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Segunda-feira, Julho 15, 2024
Miguel Leite
Miguel Leite
Natural de Guimarães, fisioterapeuta licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também pós graduado em fisiologia do exercício e fisioterapia cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

Com o olhar nas chamas

Toca a sirene do quartel em mais uma tarde quente de Julho, e os homens e mulheres que ali se encontram correm como se de raios de luz se tratassem, em direção aos seus cacifos para se equiparem devidamente, sendo posteriormente distribuídos pelas viaturas de combate a incêndio florestal sem saberem o que os espera.

Descrito assim até parece um cenário suave, porém é um contexto que faz gerar a valentia, a coragem e a ousadia de alguns para assegurar o sorriso de todos aqueles que habitam de forma individual as suas vidas.

A verdadeira força de um Bombeiro mede-se pela atitude inigualável de ultrapassar muitas vezes os limites impostos pela vida, sempre com o foco de salvar todo o tipo de vidas e bens, sem olhar a mais nada a não ser o objetivo de uma determinada tarefa, quase sempre no limiar do binómio vida e morte.

Estamos perante mais um ano caótico e profundamente triste, no que diz respeito a incêndios de grandes proporções, com imagens diárias de estragos proporcionados por chamas destruidoras de sonhos que outrora preenchiam vidas.

As causas tantas vezes discutidas em diversos meios de comunicação são multifatoriais, porém o grande desencadeador de tudo isto é a mão do Homem.

Continuamos com uma geografia terrestre completamente desorganizada, um comportamento de risco para com o planeta diário, meios de combate obsoletos, meios físicos e humanos insuficientes, soberania e poder cego no que concerne às reais prioridades de uma sociedade humanizada, e não querendo culpar ninguém, mas todos nós podemos e devemos fazer mais e melhor, ainda hoje, porque amanha já será tarde.

Reparem que estamos constantemente a repetir as mesmas escolhas erróneas e desapropriadas, mesmo observando diariamente as consequências de tais decisões. Será que falta coragem na hora de decidir? Será que os nossos representantes na Assembleia da República pensam no povo antes de propor seja o que for? A Democracia estará a dissolver-se?

Em tudo isto, existe decisores e executantes, sendo que salvaguardando todos os intervenientes num contexto de um teatro de operações, os Bombeiros Voluntários são aqueles que mais me sensibilizam pelo seu altruísmo cívico.

Necessitam cada vez mais de estruturas e materiais de intervenção e proteção para fazer a diferença.

Permitam-me apenas sublinhar da realidade que conheço, que os Bombeiros têm uma formação árdua e constante, não são uns coitadinhos como tantos querem fazer passar, necessitam cada vez mais de estruturas e materiais de intervenção e proteção para fazer a diferença nos diferentes contextos em que operam, estão sempre disponíveis para a população, a maior parte são voluntários, abdicam das suas vidas familiares para defender os interesses de terceiros e em momento algum hesitam na hora de socorrer.

O futuro do voluntariado, especialmente no Mundo dos Bombeiros depende sem dúvida alguma da vontade interna de cada um em rever-se em valores de cidadania, humanidade e luta por algo que ultrapassa a compreensão de muitos, no entanto, é preciso criar condições de segurança e optimizar o modus operandi dos mesmos.

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