Restaurante: Le Babachris surpreende pelos seus sabores

É um dos bons exemplos da cozinha de inspiração em Guimarães. Christian Rullán não é apenas o dono mas também o chef do Le Babachris que o transforma num cabeça de cartaz do restaurante no mundo.


Se há pessoas para quem a cozinha, também, é um amor, Christian Rullán não esconde a sua paixão pela arte de cozinhar e degustar. Em cada prato e em cada dia, ele deixa o seu perfume de artista culinário nas ementas que escolhe e nos produtos que vai colher ao mercado, manhã cedo, à peixaria ou à mulher dos legumes.

Escolheu Guimarães para trabalhar e mostrar a sua arte após pesquisar sobre o Porto onde se queria instalar. E optou assim pela cidade histórica e medieval, pelos seus monumentos, que acabaram por inspirá-lo para a diversidade e qualidade que queria apresentar nos seus menus.

A sua formação em alta cozinha mediterrânea e mais de 20 anos de experiência nas mais prestigiadas cozinhas europeias de restaurantes e hotéis renomados, seriam fundamentais para quem desejava começar uma actividade por conta própria, com um conceito novo.

Esse património gastronómico que a sua experiência acumulava era como uma benesse para Guimarães onde Christian podia desenvolver um projecto próprio e diferenciado, capaz de se juntar às distinções que se reconhecem à cidade de D. Afonso Henriques.

Quando se fala de Guimarães, Christian – francês por naturalidade e por ascendência da mãe e filho de pai espanhol – reconhece a este pequeno burgo qualidades ímpares, que iluminam os seus olhos porque acreditou em ter aqui a oportunidade de futuro, que abriria os seus horizontes de amante da cozinha e de comida.

Ele sabe que os estrangeiros que visitam Guimarães já trazem as referências do seu Le Babachris, pois 80% dos seus clientes estão para lá da fronteira portuguesa. Mas há vimaranenses que o escolhem, tal como muitos portugueses de outras cidades. “Há até lisboetas que vêm cá jantar” – lembra com orgulho de quem sabe reconhecer as suas opções e propostas gastronómicas para um bom almoço ou jantar.

E sem gabarolices defende que o seu Le Babachris “não é uma moda mas uma tendência”. Para Christian o respeito que um cliente lhe dá… ”não é o que lhe paga” mas “o que gostou de desfrutar, à mesa”.

“Sou um admirador do Mercado e daquela gente que ali ganha a vida e vende produtos excelentes, da terra, frescos e de qualidade…”

É essa qualidade reconhecida que o leva a não desistir. “Não vou mudar o conceito que criei, só quero que o entendam”. E sem dramatizar, diz mesmo que “antes fechar do que mudar a sua oferta gastronómica”, muito apreciada por quem sai satisfeito do seu restaurante, mimado pelo prazer dos sabores que faz exprimir em produtos da época, do campo e do mar. “Sou um admirador do Mercado e daquela gente que ali ganha a vida e vende produtos excelentes, da terra, frescos e de qualidade” – confessa.

Todos os dias, às 7 horas Christian vai à “peixaria do Zé” onde compra o peixe e ao lado escolhe os vegetais, os tais produtos locais com os quais se inspira para os pratos que há-de preparar para os seus clientes. E admiradores, sim, porque os há, para os sabores que consegue juntar num prato.

Situado na Rua D. João I, o Le Babachris, é um recanto onde a comida ganha expressão porque “é bem feita e tem um estilo e uma identidade própria”. E surpreendente porque consegue soluções gastronómicas simples mas que nos deixam a desejar mais e a não esquecer.

Christian diz e com razão que quem vem ao seu restaurante “vem para ser surpreendido e não para aceitar a monotonia ou a rotina de uma refeição”. E, de facto, é assim. Mesmo quando tudo começa por um creme de cenoura com uma especiaria que gera confiança. Sim, um restaurante ganha-se pela confiança que se tem nas suas ementas, nas pessoas que ali trabalham.

E no Le Babachris, de facto, é adorável comer ao sabor de um ex-técnico florestal que estudou numa escola de hotelaria das “Baleares”, fez um curso de pasteleiro na escola “Le Notre” e com a sua paixão pela cozinha acaba sempre por agradar aos seus clientes com uma ementa criativa, uma mescla de cozinha tradicional com conceitos mais vanguardistas, mas sempre com raízes na cozinha mediterrânea que também é a nossa.

Quem chega ao Le Babachris não encontra a especialidade da casa mas sim “a especialidade que muda todos os dias”. Algo que “é feito com o coração” com vocação e com diversidade. Christian evidencia alguma tristeza que Guimarães “com o mar aqui tão perto” não abuse dos pratos de peixe, optando pela vitela e mais vitela e sobretudo a vitela que não é de leite.

Por vezes, ao Sábado, o chef Christian inova com um arroz feito no tacho da paella de Alicante, um “plus” para a cidade e para alguns amigos que conhecendo aquela “delícia” não rejeitam o convite. Curiosamente, no Le Babachris, o filho come a comida do pai, não há hambúrguer. Um princípio que consagra o restaurante e o chef que dobra o lote dos seus clientes e admiradores porque a sua cozinha tem essa particularidade de ser para a família.

© 2020 Guimarães, agora!

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