o comunismo precisa de fechar as suas fronteiras, para proteger os seus horrores e o seu fracasso.

Obviamente que a ideia do Muro não surgiu de repente, embora a sua construção tenha sido rápida. Já antes, em 1948, Estaline tinha decretado o bloqueio de Berlim, esperando, com isso, reduzir a Alemanha a uma nação indefesa, que poderia ser facilmente convertida numa máquina de guerra. Churchill, por sua vez, também já havia proposto a neutralização alemã; e aos EUA interessava-lhes uma Alemanha fraca para exercer uma posição hegemónica relativamente ao continente europeu.

Digamos que a ideia de um gigante alemão no coração da Europa não interessava a ninguém, até que o odioso Muro foi erguido. O discurso proferido por Kennedy, dois anos mais tarde, em Berlim, com a sua famosa frase “Ich bin ein Berliner!”, foi, sem dúvida, uma tremenda declaração de apoio à cidade isolada, mas também um exercício de cinismo.

Foram precisos 28 anos e milhares de novas vítimas para ver aquele Muro cair. Hoje fala-se muito de muros que impedem gente de entrar, mas poucos se lembram do Muro mais infame de todos, erguido naquele 13 de Agosto em Berlim para não deixar ninguém sair.

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