Alberto Martins
Alberto Martins, 41 anos é empresário e licenciado em Gestão. Atualmente é ainda presidente da Junta de Freguesia da Vila de São Torcato desde 2017, tendo já sido tesoureiro desde 2005 até 2017. Trabalhou e colaborou com diversas empresas, de onde se destaca a empresa Coming Future e a empresa JF Economista Internacionais.

A ilusão das contas públicas e a perda de poder de compra

Assistimos em Portugal, tal como em todo o mundo, a uma taxa de inflação que já não era observada há muitos anos. Este aumento significativo desta taxa irá provocar uma das maiores perdas do poder de compra dos portugueses das últimas décadas, nomeadamente nos salários que foram atualizados tendo em conta a inflação prevista inicialmente para 2022 (0,9%).

Assim, a generalidade dos salários, quer do setor público, que tiveram um aumento indexado à taxa de inflação prevista, quer os do setor privado que na sua generalidade (com exceção do salário mínimo nacional), tiveram aumentos residuais, irão provocar uma enorme perda de poder de compra nos portugueses.

Os dados da inflação para 2022 continuam em constante mutação, tendo atingido os 5,3% em Março de 2022 e uns impressionantes 7,2% em Abril, o que representa segundo o INE, a variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) mais elevada desde Março de 1993, contribuindo de forma decisiva para este aumento, a escala dos preços dos combustíveis.

Destaco sobretudo a classe média, que é a que mais contribui em pagamento de impostos e taxas.

Facilmente concluímos que os portugueses, em 2022, quer no setor público, quer no setor privado/social, irão sofrer fortemente e de forma impressionante uma perda de poder de compra, colocando as famílias mais desprotegidas numa situação extremamente delicada. Aqui, destaco sobretudo a classe média, que é a que mais contribui em pagamento de impostos e taxas e a que menos apoios estatais recebe.

A tempestade perfeita poderá vir ainda, com a subida das taxas de juros, agravando decisivamente o orçamento familiar e potenciando situações de uma gravidade ainda imprevisível.

Contudo nem todos ficam a perder, o estado, exímio na cobrança de impostos, está desde já a beneficiar com esta escalada dos preços em 2022, arrecadando muito mais receita em sede de IVA, derivado ao aumento do preço dos produtos transacionados.

No curto prazo, a inflação dá uma espécie de alívio, sobretudo por via da receita fiscal e do facto dos salários dos funcionários públicos não ser atualizado com base na taxa real e efetiva, o que serve de travão momentâneo à despesa pública.

Contudo a manutenção destes cenários macro económicos ou até o seu agravamento, terão consequências em 2023, onde a inflação atingirá em cheio as contas públicas e agravará o endividamento do país, já em níveis incomportáveis.

O custo das novas colocações de dívida, a curto e médio prazo, irá produzir um aumento significativo dos juros e logo aumento do défice, que terá de ser compensado com austeridade (aumento da carga fiscal!) ou cortes na despesa.

Sabemos ainda que esta taxa implicará negociações difíceis nos aumentos salariais, para não continuarmos a escalada de perda de poder de compra, pressionando ainda mais as já frágeis contas públicas portuguesas.

Por fim, as próprias obras públicas e demais gastos da máquina do estado, com o aumento da generalidade das matérias-primas e dos serviços, que acentuará o risco ou de aumento de défice ou de aplicação de medidas restritivas, cativações ou por outras palavras austeridade.

Será assim, um 2022 cheio de incertezas sobre o rumo da economia portuguesa e mundial, mas sabemos de antemão que será um ano extremamente difícil e com um horizonte em 2023, muito carregado por nuvens negras de instabilidade económica e social.

Urge, rever desde já o orçamento que brevemente será discutido na assembleia da república e plasmar de forma realística o cenário macro económico que vivemos, sem assobiar para o lado, esperando que a tempestade amaine, porque depois, tal como noutras ocasiões no passado, pode ser tarde demais…

© 2022 Guimarães, agora!


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